Jovens, rachas, loucuras…
A conversa do Mais Maringá desta tarde foi sobre o comportamento dos jovens. Tendo como base a notícia de jovens fazem rachas numa das principais avenidas de Paiçandu, analisamos (eu e o Gilson Aguiar) o comportamento dos jovens.
Particularmente, gosto muito de lidar com jovens. Tenho alunos na faixa dos 17-25 anos. São pessoas fantásticas. Na verdade, o jovem é ousado, ativo, inovador, quer quebrar barreiras… Isso tudo é muito bom.
Entretanto, todas essas características têm sido canalizadas para o mal. Quando falo em mal não significa necessariamente a intenção de praticá-lo, mas a disposição em experimentar o prazer a qualquer preço, em se expor, fazer diferente, acaba causando um desastre social.
Por exemplo, 70% das vítimas de trânsito (mortos) são jovens de 18 a 25 anos.
E a coisa não se restringe apenas aos carros. Esses jovens cometem loucuras, mesmo sem ter um veículo à mão.
Também tem outro problema: eles não estão dispostos a aceitar limites. Não querem a disciplina, viver sob regras. Trata-se, portanto, de uma geração sem compromissos.
Diante de tal quadro, talvez a pergunta que se faça é esta: então, o que fazer? De quem é a culpa?
Não há respostas simples. No entanto, dá para acreditar que o quadro atual é resultado da pouca referência familiar e do excesso de modelos apresentados pela mídia.
4 comentários até agora
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Olá Ronaldo!
Olha, concordo com algumas coisas que vc escreveu.. já faz quase 4 anos q eu trabalho com adolecentes e jovens da minha comunidade.. a pergunta que tenho feito é pq? para tentar achar a resposta do q fazer..
acredito q são tantos os culpados pela realidade dos jovens - não generalizando - de hj que é até difícil responder “de quem é a culpa?”… talvez até nós temos alguma culpa nisso…
na minha opinião faltam oportunidades para os jovens… programas de incentivo à cultura, ao esporte, lazer, capacitação profissional…
o contra-turno escolar, por ex, seria uma opção ideal, mas tenho a impressão que para alguns políticos pintar escola dá mais “resultado”… portanto, não é só os jovens q precisam mudar!
Sabe, Ronaldo, acompanhei o debate e os argumentos dos dois comentaristas e os considero muito consistentes.
Faltou um componente importante, todavia, dentre aqueles elencados pela dupla. É a questão do afeto vincular, de que Freud fala, na formação dos valores morais do indivíduo. Nas palavras do pai da psicanálise, “a impotência original do ser humano torna-se a fonte primeira de todos os motivos morais”. Ou seja, a falta de afeto durante o processo de formação do caráter, na primeira e segunda infâncias, como ele mesmo define.
É o esvaziamento das fontes afetivas que provoca a perda da bússola dos valores éticos, o descaso pelos semelhantes, a insensibilidade com o sofrimento humano e a intolerância com as diferenças entre os povos e indivíduos.
Freud pode estar errado. Mas há mais derrotados do que vencedores na luta de desqualificar seu pensmento ao longo do século vinte. E no presente também.
Estando ele com a razão, surge uma luz para entendermos essa desimportância que os jovens de agora têm para com os demais. FAlta de afeto. No caso, do afeto da mãe.
Daí o barulho que incomoda o vizinho, mas não suscinta qualquer desconforto em quem o produz. Daí os rachas sem preocupação com a possibilidade de matar um pedestre, como foi o caso da menina Fabíula, daí o desrespeito à autoridade, ao professore, à lei, enfim, a tudo.
A conclusão simplista é que as mães de agora não amam seus filhos. Uma infâmia, óbvio.
Não é falta de amor o tema em discussão. Mas a falta de afeto. O que Freud quer dizer com isso é que falta o contato, o tato, o carinho físico, o aconchego, o colo.
Na sociedade que vivemos as mulheres precisaram, primeiro por uma ordem econômica, depois por um conceito grupal de independência financeira, que avançar para o mercado de trabalho, enfrentando as mesmas jornadas dos homens.
No bojo dessa busca por espaço a competição se agravou e o tempo disponível para elas encurtou. A função primeira da mulher - a maternidade - perdeu importância e foi reduzida a segundo plano. O tempo com os filhos se resume aos entardeceres e, se possível, o almoço. Só os finais de semana (quando muito) não são suficientes para saciar a necessidade de afeto.
O resto, vocês já avaliaram muito bem.
É por isso que não vejo muita possibilidade desse quadro se alterar. Tende, ao contário, a se agravar cada vez mais.
Em tempo: é sucinta, e nao suscinta, como acabou grafado.
[...] o debate e os argumentos dos dois comentaristas e os considero muito [...]