Li nesta semana uma reportagem publicada na Veja sobre os primeiros 100 dias do governo Barack Obama. Está na edição da semana passada. Um dos aspectos que me chamaram a atenção foi a crescente divisão política nos Estados Unidos. Uma pesquisa realizada em abril apontou que 61% dos americanos acreditam que o país está mais dividido.
Por lá, os debates são cada vez mais radicais. As pessoas partem para os extremos. Começa haver pouca disposição à tolerância. E a mídia participa desse processo. Como nos Estados Unidos as coisas são mais claras, tem-se uma visão mais ampla do que é a isenção no jornalismo, os chamados formadores da opinião pública se posicionam de maneira firme, veemente, no debate dos mais diferentes assuntos – de aborto, passando pelo casamento gay até meio ambiente.
A reportagem me fez pensar sobre um texto que fiz anos atrás e que foi publicado no antigo site do jornalista Ângelo Rigon, o Maringá News. Na ocasião, eu falava sobre a divisão política de nossa cidade. Por aqui, não se aceita uma terceira via. Divide-se a cidade em duas únicas forças políticas.
O clima de intolerância não é uma exclusividade de americanos ou maringaenses. Ultrapassa os limites geográficos dos Estados Unidos ou de nossa interiorana Maringá. Uma observação mais atenta da humanidade revela que, onde existe gente, os “ânimos” andam acirrados. Há pouca disposição ao diálogo. Um comentário mal colocado se torna passível de duras críticas. Tudo se torna questão política. Tudo se resume em posicionamento ideológico. O clima é de rivalidade. É como se estivéssemos num ringue; alguém tem que sair vencedor. Parece uma luta entre o bem e o mal.
E pior que isso, o caráter é julgado pela opinião expressada pela pessoa. É como se dividíssemos a sociedade entre direita e esquerda. É como se taxássemos como de bom senso as pessoas da direita e, canalhas as da esquerda – e vice-versa. Quando discordamos de uma opinião, o outro se torna nosso inimigo. E logo partimos para o ataque.
Como disse, estamos mais intolerantes. Tem nos faltado disposição para compreender o diferente. Não quero aqui dizer que temos de concordar com a opinião do outro. Mas aceitar o contraditório deveria fazer parte de nossa natureza. Afinal, somos seres racionais. É uma questão de respeito. As pessoas não são iguais. E o fato de terem posições diferentes da nossa não as torna melhores ou piores.
Confesso que me preocupa esse radicalismo. Ter posições diferentes é normal. Mas não é natural certas expressões raivosas, iradas como resposta aqueles que têm atitude diferente da que desejamos. Esse tipo de postura revela que a própria democracia ainda é um bem com o qual pouco sabemos lidar – e que pode ser colocada em xeque.
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