A gente escreve. Os leitores interpretam. A afirmação é meio obvia. Entretanto, a interpretação não é. Os sentidos são dados pelos leitores. Quem lê interpreta à sua maneira. É o contexto onde a pessoa está inserida que vai motivar os sentidos que serão construídos a partir do texto. Por isso, textos como estes que escrevemos em blog geralmente ganham interpretações tão diferentes.
Ontem, por exemplo, escrevi sobre o malabarismo com facões que vi num cruzamento de Maringá. Questionei o uso dos facões, mas não fui claro o suficiente. O leitor Rafael leu e já diagnosticou: este bloqueiro aqui deve mesmo ser um débil mental, um ser não pensante. Afinal, onde já se viu proibir tal arte?
De certa forma, ele tem razão. Meu texto não foi suficiente claro para conduzir a construção dos sentidos que este autor aqui intencionava. Particularmente, queria apenas sugerir que o malabarismo com facões, numa área pública (um cruzamento, próxima a uma faixa de pedestres), pode representar um perigo.
Ao ler o comentário dele e um texto da Rosana Hermann, refleti no quanto nossas palavras são perigosas. A palavra escrita, depois de publicada, torna-se um discurso que não podemos mais controlar. Veja, por exemplo, o que ela pensa sobre isto:
… escrever, sim, é uma atividade arriscada. Cada palavra publicada pode ser um beijo soprado, uma faca atirada, um gatilho apertado. A palavra publicada tem peso, mais do que a palavra dita. Ela vai sozinha, sem advogado e sem atenuantes. Ela responde por si e está sujeita a todas as interpretações, ilações, delírios.
Essas são algumas boas razões para compreendermos que em alguns momentos é muito melhor parar, pensar, antes de falar – ou escrever.
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Isso mesmo, caro Ronaldo!
As pessoas interpretam como querem também.
Mas nesse país temos aqueles que acham que tudo se pode fazer em público, tudo é para que o “coitadinho” que não tem outra saída, etc e tal.
Por essas e outras coisas o país tá assim………
uma verdadeira bagunça, sem leis, sem medidas, sem educação e temos que aturar. Bah!