Soube há pouco que moradores das proximidades da Universidade Estadual de Maringá estariam sendo ameaçados por comerciantes e estudantes. Motivo? O embate criado com a lei seca, que proíbe a venda e o comércio de bebidas alcoólicas naquela região.
Como é sabido, os moradores têm sido perturbados durante o vestibular da UEM. O vestibular se transformou um verdadeiro tormento para quem é da região. A razão é simples: os estudantes não vêm a Maringá apenas para fazer provas. Eles também promovem festas, badernas, consomem bebidas e drogas até altas horas da madrugada. Isto tudo num bairro que é formado não apenas por estudantes.
Por isso mesmo, tenho dito aqui que sou a favor das estratégias que exijam o cumprimento da lei do silêncio. Os moradores têm direito ao descanso. Entretanto, o debate necessário para se preservar o direito dos moradores tomou um rumo perigoso. E, às pressas, até mesmo uma lei seca foi votada na Câmara de Maringá e sancionada pelo prefeito. Com isso, mais que exigir que os estudantes respeitem o descanso dos moradores, foi tirado o direito dos comerciantes de venderem bebidas alcoólicas. Também foi tirado o direito dos candidatos a uma vaga na universidade de ficarem na região batendo papo e até bebendo. Resultado? A rivalidade entre moradores, comerciantes e estudantes foi significativamente acentuada.
Onde isso vai parar? Não sei. No entanto, creio que a situação não vai acabar bem. É provável que sejam registrados confrontos entre estudantes e integrantes da força-tarefa. Moradores também poderão ser vítimas dos próprios estudantes e, agora, dos comerciantes.
Nada disso foi considerado pelos legisladores e defensores da lei seca. Tem gente que acha que as coisas são simples: se estabelece uma lei e todos, passivamente, vão aceitá-la. Isso pode até acontecer quando há diálogo, negociação das regras, concordância e respeito às diferenças. Como não houve nada disso, Maringá pode parar no noticiário por criar uma guerra naquela comunidade.
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