Archive for Fevereiro 19th, 2008
Tudo aos ricos…
Do blog do Ancelmo Gois:
O senador Francisco Dornelles, relator para receitas do orçamento da União, ficou pasmo ao analisar as estimativas feitas pelo governo e descobrir que o Ministério da Fazenda cobra IOF apenas sobre as exportações e não sobre as importações. Ou seja, cobra do produto brasileiro vendido para o exterior, mas não o contrário.
- Achei um absurdo e estou fazendo um apelo para que não seja cobrado em nenhum dos dois casos. Mas não podemos fazer isso quando mais precisamos exportar - lamenta o senador.
Gastos com diárias
Retomamos na CBN a discussão sobre os gastos dos vereadores de Maringá com diárias. No ano passado, os parlamentares tinham direito a R$ 140 mil em diárias. Como gastaram mais do que o previsto, fizeram uma suplementação no orçamento. Em dezembro, os gastos com diárias já somavam quase R$ 200 mil. Este ano os vereadores de Maringá esticaram ainda mais o orçamento; mesmo sendo este um ano de eleição, os parlamentares vão poder gastar até 240 mil reais em diárias.
E, se o leitor recorda, a CBN ainda espera resposta ao ofício protocolado junto à Câmara Municipal de Maringá pedindo informações sobre como foram gastas as diárias em 2007. Solicitamos detalhes a respeito de quem gastou, quanto gastou, onde gastou e para quê gastou.
No ano passado, o presidente da Câmara, John Alves disse que a partir de 2008 essas informações estariam de forma transparente divulgadas na internet. Mas, pelo menos por enquanto, os dados ainda não estão disponíveis no site do Legislativo maringaense.
Com o objetivo de aumentar a transparência nos gastos com diárias o vereador Humberto Henrique também protocolou um projeto prevendo uma regulamentação na divulgação dessas informações. O projeto tramita na Câmara, mas ainda não foi a votação.
Flanelinhas - III
De Milton Ravagnani em sua coluna nesta terça-feira, 19 de fevereiro:
- Depois de dar coletes numerados para que os flanelinhas transmutem em oficial sua atividade ilegal, aguardem para breve as intimidações para cuidar de residências e dar proteção ao comércio, em troca de módica contribuição. Foi assim que a máfia financiou sua proliferação nas Américas. É o município de Maringá colaborando para regressarmos 90 anos na história.
Mída, política, revista Veja
O leitor Paulo Eduardo passou por aqui e, ao comentar o post “Mídia e política”, sugeriu que eu falasse o que penso a respeito das denúncias feitas pelo jornalista Luís Nassif. O experiente Nassif tem publicado uma série de comentários sobre a Veja.
Bem, não tenho uma opinião específica sobre as denúncias de Nassif. Nos últimos meses, acompanho muito pouco o blog do jornalista. Embora o admire, penso que Nassif perdeu um pouco o brilho de suas análises ao tornar-se defensor do governo Lula. Ainda que tenha razão em muito do que escreve, noutras ocasiões perde-se em divagações semelhantes àquelas que classificam toda a mídia como golpista.
Quanto à Veja, estudo a revista desde meus primeiros anos na faculdade de Jornalismo. Tenho várias pesquisas sobre a publicação. Numa das mais recentes, fiz algumas observações tendo como premissa a educação social promovida pela Veja. Trata-se de um estudo baseado num número limitado de reportagens e edições da revista. Apenas para posicionar-me diante da sugestão do leitor Paulo Eduardo, reproduzo aqui algumas considerações que fiz nesse artigo científico:
- O discurso da Veja é condicionado pelo universo onde ela está situada – a empresa, os interesses de seus proprietários, as relações estabelecidas com o mundo exterior. Ainda que cada texto seja escrito por um jornalista, a consciência deste é formada socialmente e o centro organizador de toda expressão por ele emitida, não é interior, mas exterior: está situado no meio social que o envolve. A atividade mental do profissional é interceptada pelas forças exercidas dentro da redação. O seu local de trabalho irá determinar o sentido e o tema da reportagem. Por isso, “somente a enunciação tomada em toda a sua amplitude concreta, como fenômeno histórico, possui um tema” (BAKHTIN, 1997, p. 129).
- [...] o que a Veja faz é tentar recriar o imaginário social, educando os leitores na crença de que é a elite do Brasil que tem as melhores idéias e comportamentos mais responsáveis. A publicação chega a classificar como um “maniqueísmo tolo, típico da cachola esquerdista brasileira” (p.86) a crítica que se faz à elite brasileira. [...] a Veja apresenta sua visão de sociedade como se esta fosse a realidade concreta [...]. Na prática, faz tudo isso para dizer, [...] que é com a ampliação da elite brasileira que o país deixará de ter uma sociedade que age como se tivesse a metade da cabeça tomada por um tumor (VEJA, 2007a).
Na verdade, a revista se coloca como porta-voz dessa elite, excluindo o diferente, principalmente se este pertence a uma classe economicamente inferior. A sociedade que existe para a Veja é aquela que pode se preocupar com a educação dos filhos em dois ou mais idiomas.
- A Veja, portanto, educa os leitores a terem uma visão equivocada do concreto. [...] Na prática, do evolucionismo à política, a revista busca educar os leitores a pensar sob uma única ótica.
PS - Quem se interessar pelo artigo completo pode solicitá-lo nos comentários, deixando email, telefone, nome completo etc etc.
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