Bom dia… Ontem, discuti aqui a questão dos empregos em Maringá. Como o assunto é complexo, quero voltar ao tema. Afinal, um único post, com dois parágrafos, é insuficiente para tratar do assunto.
Uma primeira questão, quando apontamos que estamos construindo uma falsa imagem, não significa que os empregos não existem. Pelo contrário, a cidade tem tido números recordes na geração de vagas de trabalho. Os dados são do Caged, o Cadastro Geral dos Empregados e Desempregos. Ou seja, são números oficiais e sérios. Não é balela ou marketing do poder público a divulgação de 5,9 mil empregos em 2007 e 5 mil nos primeiros quatro meses de 2008.
Contudo, a questão é mais complexa. A criação de uma falsa imagem tem relação direta com a expectativa de que Maringá é o paraíso dos empregos. Como alguns setores carecem de profissionais – a construção civil, por exemplo -, muita gente começa a pensar que tem empregos sobrando por aqui. É verdade? Sim e não. Sim, porque determinados segmentos não sabem mais onde procurar trabalhadores; não, porque existem centenas de pessoas desempregadas e na dependência, por exemplo, dos programas sociais do governo federal. Em Maringá, são pelos 5 mil beneficiários do Bolsa Família. O que isto significa? São pessoas que estão desempregadas, sem renda.
O que a imagem de “paraíso” dos empregos pode provocar? A atração de mais gente sem qualificação para Maringá. Gente qualificada encontra emprego em suas próprias cidades. Atualmente, no Brasil, praticamente não existem cidades estagnadas. É verdade que algumas estão crescendo de forma mais acelerada que outras, mas quase todas têm gerado emprego e renda. Ou seja, os desempregados de outros municípios, provavelmente serão desempregados em Maringá, aumentando a faixa de pessoas que vivem em condições de pobreza e até miséria.
Tem mais um detalhe que pouca gente leva em consideração quando o assunto é o trabalhador que deixa a cidade dele e vem para Maringa: moradia. É sabido que morar em Maringá custa caro. Terrenos, casas e apartamentos são valorizados e o aluguel também é alto. Quando um pedreiro vem morar em Maringá para ganhar R$ 900,00/mês, obriga-se a morar em Sarandi porque não terá renda suficiente para pagar R$ 400,00 de aluguel – valor do aluguel de uma casa básica em Maringá. Ou seja, a coisa não é simples. Mas a prefeitura está errada por divulgar os números positivos? Creio que não. Entretanto, como a realidade é dialética, o positivo de hoje pode se transformar no problema social de amanhã… Problema este que o próprio poder público terá de dar conta.
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