Sou defensor da fidelidade partidária. O motivo é obvio: é necessário estabelecer uma identidade entre o político e a agremiação que ele representa. Também é fundamental pôr fim ao troca-troca que geralmente é motivado por interesses, digamos, questionáveis.
Entretanto, estava pensando: como fica a situação do político que for expulso do partido? Por exemplo (é só uma ilustração, ok?), vamos imaginar que o PT tivesse fechado um voto contrário à cassação de Renan Calheiros. Na prática, isso significaria que Eduardo Suplicy, Flávio Arns etc não poderiam apoiar o pedido de cassação do presidente do Senado. Se eles desrespeitassem a decisão do partido, a direção do PT poderia pedir a expulsão dos senadores. Acho que até aqui a idéia está correta… Mas, vejamos: se esses senadores fossem desligados do partido, também perderiam o mandato?
Caro leitor, sinceramente, essa uma situação que eu não saberia responder. Contudo, suponhamos que Suplicy e Arns ficassem mandato, seria justo? Afinal, estariam defendendo uma posição que era de boa parte dos brasileiros… Ou seja, eles não teriam cometido nenhuma irregularidade.
Cá com meus botões, penso que essa é uma questão que precisa ficar clara. Com a decisão do STF, os políticos certamente vão pensar duas vezes antes de trocar de partido. No entanto, se a sigla impor posições que não correspondam ao pensamento do político e ele votar em desacordo com o partido, é correto que seja expulso e perca ao mandato? Será que não teríamos um novo instrumento de dominação da subjetividade dos sujeitos? Nossos representantes não estariam debaixo de um perigoso cabresto?
Volto a dizer: essa é uma questão que precisa ser esclarecida.
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