Na década de 1950, o Brasil adotou o modelo editorial americano. Foi a partir dessa época que passou a ser propagandeada a idéia de que a reportagem jornalística deveria ser imparcial, mostrar os dois lados etc etc. Até então, os jornais brasileiros tratavam as questões com paixão, mostravam o seu lado e promoviam grandes debates.
A tal da imparcialidade veio junto com outros hábitos culturais que os brasileiros resolveram copiar dos americanos.
Mas, em política, os jornais americanos sempre foram mais sinceros. Editorialmente, nunca tiveram receio de dizer de que lado estavam. Os brasileiros resolveram copiar os americanos no tratamento das notícias, mas ignorou a clareza no posicionamento político.
Hoje, com raras exceções – revista Carta Capital e jornal O Estado de São Paulo -, todos preferem dizer que não possuem lado. Pelo menos não fazem isto de forma clara – num editorial com bons argumentos, por exemplo.
É lamentável. Costumo dizer que essa falsa isenção faz mal à democracia. O público finge que acredita na imparcialidade (alguns até acreditam mesmo) e o jornal finge que a pratica. Nada mais hipócrita. Jornalismo comentado, com posições claras, não produz imagens distorcidas. As pessoas têm lado; imprensa e jornalistas, idem.
Por isso, penso que essa isenção – que é invenção dos americanos – deveria romper com as falsas expectativas. Concordo que a imprensa deve mostrar os dois ou mais lados, mas também tem de apontar quem deve estar com a razão.
Na disputa pela presidência dos Estados Unidos, os jornais americanos fazem isto. Hoje, 124 jornais apóiam Barack Obama; 46, John McCain. Isto torna a abordagem da disputa desleal? Claro que não. A cobertura não deixa de mostrar os dois candidatos, mas aponta quem, na opinião do veículo, é o melhor para o país. E o leitor julga.
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