Blog do Ronaldo

Um espaço de reflexão pessoal sobre a vida e a sociedade

Jovens, rachas, loucuras… II

O texto abaixo é do amigo e colunista de O Diário, Milton Ravagnani:

Acompanhei o debate e os argumentos dos dois comentaristas e os considero muito consistentes.

Faltou um componente importante, todavia, dentre aqueles elencados pela dupla. É a questão do afeto vincular, de que Freud fala, na formação dos valores morais do indivíduo. Nas palavras do pai da psicanálise, “a impotência original do ser humano torna-se a fonte primeira de todos os motivos morais”. Ou seja, a falta de afeto durante o processo de formação do caráter, na primeira e segunda infâncias, como ele mesmo define.

É o esvaziamento das fontes afetivas que provoca a perda da bússola dos valores éticos, o descaso pelos semelhantes, a insensibilidade com o sofrimento humano e a intolerância com as diferenças entre os povos e indivíduos.

Freud pode estar errado. Mas há mais derrotados do que vencedores na luta de desqualificar seu pensamento ao longo do século vinte. E no presente também.

Estando ele com a razão, surge uma luz para entendermos essa desimportância que os jovens de agora têm para com os demais. Falta de afeto. No caso, do afeto da mãe.
Daí o barulho que incomoda o vizinho, mas não sucinta qualquer desconforto em quem o produz. Daí os rachas sem preocupação com a possibilidade de matar um pedestre, como foi o caso da menina Fabíula, daí o desrespeito à autoridade, ao professore, à lei, enfim, a tudo.

A conclusão simplista é que as mães de agora não amam seus filhos. Uma infâmia, óbvio.
Não é falta de amor o tema em discussão. Mas a falta de afeto. O que Freud quer dizer com isso é que falta o contato, o tato, o carinho físico, o aconchego, o colo.

Na sociedade que vivemos as mulheres precisaram, primeiro por uma ordem econômica, depois por um conceito grupal de independência financeira, que avançar para o mercado de trabalho, enfrentando as mesmas jornadas dos homens.

No bojo dessa busca por espaço a competição se agravou e o tempo disponível para elas encurtou. A função primeira da mulher – a maternidade – perdeu importância e foi reduzida a segundo plano. O tempo com os filhos se resume aos entardeceres e, se possível, o almoço. Só os finais de semana (quando muito) não são suficientes para saciar a necessidade de afeto.

O resto, vocês já avaliaram muito bem.

É por isso que não vejo muita possibilidade desse quadro se alterar. Tende, ao contrário, a se agravar cada vez mais.

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One Response

  1. José Cecilio disse:

    Tenho esperança que consigamos num futuro bem próximo melhorar essa situação, primeiro passo, aumentar em grande escala a fiscalização. Pois vários lugares desses rachas já são de conhecimento das autoridades.

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Sobre o blog de Ronaldo Nezo

Este é só mais um blog. Nem melhor, nem pior que outros tantos que existem por aí. Este jornalista, professor e blogueiro não intenciona se apresentar como dono da verdade e da razão. Apenas pensar alto sobre diferentes temas. O respeito ao outro, a ética e o bom-senso são nossos principais valores. Ninguém precisa concordar com nada aqui publicado, mas caso queira conhecer nosso pensamento a respeito dos mais diferentes temas, basta navegar pelos textos disponíveis. E, no arquivo, tem muita coisa que considero relevante. O sistema de buscas está aí logo acima.

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