Faltam médicos…
O jornal O Diário de Maringá apresenta hoje uma reportagem especial sobre a falta de médicos em Maringá. Na verdade, trata-se de uma ausência de profissionais para atendimento pelo sistema público.
Em várias ocasiões a CBN já discutiu o tema e a reportagem de O Diário colabora com a reflexão sobre o problema.
O questionamento feito pelo título da reportagem é: falta salário ou mão-de-obra?
Dos ouvidos pela reportagem, a direção da Santa Casa aponta que a remuneração é baixa; já o secretário de Saúde de Maringá, Antonio Carlos Nardi, entende que falta pessoal.
Embora não seja uma autoridade no assunto, creio que a falta de profissionais para atender pelo sistema público é resultado da combinação dos dois fatores: baixa remuneração e falta de pessoal.
Deixa eu explicar melhor… Atualmente, pelo próprio investimento feito para concluir uma faculdade de medicina, o profissional quer o retorno financeiro. Quem faz medicina entende que merece ser bem remunerado. Atender particular e por meio de convênios remunera melhor. Uma consulta, por convênio, custa cerca de R$ 40,00. Particular, R$ 100,00. Imagine o que isso representa no final do mês… Pelo SUS ou mesmo em contratação direta pelo município, o salário geralmente não passa de R$ 4 mil.
Então, o que acontece?
Aquele médico que não herda um nome da família, forma-se e aceita trabalhar pelo sistema público até ganhar experiência e tornar seu nome conhecido – é claro que, depois, ele pede as contas e monta a própria clínica. Como não há tantos profissionais com essas características disponíveis no mercado (não existem tantas faculdades de medicina), falta mão-de-obra para a crescente demanda do sistema público de saúde.