Blog do Ronaldo

Um espaço de reflexão pessoal sobre a vida e a sociedade

Trânsito, gentileza e impunidade…

Duas da tarde. Avenida Getúlio Vargas, uma das mais movimentadas de Maringá – principalmente neste horário. É a avenida onde estão grandes bancos. HSBC, Unibanco, Caixa e Bradesco, todos muito próximos. A poucos metros, a prefeitura, o fórum, a biblioteca central, Correios, Receita Federal e Previdência Social.

É nessa avenida que, nesse horário, um motorista, proprietário de uma bela camionete S-10 cabine dupla, parou em fila, abriu a porta e, tranquilamente, deixou o volante para que outra pessoa o assumisse.

O condutor parou do lado direito da via. Isto significa que a porta do veículo, ao ser aberta, interrompeu o trânsito também no rolamento da esquerda.

A via tem estacionamento em ambos os lados. Como a camionete parou em fila dupla no lado direito, a porta foi aberta na esquerda, todos os demais veículos que vinham logo atrás tiveram que parar para aguardar a troca de motorista.

Vi as cenas e, como tive que parar bruscamente – semelhante a outros condutores -, imediatamente lembrei da campanha da Secretaria de Transportes que pede aos maringaenses que levem gentileza às ruas.

Não vi ninguém buzinar, xingar o motorista da S-10. Mas o fato reforçou a minha tese de que tem coisas que só a “gentileza” não resolve. É preciso ter a mão do ente público para orientar e, principalmente, coibir os abusos.

Ser gentil num caso como esse ajuda a não criar tensão, estresse, briga no trânsito. Entretanto, não elimina a prática desrespeitosa do motorista infrator.

O cidadão que age de tal forma agride os demais motoristas, prejudica o trânsito e, indiretamente, afronta o Estado. Tal condutor age dessa maneira pois sabe que permanecerá impune.

Quando o município argumenta que um trânsito melhor só depende da gente, transfere para o cidadão o dever de torná-lo mais funcional, menos violento. Isso é necessário. Afinal, somos nós mesmos que causamos os problemas. No entanto, ao mesmo tempo, ficam livres de pena os motoristas que ignoram o apelo de gentileza, de respeito à legislação de trânsito.

Esse condutor deveria ser multado. Mas não foi. Não foi por que o Estado, representado pelos agentes de trânsito, não estava presente.

No trânsito, abusos dessa natureza acontecem todos os dias. Mas permanecem impunes.

Defendo as campanhas educativas, a necessidade de um motorista gentil nas vias públicas. Mas também entendo que o poder público deve agir de forma ostensiva. E o agente de trânsito, presente nas ruas, poderia ajudar na tarefa de “estimular” os “não gentis” a agirem de forma coerente e respeitosa – em relação à lei e aos demais motoristas.

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One Response

  1. Beth Q. disse:

    Claro que sim, Ronaldo!
    A gentileza gera gentileza já dizia o famoso Profeta do Rio, mas acontece que estamos vivendo dias de total falta de moralidade, a começar pelo Congresso que deveria dar o exemplo.
    Custo a crer que nosso país crescerá neste sentido ainda neste século.
    abraço carioca

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Sobre o blog de Ronaldo Nezo

Este é só mais um blog. Nem melhor, nem pior que outros tantos que existem por aí. Este jornalista, professor e blogueiro não intenciona se apresentar como dono da verdade e da razão. Apenas pensar alto sobre diferentes temas. O respeito ao outro, a ética e o bom-senso são nossos principais valores. Ninguém precisa concordar com nada aqui publicado, mas caso queira conhecer nosso pensamento a respeito dos mais diferentes temas, basta navegar pelos textos disponíveis. E, no arquivo, tem muita coisa que considero relevante. O sistema de buscas está aí logo acima.

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