Esta semana já apresentei aqui uma prévia da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil. Hoje quero trazer mais algumas informações. Entre elas, a de que os nossos índices de leitura só não são piores porque as pesquisas geralmente refletem o período escolar. Deixa eu explicar melhor: enquanto crianças, adolescentes e jovens freqüentam as escolas, colégios e faculdades têm a obrigação de ler. Por isso mesmo, na pesquisa, aparece o índice de que o brasileiro lê em média 4,7 livros/ano. Acontece que quando saem da escola, muitos abandonam o livro.
Para se ter uma idéia de como a escola afeta a leitura, a pesquisa apontou que de cada 4,7 livros/ano lidos pelo brasileiro, 3,4 são indicados ou recomendados pelos professores. Apenas 1,3 é uma escolha espontânea.
Por conta disso, o coordenador da pesquisa, Galeno Amorin, disse que “a escola precisa trabalhar um pouco mais na tarefa de criar leitores que gostem de ler e que continuem a ler depois que saem da escola, para uma leitura não só pragmática”.
Já o ministro interino da Cultura, Juca Ferreira, foi além. Ele disse que, para garantir que o livro não saia da vida do brasileiro após a fase escolar, é preciso fazer um “adestramento” das crianças para que o hábito seja consolidado.
Sinceramente, não sei se funciona. Penso que a concorrência hoje é muito mais eficiente. É difícil alguém imaginar uma criança abandonar os jogos eletrônicos e a televisão para dedicar tempo à leitura.
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