Gostei demais do título dado por Mino Carta ao último texto que escreveu para a Carta Capital. Ele continua no comando da revista, mas disse que vai se silenciar. O respeitado e polêmico jornalista deixa de revelar sua opinião também em seu blog.
Há vários motivos para isto. Entre eles, a desilusão.
- “Minha crença no jornalismo faliu”, disse.
Na verdade, demorou demais. Mino é um dos grandes jornalistas brasileiros. Mas em sua trajetória sempre alimentou a utopia de que a atividade é capaz de mudar a sociedade e, principalmente, as relações de poder.
Se fosse, Lula não teria sido reeleito em 2006. Se fosse, Michel Temer e José Sarney não teriam ficado com o comando das duas principais casas de leis do país, a Câmara e o Congresso. Se fosse, Cesare Battisti não teria ganhado status de refugiado político.
Na verdade, o jornalismo é uma atividade como outra qualquer; como já dizia o sábio Cláudio Abramo, um dos melhores representantes de nossa profissão que já viveu neste país.
Ao listar a trajetória de sua vida, um pouco do que já viu e viveu ao longo dos quase completos 60 anos de profissão, Mino também fala de sua frustração em relação ao governo Lula. Aponta os erros e acertos da imprensa. Diz ainda algo que, ao final da vida todo e qualquer jornalista – que não encarar que somos tão somente operários da notícia e a política como algo sobre a qual pouco podemos influenciar -, dirá: “iludi-me demais”.
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E quanto aqueles que não nutrem utopias do tipo, e que ainda, por falta de experiência não compartilha do conhecimento sobre o “somente operarios da noticia”?
Às vezes sinto falta daqueles sonhos(que todo aspirante de jornalismo teve um dia). No entanto, ando sem paciência para com as quimeras. Espero sinceramente, melhorar este meu ponto de vista, por vezes insípiente e desdenhoso.
Gostei do teu blog, e muito agradou-me o “iludi-me demais”. Acredito que o problema nada tenha a ver com a ilusão, e sim com o demasiado. É sempre assim. Uns são pessimistas de mais, outros só veem bondade e beleza. Dificilmente hà um comedimento direcionado as nossas verdades…puffff(darei-me melhor com o professor de filosofia).
Atenciosamente,
Samira.