Duas da tarde. Avenida Getúlio Vargas, uma das mais movimentadas de Maringá – principalmente neste horário. É a avenida onde estão grandes bancos. HSBC, Unibanco, Caixa e Bradesco, todos muito próximos. A poucos metros, a prefeitura, o fórum, a biblioteca central, Correios, Receita Federal e Previdência Social.
É nessa avenida que, nesse horário, um motorista, proprietário de uma bela camionete S-10 cabine dupla, parou em fila, abriu a porta e, tranquilamente, deixou o volante para que outra pessoa o assumisse.
O condutor parou do lado direito da via. Isto significa que a porta do veículo, ao ser aberta, interrompeu o trânsito também no rolamento da esquerda.
A via tem estacionamento em ambos os lados. Como a camionete parou em fila dupla no lado direito, a porta foi aberta na esquerda, todos os demais veículos que vinham logo atrás tiveram que parar para aguardar a troca de motorista.
Vi as cenas e, como tive que parar bruscamente – semelhante a outros condutores -, imediatamente lembrei da campanha da Secretaria de Transportes que pede aos maringaenses que levem gentileza às ruas.
Não vi ninguém buzinar, xingar o motorista da S-10. Mas o fato reforçou a minha tese de que tem coisas que só a “gentileza” não resolve. É preciso ter a mão do ente público para orientar e, principalmente, coibir os abusos.
Ser gentil num caso como esse ajuda a não criar tensão, estresse, briga no trânsito. Entretanto, não elimina a prática desrespeitosa do motorista infrator.
O cidadão que age de tal forma agride os demais motoristas, prejudica o trânsito e, indiretamente, afronta o Estado. Tal condutor age dessa maneira pois sabe que permanecerá impune.
Quando o município argumenta que um trânsito melhor só depende da gente, transfere para o cidadão o dever de torná-lo mais funcional, menos violento. Isso é necessário. Afinal, somos nós mesmos que causamos os problemas. No entanto, ao mesmo tempo, ficam livres de pena os motoristas que ignoram o apelo de gentileza, de respeito à legislação de trânsito.
Esse condutor deveria ser multado. Mas não foi. Não foi por que o Estado, representado pelos agentes de trânsito, não estava presente.
No trânsito, abusos dessa natureza acontecem todos os dias. Mas permanecem impunes.
Defendo as campanhas educativas, a necessidade de um motorista gentil nas vias públicas. Mas também entendo que o poder público deve agir de forma ostensiva. E o agente de trânsito, presente nas ruas, poderia ajudar na tarefa de “estimular” os “não gentis” a agirem de forma coerente e respeitosa – em relação à lei e aos demais motoristas.
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