Ainda o caso Isabella…
Encontrei um comentário do ex todo poderoso da Globo, Boni, sobre o comportamento da mídia diante do caso Isabella. Embora escrito no dia 22, vale a reflexão. Afinal, está fazendo um mês que o Brasil discute quem matou a pequena inocente…
Não há como fugir do assunto. A mídia, no entanto, tem que se policiar. Não dá para roer os ossos. Com a carga dramática que o crime encerra a mídia não pode carregar nas tintas e acentuar o que já é trágico por si só. Há , inclusive, o risco de saturação em qualquer veículo. De repente ninguém aguenta mais. Não quero avaliar se este ou aquele veículo fez uma cobertura mais correta, mas a coisa está ficando insuportável. Creio que só a informação factual interessa agora. Se nada de novo houver para dizer, se nenhum fato novo ocorrer, insistir no assunto é perigoso. Especialmente a televisão, pela sua agilidade, tem que se comportar nessa linha factual. A cobertura de casos que provocam uma comoção nacional é cheia de armadilhas e as distorções de cobertura ocorrem no mundo inteiro. Aconteceu aqui nos Estados Unidos com o O.J. Simpson. Aconteceu na Europa com o desaparecimento da Madeleine em Portugal. Mas tem uma hora que chega. Vira cachorro correndo atrás do próprio rabo. Por isso guerra de audiência não vale. Quando o drama não for mais manchete dos jornais e não segurar mais o IBOPE da TV, tudo voltará ao que era antes. Mas se houver sensacionalismo as marcas da exploração demoram para ser apagadas.
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