Sempre que discuto a mídia por aqui, procuro sugerir que não sejamos ingênuos. Os veículos midiáticos são produtos do capital e como tais carecem de audiência e faturamento. Por isso mesmo, pedir que rompam com o espetáculo e sigam apenas o manual apresentado nas faculdades de Comunicação é pedir demais. Isto, porque a mídia reflete o gosto e o caráter da sociedade. Quando a sociedade muda, a mídia muda – isso funciona com a política também. Mas voltando à mídia, Rosana Hermann faz o diagnóstico:
…o que conta, no fundo, é a audiência que o telespectador dá.
Se tudo isso resultar em Ibope alto, tudo se justificará e terá valido a pena, por mais absurdo que isso pareça.
O público é o único responsável pelas ações, de fato.
Quando um programa produz coisas boas, de qualidade e ninguém reage, ninguém prestigia, todos são obrigados a ir descendo o nível até chegar no que agrada ao telespectador, no que chama sua atenção.
É assim que funciona.
No dia que brasileiro gostar de qualidade, a TV terá qualidade.
Por enquanto, o que podemos afirmar, é que a tv dá o que o público pede.
Atualizado: em função de críticas recebidas, Rosana Hermann voltou ao assunto. O texto dá detalhes sobre a reflexão acima. Ficou ainda melhor e aqui sugiro o link, porque reflete o que eu penso. Abaixo, apenas dois pequenos trechos:
- É errado? É, é errado. É errado, é lamentável que o mundo, não a TV, seja pautado pelos resultados de números. [...] Na hora da pesquisa todo mundo diz que aprecia programas culturais, documentários. E na hora H as mesmas pessoas que responderam o questionário vão ver uma bobagem ou baixaria qualquer.
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