Tem coisas que dão prazer falar… Há cerca de um ano e meio, a Prefeitura de Apucarana lançou o projeto Casa da Acolhida. Na ocasião, entrevistei o então prefeito Valter Pegorer. Hoje, voltei a tratar do assunto. Ouvi a secretária de Assistência Social, Telma Mourão.
A Casa da Acolhida é uma proposta diferente do tradicional albergue. Primeiro, por ser mantido pelo poder público. Entidades são parceiras do município, mas em questões que não envolvem necessariamente dinheiro – geralmente contribuem com a assistência religiosa.
O local é a casa de quem mora na rua. Toda e qualquer pessoa que vive na rua tem na casa um local para se banhar, comer, vestir-se com roupas limpas, dormir e até receber atendimento psicológico. Não há prazo para permanência. O andarilho pode passar por lá uma única noite ou seis meses. A única recomendação é que não se apresentem bêbados. Mas mesmo quem é dependente de álcool ou drogas recebe ajuda para se tratar.
Ninguém é forçado a aprender uma profissão ou estudar. Se a pessoa demonstrar interesse, receberá tal auxílio. Mas não é uma condição para permanecer no local.
Cá com meus botões, acho o projeto extremamente significativo. É a intervenção clara do poder público numa questão que carece de humanidade e não dessa visão praticista que domina boa parte das administrações públicas.
A Casa da Acolhida garante relativa dignidade para pessoas que por opção ou falta de oportunidades foram viver nas ruas. Também permite que o gestor conheça quem são essas pessoas e até exerça um certo controle sobre elas.
Talvez alguém diga: “ah… mas não resolve o problema”. Concordo. Mas quem disse que é possível acabar com os moradores de rua? Entretanto, reconhecer que tal contradição social existe e sempre existirá não significa se silenciar. Assegurar que ao menos tenham um bom local para dormir, alimento, banho, assistência à saúde é o mínimo que se espera do Estado.
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