Abrimos o jornal da CBN Maringá discutindo a mobilização dos moradores de Mandaguari para a construção de um contorno rodoviário naquela cidade. Um protesto está sendo organizado para sensibilizar governo e Viapar.
Como se sabe, a obra está prevista no contrato firmado entre Viapar e Governo do Paraná. Acontece que, segundo a concessionária, a desapropriação de terras deveria ser feita pelo Estado. Já o Estado alega que é a empresa quem deve arcar por esses custos.
Esse é um embate complexo. O governo tem razão ao dizer que o pedágio é caro. Tem razão ao dizer que as concessionárias têm dinheiro e podem, como no caso da Viapar, pagar pela desapropriação dos terrenos necessários para a realização da obra.
Entretanto, existe um contrato. O governo não quer dar o braço a torcer. Não quer admitir que tem perdido todas as disputas judiciais com as concessionárias. Roberto Requião não quer voltar atrás. Não quer admitir que, em 2002, quando disputou as eleições que o tornaram governador pela segunda vez, usou mais do marketing que da verdade para tratar da questão do pedágio no Paraná.
Requião não é responsável por esses contratos com as concessionárias. Não foi ele quem entregou as estradas do Paraná para a gestão de empresas privadas. Contudo, os contratos existem. E, por isso, precisam ser respeitados.
Um gestor responsável tem o dever de garantir o melhor à população. Por isso, tem o dever de lutar por preços mais baixos para o pedágio. Tem a obrigação de reclamar que a concessionária pague pela desapropriação dos terrenos de Mandaguari. Mas não pode ignorar a urgência da obra. Portanto, se é incapaz de resolver a questão, dialogando com a Viapar, precisa ao menos reconhecer que seu orgulho não pode ser maior que a demanda da sociedade.
O contorno é fundamental para Mandaguari. Moradores e comerciantes seriam diretamente beneficiados. O fluxo da estrada seria outro. Usuários da rodovia também teriam ganhos imediatos.
Como Requião não demonstra disposição para negociar, resta torcer para que a Justiça decida o imbróglio.
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