Blog do Ronaldo

Um espaço de reflexão pessoal sobre a vida e a sociedade

Caso Isabella: nossa dor

Nas últimas semanas tenho usado o caso Isabella para discutir princípios e limites éticos do Jornalismo. O papo tem sempre chegado a um questionamento: o que move o público a ter tamanho interesse no assunto? Não é fácil chegar a uma resposta. Entretanto, é fácil identificar que a busca por novas informações é tão grande que os noticiários nacionais tiveram um aumento considerável na audiência desde o momento em que a morte da menina foi matéria jornalística pela primeira vez.

Aqui neste blog não tenho comentado o tema. Não me sinto confortável em discutir tal assunto. Todas as vezes que vejo uma foto da Isabella, leio ou ouço notícias sobre o caso, lembro da minha pequena Maria Eduarda, que completa sete anos no início do próximo mês. Amo tanto minha filha, sinto tanta satisfação em ganhar dela um abraço, um beijo, que não posso imaginar a crueldade de um ser humano contra uma criança tão frágil.

Hoje, ao ler o blog de Rosana Hermann, encontrei um texto que ajuda a entender nossas angústias e talvez responda por que as pessoas se interessam tanto por esse caso. Com o título “Caso Isabella, nosso 11 de setembro”, o jornalista e apresentadora do Atualíssima escreveu:

O Brasil não tem inimigos de guerra.
Não temos Bin Laden.
Ninguém quer nos atacar.
Nossos inimigos são nossos próprios demônios internos.

Estamos todos envolvidos numa nuvem de dore e indignação, o caso Isabella.
Na TV, nos rádios, nos jornais, nas ruas, o assunto é recorrente. Ininterrupto.
Para a mídia do Brasil o caso Isabella assume a dimensão do 11 de setembro americano.

Revemos as imagens sem parar.
Ouvimos as informações repetidamente.
E as perguntas ecoam o tempo todo, como abelhas na cabeça.

Questionamos tudo, todos, insanamente.

Como pode um pai acobertar a mulher que assassina sua filha?
Que amor é esse?
É por causa dos outros filhos?
Que pai pensa primeiro em proteger uma assassina a salvar a filha?
Que pai segura uma filha nos braços e joga-a pela janela?
Que pai pensa em salvar sua pele ao invés de salvar sua criança?
E se ela tiver usado o chinelo dele?
Ela teria sobrevivido se tivesse sido atendida naquela hora?
O que deflagrou a ira da madrasta?
O que fez Isabella ficar desacordada?
O que foi que eles combinaram?
Como a mãe conseguiu responder no Orkut no dia em que sua filha foi assassinada?
A família sabe o que aconteceu?
O casal contou o que fez para seus familiares?
Os advogados sabem a verdade?
O que vai acontecer?
Quer dizer que, o pai pensou que a mulher tinha matado Isabella e, ao tentar acobertar a assassina, jogou a menina pela janela torando-se assim, sem saber, o verdadeiro assassino da própria filha?

Queremos ver.
Queremos saber.
Queremos entender.
Queremos vivenciar.
Queremos conhecer nossos sentimentos pelos sentimentos dos outros.
Porque o crime abalou nossos alicerces mais profundos, na questão mais crucial da vida, a continuidade da vida.
Porque um pai, uma mãe, não apenas colocam um filho no mundo mas continuam até a morte, dando a vida por eles.
Pais e mães morrem para salvar seus filhos.
Pais e mães não matam os filhos, não arremessam seus filhos, não pensam primeiro na própria salvação quando a vida do filho está em jogo.

O caso Isabella é nosso 11 de setembro.
Nosso inimigo, que bombardeia nossas crenças, é a transgressão do amor que nos mantém em pé, o amor entre pais e filhos.
Quem ama não mata.
Quem ama salva.
E ninguém no nosso mundo real, na nossa crença e fé, pode matar a própria filha, uma criança pequena, indefesa.
Quando um pai mata sua própria menina nada mais faz sentido.
Eu também estou vendo a tv e não consigo parar. Não consigo sair de casa. Também preciso ver, sentir, refletir, saber, pensar.
Uma parte de mim quer sofrer.
Outra, quer ir trabalhar.
Porque a vida continua
E o caso todo é sobre isso.
Nossos filhos são a continuidade das nossas vidas.
Quem mata um filho, suicida-se. Com a agravante de continuar vivo para pagar.

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Sobre o blog de Ronaldo Nezo

Este é só mais um blog. Nem melhor, nem pior que outros tantos que existem por aí. Este jornalista, professor e blogueiro não intenciona se apresentar como dono da verdade e da razão. Apenas pensar alto sobre diferentes temas. O respeito ao outro, a ética e o bom-senso são nossos principais valores. Ninguém precisa concordar com nada aqui publicado, mas caso queira conhecer nosso pensamento a respeito dos mais diferentes temas, basta navegar pelos textos disponíveis. E, no arquivo, tem muita coisa que considero relevante. O sistema de buscas está aí logo acima.

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