Tenho algumas manias. Como todo mundo. Claro, algumas são boas. Outras, nem tanto. Entretanto, só quem está convive comigo pode avaliá-las melhor.
Entre os hábitos que tenho está o de desligar o celular sempre que vou falar com alguém. Entendo isto como uma forma de respeito ao outro. Afinal, não é nada agradável estar falando com uma pessoa e o telefone tocar.
Hoje, estava conversando com um conhecido que não via há algum tempo. Era um papo informal. Nada muito sério. No meio da conversa, o celular dele tocou. Tirou o aparelho do bolso e simplesmente interrompeu a ligação. Não fez comentário algum. Apenas continuou a conversa.
Minutos depois, quando sentei diante do computador, postei no Twitter:
Ganha minha admiração quem – quando está falando comigo e toca o celular – tem a capacidade de desligar o aparelho.
Volto a dizer. É uma questão de respeito. Os telefones são importantes. Quem está do outro lado tem um motivo para ligar. No entanto, tornamo-nos reféns desse aparelho. Ele é capaz de interromper qualquer conversa, qualquer reunião.
Não foram raras as vezes que passei minutos e minutos, quase horas, na sala de alguém tentando discutir algum assunto, mas não conseguia por causa do “simpático” telefone. A cada frase, uma ligação. Impossível.
Desperdiça-se um tempo enorme, de duas ou mais pessoas, pelo simples fato de não haver capacidade para manter o aparelho desligado por alguns minutos.
Na verdade, a impressão que tenho é que a pessoa ali a sua frente não está presente. Ela é o típico “presente, ausente”. Tem-se o corpo físico, mas não se tem a mente, o coração.
Culpa da tecnologia? Não. As ferramentas tecnológicas não podem ser responsabilizadas por nossa incapacidade de lidar com elas e priorizar o que de fato é prioritário.
Por isso, quando o outro é capaz de não atender o telefone, é como se estivesse dizendo: “você é importante. Nossa conversa me interessa. Quero ouvi-lo. Estou falando com você… Nada mais importa”.
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