Archive for Abril 1st, 2008

Produtividade dos vereadores

A jornalista Luciana Peña, da CBN Maringá, fez excelente reportagem sobre a produtividade dos vereadores da cidade durante o mês de março. Ela descobriu o óbvio: os parlamentares dedicam-se a alguns poucos projetos, geralmente irrelevantes, muitos deles autorizativos e outros para dar nome às ruas.

A reportagem revelou, por exemplo, que um projeto da vereadora Norma Defune Leandro, votado e aprovado pelos parlamentares, já é prática habitual no município há 15 anos. Desinformação? Falta de assessores? Difícil dizer. Mais fácil acreditar que a competência dos representantes do povo é bastante questionável…

PS- Para ouvir a reportagem, clique aqui.

Descaso no curso de Direito da UEM

O leitor Rudolf Von Ihering postou o seguinte comentário que aqui reproduzo:

Os acadêmicos do curso de Direito da UEM alçaram nossa universidade a uma bela posição no cenário jurídico do país. Está a UEM entre os cursos que mais aprovam no exame da Ordem. Mas… Isso é mérito de quem? Da universidade? Dos acadêmicos?
Me questiono e me preocupo. Já estamos no mês de abril, com mais de um mês do início das aulas, várias turmas ainda não têm seus professores definidos. Pois é, os acadêmicos estão lá, mas não há quem os ensine. No 4º ano noturno há uma matéria sem professor, no 5º e último ano são duas as matérias. Quando as pessoas competentes são inquiridas, sobre as razões que levaram a isso, somos informados das dificuldades da burocracia estatal. Mas… mas já que conhecem a burocracia, deveriam ter feito esta previsão. É necessário, sob prejuízo do ensino, que estes alunos possam ter suas aulas na melhor forma possível. Urge que as pessoas “competentes” ajam no sentido de resolver estes problemas. Não é concebível que os responsáveis pelos departamentos tratem com tanto descaso os alunos. Estamos revoltados.

Vereadores condenados…

Curiosa a reportagem do jornal O Diário publicada nesta terça-feira. O jornal revela dos 17 vereadores maringaenses (dois são suplentes que atuaram ao longo da atual legislatura), 13 deles sofreram pelo menos uma condenação. A reportagem também identificou que dos quatro restantes, dois respondem a uma ação civil que ainda vai ser julgada. Ou seja, apenas dois parlamentares maringaenses estão livres de questionamento judicial.

A reportagem do jornal reforça uma discussão feita ontem na CBN Maringá, no Mais Maringá (todas as tardes, às 16h25, eu e o Gilson Aguiar discutimos diferentes assuntos de nossa cidade). Na ocasião, o Gilson perguntou qual deveria ser o comportamento do eleitor diante de políticos questionados pela Justiça. Respondi que o correto seria deixá-los em stand-by. Ou seja, vereadores que sofreram ação judicial e têm o comportamento ético deles sob suspeita não deveriam receber o voto dos eleitores.

Quanto aos vereadores que estão ilesos de ação judicial, são eles: Humberto Henrique e Umberto Becker.

PS- O presidente da Câmara de Maringá, John Alves Correa, é o recordista em condenações na Justiça. Ao todo, John Alves já foi condenado em sete ações – seja em primeira ou segunda instância.

O trânsito: onde está a resposta?

A manchete desta terça-feira do jornal Hoje Notícias traz uma reportagem com o vereador Walter Guerlles, que acaba de deixar o comando da Secretaria de Transportes de Maringá. Na entrevista concedida ao jornal, Guerlles disse que o motorista maringaense deve ter paciência e estar disposto a colaborar. A resposta do ex-secretário foi dada ao questionamento sobre a possibilidade de implantação de políticas públicas que tornem o trânsito mais funcional.

Walter Guerlles afirmou que pelos próximos dois anos a tendência é que piorem os problemas de trânsito na cidade. O ex-secretário aposta que a solução para os pontos de estrangulamento, ausência de uma onda verde etc passa pela execução de obras contempladas no projeto de revitalização da avenida Brasil e construção de dois terminais de ônibus, um na região leste e outro na região oeste da cidade. Essas obras seriam financiadas pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento e custariam cerca de R$ 50 milhões.

De fato, as obras podem ser importantes para assegurar a continuidade do desenvolvimento da cidade de Maringá. Entretanto, diferente do que pensa o ex-secretário, há plenas indicações de que os problemas atuais do trânsito poderiam ser amenizados se a Secretaria de Transportes fosse comandada por técnicos especializados em trânsito e o poder público maringaense estivesse disposto a implementar as medidas necessárias.

O trânsito de Maringá não precisa apenas de grandes obras, precisa ser pensado estrategicamente e por gente qualificada. Políticos não entendem de trânsito. O papel deles é escolher pessoas competentes para tratar do assunto e ter disposição política para tornar reais os projetos idealizados. A grande questão é que, em Maringá, não existem propostas concretas para amenizar o caos do trânsito sem a aplicação de grandes volumes de recursos públicos. Na prática, só se sabe pensar soluções com base na execução de obras estruturais. Acontece que, quando o dinheiro não aparece, é preciso ser criativo. E é isso que a cidade: de gente disposta a exercer a criatividade, com competência, para driblar as limitações impostas pela burocracia na liberação de recursos.