Archive for Dezembro 19th, 2007

De Paula…

Está muito corrido por aqui… Falta tempo para escrever. Ainda assim, gostaria de reproduzir uma imagem do lançamento do livro “Maringânias”, do amigo Antonio Roberto de Paula. Na sexta-feira passada foi realizado um evento cultural para marcar a chegada do livro. Não pude participar. Mas vários amigos estiveram no local. Aí está uma das fotos…

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Blogs…

Já que estamos discutindo aqui a relação blogs, blogueiros, leitores, imprensa, jornalistas… penso que a reflexão do amigo Andye Iore, postada hoje pela manhã, ajuda a pensarmos mais sobre a questão. Reproduzo aqui um trecho do texto do jornalista:

Se fosse parar para levar em consideração o que pensam, não trabalharia. Os blogs mudaram muito desde 2003, continuarão mudando e essa fase anônima pode acabar ou piorar. Se escrevo menos ou mais, se abordo questões polêmicas ou bobagens, tanto faz. O blog não é imprensa oficial e ainda tem gente que cobra o “outro lado”, diz que comentário é post, fala mal da vida pessoal de outros e outras situações que deram uma imagem negativa aos blogs que mudaram sensivelmente a postura da imprensa na cidade. Afinal, se não fosse a movimentação blogueira, muitas manipulações não seriam divulgadas.

Sobre minhas abordagens da imprensa, sempre procurei melhorar as condições de trabalho do setor e nunca desejei mal a ninguém. Se escrevo sobre coisas que outros temem fazer se identificando é porque realmente o jornalismo de Maringá é ruim, mas não pelos profissionais (afinal, nunca citei nome de ninguém) e sim pelas condições de trabalho que geram problemas salariais, de carga horária, de estrutura, de acumulo de função, entre outras situações que só pioram pela falta de atuação do sindicato.

Mala, mas com caráter - II

Comentando o post anterior, meu amigo Milton Ravagnani escreveu um texto que faço questão de reproduzi-lo. Vale a leitura pela qualidade e profundidade dos argumentos:

Meu caro Nezo:
Para começar esse comentário, vou brindá-lo com uma canelada. Quem expõe seu nome, seu rosto ou sua voz para o público, tem de estar preparado para a crítica. Nosso melhor peso-pesado no boxe, o Adilson Maguila, conseguiu, numa época que aquela atividade (tem gente que chama de esporte) foi dominada pelo irracional Mike Tyson, um espaço impensável na mídia mundial. Era forte e resistente, mas desmoronou frente a um gancho de Evander Hollyfield, que dois anos mais tarde botaria no chão o próprio Tyson – por duas vezes.

O fato de ter perdido apenas para o futuro campeão mundial da sua categoria não foi atenuante para o enorme esforço desse nordestino, convertido em esperança nacional. Ganhou a fama de “queixo de vidro”. A cena do seu pé esquerdo em tremor involuntário, depois do Knock down, foi motivo de riso de uma multidão de brasileiros derrotistas e previamente derrotados. Virou piada nacional.

Quem se expõe à mídia não pode ter queixo de vidro. É preciso, antes, preparar o couro para a sessão de espancamentos e flagelações que a opinião pública – você sabe bem como ela é formada, e para o leitor que não sabe, vale ler alguma coisa sobre a chamada “indústria cultural” e os nossos coleguinhas da escola de Frankfurt – impinge sem dó nem piedade. Sempre foi assim. Desde o teatro mambembe do obscurantismo, ao advento das mídias terciárias.

Mas agora vivemos um momento mais agudo dessa peculiaridade humana, de rosnar para quem se apresenta ao público. Não apenas por externar frustrações, mágoas e raivas, como você lembrou, citando Rosana Hermann, mas pela inveja pura e simples, de não estar no lugar daquele que critica.

Com o advento dos blogs e outras páginas eletrônicas, e a facilidade em atacar escondido no anonimato potencializa esse traço da maldade que habita em todos os corações.

Isso já é ruim no mundo todo, mas em Maringá ganha ares surreais. É que, pela história política recente, os blogs se tornaram refúgio de interesses, que sequer são ideológicos, mas monetários mesmo.

Depois da última eleição municipal, e o papel que um blog – o factorama – exerceu em sustentação de uma candidatura (a da situação na época) em contraponto ao grupo que finalizou vencendo nas urnas, inaugurou uma nova trincheira para o grupo destituído do poder.

Hoje há uma ocupação geral dessa ferramenta de comunicação por esse grupo, que dela se utiliza – legitimamente, diga-se – para manter a ordem unida dos seus aliados e tentar desgastar o grupo hoje no poder.

Essas artimanhas não têm eco nos veículos de comunicação tradicionais oficialmente instituídos na cidade, que, cada um à sua maneira, com defeitos e acertos, vai tentando fazer o jornalismo do possível.

Mas isso não satisfaz o interesse desse grupo que quer retornar ao poder. Daí, quem não está ao seu serviço, é tido como inimigo, pertencente “ao outro lado”. Gente que precisa ser combatida.

Não interessa se há vínculo ou não com o atual grupo no poder. Impõe-se o modelo de que não está com eles, está contra eles.

Por trás desse democratismo, desse criticismo, está apenas a defesa da volta ao poder e aos cargos constituídos em comissão. A boa e velha mamata. E tempo para isso, não lhes falta.

E atacar carreiras e destruir reputações não são obstáculos morais ou éticos para esse grupo. Até por que o anonimato os protege.

Por isso, meu querido, não adianta tentar defender conceitos ou justificar atitudes. Daí só virão ataques, independentemente do esforço pessoal de cada profissional para manter-se dentro da dignidade, da ética e da luta pelo trabalho bem feito. E, ter queixo de vidro, num cenário como esse, não ajuda.

Mala, mas com caráter

Ontem, vi uma foto minha e do Gilson Aguiar no blog do Rigon. Pensei comigo: “amanhã é dia de ler comentários depreciadores”. Batata. É abrir os comentários do post e ver vários anônimos chamando-nos de chatos, malas, aliados dos Barros… E desta vez sobrou até para meu diretor, o Alexandre.

Já disse aqui várias vezes que sou fã da Rosana Hermann. Dia desses, ela fez uma análise sobre os blogs e da relação que existe entre leitores e estas páginas pessoais. Rosana fez algumas considerações muito interessantes. Entre elas, concluiu que geralmente quem comenta de forma anônima faz isso para externar suas frustrações, mágoas, raivas etc etc. Também lembrou que entre as pessoas que trabalham com comunicação e o público espectador existe uma relação de amor e ódio. Algumas pessoas apreciam; outras, depreciam.

Bem, isto tudo pouco importa. Tenho procurado aprender a lidar com esses comentários maldosos. Obviamente, não é divertido saber que várias pessoas não gostam de nós. Somos carentes de ser amados. Também não é agradável quando colocam nossa conduta sob suspeita. Mas, no meu caso, é o ônus da profissão. Ou aprendemos a ignorar as críticas - e até aprender com algumas delas - ou abandonamos a profissão.

Na verdade, uma das coisas que nunca gostei na minha profissão é a necessidade de se expor. Sou reservado, pouco falante, alguém de poucos amigos. Sempre me incomodei com essa coisa de ter que prestar contas do que sou ou deixo de ser. Faço meu trabalho com dedicação, cuido da minha vida e ponto. Se sou chato, mala, arrogante, presunçoso ou qualquer outra coisa, qual é o problema? Ninguém tem nada a ver com isso… No blog, se o leitor não gosta de mim ou do que eu escrevo é só não acessá-lo. No rádio, idem. Só quem não tem como se livrar de mim são meus familiares e alunos… Estes pagam os pecados por terem que me aturar.

Ser jornalista, radialista ou blogueiro, ou seja, alguém envolvido com comunicação, não me torna absolutamente nada diferente de quem não vive esta realidade. Esta é minha profissão. Sou um operário da notícia; funcionário de uma empresa, como qualquer outro que trabalha atrás do balcão de uma loja. As pessoas são o que são… Não importa onde estão ou o que fazem. Alguns são simpáticos, alegres, divertidos; outros são, muitas vezes, insuportáveis. Mas todos são seres humanos. E o que mais importa é o caráter que possuímos. É isto que pode nos classificar entre bons e ruins.

Ainda que chato… bom dia!