Para começar o novo ano, que tal pensar os problemas do trânsito local? Abaixo, reproduzo o email do amigo Luís Riogi Miura, especialista no assunto.
Aí vai uma notícia que desmoraliza qualquer um que usa o argumento que o aumento das mortes no trânsito é em função do aumento da frota de veículos. E também que a culpa é da população que não obedece a lei. Os do Poder Público Brasileiro, que não faz o que tem que fazer, poderiam constranger-se e tomar a França como exemplo. Quando critico alguns políticos como responsáveis pela situação crítica do trânsito é porque cabe a eles decidir o que é realmente eficaz e adotar a medidas que realmente produzem resultados. Bons exemplos não faltam por aí. E caçar votos irresponsavelmente não salva vidas!
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O exemplo que vem da França
Mesmo com o dobro de veículos, o número de mortes caiu 71% em três décadas
E m 1972, 17 mil pessoas morreram em acidentes automobilísticos na França.
Esse número levou o governo francês a tomar providências.
Hoje, o país é um exemplo quando se trata de segurança de pedestres e automobilistas.
No ano passado, embora o número de veículos tenha duplicado desde os anos 70, o total de mortos foi de 4.709. Se nada tivesse sido feito desde 1972, mais de 500 mil vidas teriam sido perdidas.
A maior parte dessa redução se deve à atuação de uma única instituição, a Sécurité Routière (“segurança rodoviária” em francês), criada com a missão exclusiva de diminuir o número de desastres.
A Sécurité é uma entidade interministerial, com poder de passar por cima de outros órgãos públicos quando se trata de trânsito.
Para reduzir o total de mortos e feridos, concluíram os franceses, a primeira medida era ter um conhecimento preciso da extensão do problema.
Todo incidente de trânsito é registrado pela polícia.
Sabe-se exatamente a causa do acidente, quantas pessoas envolveu, quantas morreram, ficaram feridas ou saíram ilesas.
As informações são enviadas a um “observatório nacional”, que identifica os fatores de risco a atacar – álcool, drogas, excesso de velocidade, falta do cinto ou do capacete, visibilidade e outros.
Com base nessas informações, o Código de Trânsito francês se tornou muito mais rígido.
A carteira de habilitação com pontuação e a inspeção veicular anual foram instituídas; milhares de radares foram instalados; cruzamentos em estradas foram substituídos por rotatórias.
A quantidade permitida de álcool no sangue baixou de 1,2 grama por litro de sangue para 0,5 grama (ou 0,2 gramas, no caso de condutores de transportes públicos).
“Os resultados são encorajadores”, diz o ministro Jean-Louis Borloo, atual responsável pelo assunto no governo francês. (Fonte Época – Setembro de 2007)
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