Recebi por email a sugestão de uma leitora… Ela pede que eu escreva sobre o professor. Uma reflexão onde revele a importância do educador, seu desprendimento, o desejo de compartilhar conhecimentos. O tema é interessante. Empolgante. Afinal, sou apaixonado pelo assunto.
Mas a sugestão me fez pensar noutra situação: a inspiração do escritor. Vou atender minha leitora. Entretanto, não será desta vez. Quero refletir mais a respeito do educador, suas convicções, motivações e até mesmo, suas frustrações. Preciso disto antes de escrever.
Sei que posso. No entanto, todo texto carece de uma certa maturidade. Do contrário, fica frágil. Textos de blog geralmente são imediatos. Às vezes, passionais. Por isso, sujeitos a erros que muitas vezes carecem ser corrigidos, retratados. Mas, embora escreva primeiro para o blog tudo que publico no jornal ou falo na rádio, minhas inquietações nem sempre permitem que faça um texto com essas características. Sinto necessidade de esperar o momento mais apropriado para produzi-lo. Talvez seja coisa que os artistas chamam de inspiração.
Não, não sou artista. Sou um jornalista atrevido, pesquisador iniciante, amante das letras e admirador dos gênios. Por isso, sinto que falho sempre que me atrevo a permitir que as emoções falem mais alto. Ou quando ouso falar ou escrever sobre algo que ainda não está devidamente elaborado. Esta produção mais qualitativa não se dá no tempo que desejo; acontece nas experiências, vivências e após muita introspecção.
O problema é que vivemos debaixo da ditadura do tempo. O artista não produz no ritmo de sua inspiração. Trabalha-se contra o relógio para dar conta das encomendas. Um escritor produz um novo livro com data de entrega prevista em contrato. Um músico escreve suas composições de acordo com o prazo estabelecido pela gravadora. Um roteirista de cinema tem que dar conta do filme conforme as demandas do estúdio. O autor da novela se vê obrigado a escrever um novo capítulo a cada dia. Todos se tornaram operários da arte. A criatividade se faz escrava do calendário.
Não há talento que resista. Ainda que haja espaço para momentos de inspiração plena, quem produz um texto, uma tela, faz uma pintura, compõe uma canção etc nem sempre consegue se realizar em sua obra. A criatividade lhe escapa. Faltam as palavras, os assuntos, as cores, as notas musicais… O resultado é a ausência de sentidos e de significância. Poucos conseguem eternizar suas obras.
Imaginar um retorno aos tempos em que a produção era mais importante que o dinheiro que ela pode render é utopia. Contudo, ainda acredito que há espaço para experimentarmos cada momento intensamente. Até para sonharmos que a vida não precisa passar tão ligeira.
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