Regularmente discuto aqui os problemas do trânsito de nossas cidades. Ontem encontrei um texto do Paulo Moreira Leite, salvei nos rascunhos do blog e, hoje, resolvi tirá-lo de lá.
O experiente jornalista trata da necessidade de tirar os carros da rua. Moreira Leite sustenta que não há outra saída para pôr fim ao caos do trânsito. Pra quem mora no interior, o problema ainda não é tão grave. Mas mesmo em Maringá já sofremos com os congestionamentos. É verdade que em nossa cidade a situação também reflete a pouca habilidade (ou lentidão) do pessoal da engenharia de trânsito em apresentar soluções para melhorar o fluxo.
Pois bem… O jornalista apresenta argumentos que valem a pena ser refletidos. Veja:
Retirar esses carros das ruas será o primeiro passo para um trânsito civilizado. Isso pode ser feito na marra, por leis e multas. Ou pelo mercado. Ou pelos dois fatores combinados.
Os carros estão fora de circulação das ruas centrais das grandes cidades americanas porque o estacionamento é inviável. A primeira hora começa em U$ 20 dólares e se você ficar o dia inteiro pode passar de U$ 80. Ninguém usa o carro para trabalhar.
Como não usa para trabalhar, também não leva o filho na escola. Pais e filhos tomam ônibus.
A tarefa não é simples. Gostamos de nossos carros. E, diferente dos países de primeiro mundo, o nosso transporte coletivo é pouco eficiente – demorado, desconfortável, caro. Mas Moreira Leite acredita que, sem os veículos particulares nas ruas, os ônibus melhoram.
Só com ruas mais livres, o transporte coletivo pode andar melhor. É assim em toda parte. Em Nova York ninguém anda todo dia com o próprio carro. Em Washington também não. A população toma ônibus e metrô que, longe do que gostamos de acreditar, nem sempre garante aquele passeio perfeito e confortável para toda parte.
Ele conclui:
Eu acho que a cidade pede passagem e o primeiro inimigo, sinto muito dizer, é o automóvel.
A evolução da humanidade ensina que ninguém abre mão do próprio conforto por um ato de generosidade. É difícil e desagradável.
Os mais belos momentos de progresso não foram atos de consciência — mas fruto da necessidade.
Eu acho que esse momento chegou para o automóvel.
Concordo com Moreira Leite. Por mais radical que seja, há necessidade de intervir nesse problema. O único “senão” é que medidas duras, precisam ser tomadas por gente séria. Políticos sérios, que sejam os primeiros a dar o exemplo. E estes andam em falta.
PS- Falando em exemplo, quantos políticos você já viu deixando o carro em casa e usando o transporte coletivo? Já vi em campanha eleitoral. Só. Fora disso, nunca. Talvez seja por que usam carros oficiais, têm motoristas, combustível pago e vagas reservadas de estacionamento.
Arquivado como:Política, Trânsito , combate aos carros, congestionamentos, políticas públicas, soluções para o trânsito, transporte coletivo
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