Comentei ontem por aqui sobre a quantidade de mortes por acidentes de trânsito em Maringá. Pedi ajuda ao experiente Luis Riogi Miura, especialista em trânsito, para nos ajudar a entender por que cresce significativamente o número de óbitos na cidade. Argumentei que não dá para aceitar as justificativas de que as mortes estão relacionadas com o aumento da frota de veículos. Também entendo que transferir a responsabilidade sempre para o povo (como tem sido com a dengue) é uma atitude de quem não sabe o que fazer.
Bem, o amigo Miura, mesmo estando em Brasília, gastou um tempinho pra falar sobre o problema. Caso você, caro leitor, esteja interessado em entender um pouco mais o que é preciso fazer para diminuir as mortes no trânsito, leia o texto a seguir. Se alguma autoridade estiver interessada realmente em encarar o problema e tentar resolvê-lo, sugiro que reflita nos argumentos a seguir:
Invariavelmente o aumento da frota e da população é citado como estando relacionado com os aumentos catastróficos de mortes em função de acidentes de trânsito. Certamente temos carência de pesquisas que apontem objetivamente as razões desse crescimento paralelo. Mas com certeza não é regra e nem tem consistência argumentar usando essa proporção para justificar o crescente número de mortes. Por desconhecimento e, se o tiver, por não ser “politicamente” conveniente, usam-se tais razões.
No caso de Maringá os números muito animadores de redução em 2005 podem dar alguma indicação para correção dos rumos tortos que no ano anterior ocasionou 40% de aumento no número de óbitos, comparados com ano anterior, 2003.
É sempre interessante analisar a evolução histórica dos números de óbitos. A melhor estatística, entre as de feridos e de danos materiais. Embora ainda muito pouco confiável. Por exemplo, Maringá apresenta-a rigorosamente dentro dos padrões ABNT, DENATRAN e norma internacional. O que não ocorre com a estatística do Estado. O DETRAN/PR divulga números subestimados em pelo menos um terço.
Mas voltando ao que objetivamente deveria ser feito para obterem-se melhores resultados. Partir-se-ia do pressuposto de que as mortes em função do trânsito é extremamente crítico. Se fosse um paciente médico, seria caso de UTI. E nessa unidade, os recursos melhores devem ser utilizados. Não é o caso, na realidade. Falta uma estrutura adequada para a unidade administrativa de trânsito. Faltam técnicos especializados em quantidade e qualidade. Agentes de trânsito, educadores e engenheiros e/ou arquitetos insuficientes levam a secretaria a atuar sempre na forma dos bombeiros, correndo para apagar incêndios. Raramente podem fazer um trabalho preventivo. Tratamento de pontos críticos, fiscalização preventiva, campanhas informativas, tornam-se quase sempre impraticável para atender o caos instalado, quando não, para atender interesses políticos.
Façamos um exercício mental. Em nossa casa, quando ameaçado sob diversas formas, o que fazemos? Primeiro, a cercamos de forma segura. Colocamos grades nas janelas, uns instalam alarme, cercas elétricas. Outros adotam cães. Outros ainda contratam vigias. Todas as medidas trazem alguns transtornos que são pessoalmente assumidos. Muito bem, uma cidade deveria ser encarada da mesma forma. Se o trânsito está ameaçando, medidas devem ser adotadas para protegê-la. Com certeza, eu não ficaria (na minha casa) pedindo, implorando para o povo não depredá-la, não assaltá-la, não violentar meus familiares. Os que não me agredirão, não o farão independentemente dos meus pedidos. Os que vão me agredir farão independentemente dos apelos que eu estiver fazendo. Talvez até diminua um pouco a ameaça em potencial, mas não significativamente.
O que Maringá está fazendo para protegê-la da violência do trânsito? O quadro de Agentes de Trânsito deveria estar com pelo menos 90 em 2008, mas continua limitado a 30, por lei municipal. Efetivamente, somente com 7 a 8 atuando nas ruas! E somente das 7h às 19h, de segunda a sábado!!!
É muita ingenuidade ou má fé, achar que só com maquiagem e painéis a violência reduzirá! Apelos emocionais só se traduzem em resultados objetivos se acompanhados de controles físicos efetivos.
Infelizmente, atitudes que reforçam os uivos dos reclamantes infratores e dos que julgam estar acima da lei, enfraquecem todo e qualquer projeto, por mais competente que seja.
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Sr.Ronaldo,
Venho respeitosamente a sua presença, de uma certa forma concordar com suas palavras e do S.Miura, mas acho que cabe a cada um de nós, cobrar de forma correta aos funcionários e mandatários no poder, que atuem de forma correta e efetiva em suas obrigações.
Há um ano atrás, procurei o promotor público Sr.Mauricio Kalache, que prontamente acatou minha indignação demonstrada por uma carta registrada endereçada ao sr.Promotor de Justiça.O mesmo questionou o setran , enviando cópia da missiva e o mesmo(setran) respondeu que não cede a pressões isoladas e impressões superficiais, que age de forma incisiva e com resultados imediatos e que possui recursos escassos e que segue o que determina o contran, com dados estatísticos.
Há necessidade de que vários cidadãos procurem
os canais corretos para exigir seus direitos constitucionais, um deles de ir e vir, mas de ir e vir vivos e não em um caixão.è necessário, que cada parente ,pais, filhos, avós das pessoas que foram vitimadas no trânsito de Maringá e do Brasil, não clamem por justiça somente nas câmeras de TV, mas além da mídia procure o poder judiciário, para que o mesmo possa trabalhar embasado no direito real , com vítimas vivas também, que possam clamar pelos que tombaram nesta guerra diária, que enfrentamos todos nós.
[...] miura, planejamento para o trânsito, políticas de trânsito | O leitor Marco Centini comenta um post do dia 21 de dezembro. Na ocasião, falamos sobre algumas questões relacionadas ao trânsito. [...]