Entrevistei hoje no CBN Saúde a psicóloga Adriana Furlan. Falamos sobre “Perdas-como lidar com elas?”. Entre outras coisas, discutimos a importância de os pais serem firmes na educação dos filhos. Segundo ela, é muito melhor dizer não, fazer o filho experimentar a frustração, a dor e o sofrimento do que permitir que ele tenha acesso a certas facilidades que a sociedade oferece. Isso permite que a criança cresça. Adriana Furlan citou como exemplo o ato de ir pra escola. Ela defendeu, inclusive, que os pais deveriam deixar os filhos irem sozinhos, mesmo que tenham carro, pois essa atitude faz a criança aprender a lidar com as dificuldades. Pode parecer cruel, mas proporciona crescimento.
Para concluir, o professor Antonio Ozaí enviou um comentário que achei muito válido. Veja o que ele disse:
Infelizmente, muitos pais protegem tanto os filhos que produzem os futuros pequenos ditadores e adultos frustrados e cheios de problemas. A sociedade perde… mas me parece que isso é antigo. Por coincidência, ontem lia um livro e autora escreveu o seguinte:
“Sem idealismo, os chineses compreendem que as querelas são inevitáveis entre as criaturas humanas e que os ódios devem ser descarregados. Esta catarse eles permitem e mesmo a encorajam em sua vida diária. (…) “se durante a infância indivíduos der livre expansão ás revoltas e fúrias de sua natureza, pode-se esperar que ele venha a ser um adulto razoável. Como nos prova a história do mundo ocidental, somente cobranças que desde cedo se sentem frustradas e recalcadas encontram a sua desforra, mais tarde, sob outras formas mais violentas, com freqüências através da religião e da guerra”.
A autora elogia a forma de vida oriental, mas precisamente a China. Detalhe, o texto citado é de agosto de 1949, como prefácio do livro “A Boa Terra”, de Pearl S. Buck, lançado em 1931.
A superproteção também proporciona condições para o conformismo social que alimenta os pequenos ditadores. O conflito é necessário para o crescimento. Como afirma a Profª Adriana, é preciso dizer “NÃO” e sustentar. Observo, no entanto, que me parece que este problema é mais presente entre os filhos da classe média. Quem tem que correr atrás da própria sobrevivência aprende o real valor das coisas e, o mais importante, o valor da independência, autonomia e liberdade.
Arquivado como:Sociedade