Blog do Ronaldo

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Um espaço de reflexão pessoal sobre a vida e a sociedade

Estudante com microvestido irrita garotas

A Folha fez o teste… Convidou uma atriz para visitar quatro faculdades a fim de verificar se seria “notada”. A garota foi com vestido curto, provocante, tecido fino, e sem sutiã.

Não deu outra. As garotas olharam de cara feia, os rapazes ficaram constrangidos. Também não faltaram comentários do tipo: “puta”, “só pode ser aluna da Uniban”, “veio prospectar freguesia” e até “Isso é roupa de vir à faculdade?”.

Ou seja, o caso Geisy não foi e nem será capaz de superar a visão machista e moralista que se esconde atrás de nossa máscara liberal.

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Professor abusa de menores

Um professor da região de Maringá foi preso. É suspeito de abusar de menores. A polícia não sabe dizer se as vítimas eram os próprios alunos. Material pornográfico produzido a partir dos abusos foi divulgado no Brasil e até na Europa.

O fato é assustador. É verdade que em todas atividades existem profissionais e profissionais. Não dá para dizer que todo educador é um potencial abusador de menores.

Entretanto, é preciso reconhecer que o professor está próximo demais das crianças e dos adolescentes. Isto garante acesso a uma relação mais íntima.

Mas é lamentável observar que pessoas que deveriam trabalhar para proteger a infância e a adolescência usem a atividade para a prática criminosa.

No entanto, é preciso reconhecer que desvios de conduta são inerentes aos homens.

Não se espera que um educador abuse de seus alunos.
Não se espera que um pai violente o próprio filho.
Não se espera que um médico abuse da paciente.

Abusos sugerem que falhou a rede de proteção. Nesse caso, só depois de cinco anos os crimes foram descobertos. Por que tanto tempo de silêncio?

Falharam os colegas, os diretores, os pais. Não conseguiram notar nada. Não conquistaram a confiança dessas crianças. Por que nenhuma delas denunciou?

Creio que o fato sugere a necessidade de aprendermos a lição. Temos que cuidar melhor de nossas crianças e adolescentes. Não temos como impedir que criminosos existam debaixo da pele de educadores, pais, médicos etc. Entretanto, podemos evitar que ajam por tanto tempo impunemente.

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Por um mundo melhor

Tenho algumas manias. Como todo mundo. Claro, algumas são boas. Outras, nem tanto. Entretanto, só quem está convive comigo pode avaliá-las melhor.

Entre os hábitos que tenho está o de desligar o celular sempre que vou falar com alguém. Entendo isto como uma forma de respeito ao outro. Afinal, não é nada agradável estar falando com uma pessoa e o telefone tocar.

Hoje, estava conversando com um conhecido que não via há algum tempo. Era um papo informal. Nada muito sério. No meio da conversa, o celular dele tocou. Tirou o aparelho do bolso e simplesmente interrompeu a ligação. Não fez comentário algum. Apenas continuou a conversa.

Minutos depois, quando sentei diante do computador, postei no Twitter:

Ganha minha admiração quem – quando está falando comigo e toca o celular – tem a capacidade de desligar o aparelho.

Volto a dizer. É uma questão de respeito. Os telefones são importantes. Quem está do outro lado tem um motivo para ligar. No entanto, tornamo-nos reféns desse aparelho. Ele é capaz de interromper qualquer conversa, qualquer reunião.

Não foram raras as vezes que passei minutos e minutos, quase horas, na sala de alguém tentando discutir algum assunto, mas não conseguia por causa do “simpático” telefone. A cada frase, uma ligação. Impossível.

Desperdiça-se um tempo enorme, de duas ou mais pessoas, pelo simples fato de não haver capacidade para manter o aparelho desligado por alguns minutos.

Na verdade, a impressão que tenho é que a pessoa ali a sua frente não está presente. Ela é o típico “presente, ausente”. Tem-se o corpo físico, mas não se tem a mente, o coração.

Culpa da tecnologia? Não. As ferramentas tecnológicas não podem ser responsabilizadas por nossa incapacidade de lidar com elas e priorizar o que de fato é prioritário.

Por isso, quando o outro é capaz de não atender o telefone, é como se estivesse dizendo: “você é importante. Nossa conversa me interessa. Quero ouvi-lo. Estou falando com você… Nada mais importa”.

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Existe idade ideal para a criança sair sozinha?

Gravo daqui a pouco o Questão de Classe. Mais uma vez, a educação será o foco do nosso papo. Vamos tentar responder a dúvida de muitos pais:

- Com que idade a criança pode sair sozinha?

Afinal, será que existe uma idade ideal? Dá para identificar quando a criança tem maturidade para sair sozinha? Existe uma receitinha para quebrar o vínculo? Como os pais podem lidar com seus medos? Essas são algumas perguntas que tentaremos responder.

Como pai e educador, me vejo muitas vezes neste dilema. A gente tenta segurar os filhos pelo bem deles. Mas também não podemos criá-los distantes do mundo. Do contrário, nunca estarão preparados para tomarem as próprias decisões. Ou, como se diz por aí, “caminharem com as próprias pernas”.

Particularmente, creio que hoje vivemos os dois extremos. Tem pais liberais demais, permissivos. Estes deixam os filhos “soltos” antes da hora. Mas há o outro lado. Lembro até de um filme, O Rei da Água. O personagem principal tinha 31 anos e não podia ficar longe da mãe. A coisa é um pouco exagerada, mas mostra uma mãe protetora, que impede o filho até mesmo de ir à escola. Namorar então? De jeito nenhum. Era coisa do demônio.

Infelizmente, isso ainda acontece. Sei de um caso, por exemplo, de um garoto de 14 anos que mamava todas as noites. A mãe preparava mamadeira antes de o filho dormir. Claro, um adolescente como esse é infantilizado pelos próprios pais. Irresponsáveis, é preciso dizer.

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Entre colegas de profissão, um debate

Terça-feira participei de um debate sobre a espetacularização da notícia. Na mesa estavam dois colegas de profissão, Marcelo Bulgarelli e Alan Maschio.

Fiquei muito feliz por ter participado do evento. Primeiro, porque fez parte da Semana de Comunicação da Faculdade Maringá, instituição para qual trabalho. Segundo, porque os alunos foram os responsáveis pelo convite. E eles já toleram minhas aulas semanalmente. Então, era impossível não ficar satisfeito. Afinal, trata-se de uma espécie de reconhecimento pelo trabalho realizado. Entre tantos colegas de academia, optaram por me dar esta honra.
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Mas também gostei de ter dividido a mesa com o Bulgarelli e o Alan. O Bulga é velho conhecido. Não desfruto do convívio com ele, mas o admiro demais como ser humano e profissional. É o tipo de pessoa que a gente para para ouvir. Já o Alan é um jornalista que conheci um pouco melhor na terça-feira. Entretanto, me senti muito a vontade ao lado dele e espero reencontrá-lo noutras ocasiões.

Quanto à discussão que fizemos, creio que pudemos dar um toque de realidade a respeito do jornalismo. Entre o idealismo construído na academia e a prática do dia-a-dia existem diferenças básicas. Afinal, o jornalismo se constrói dentro de uma lógica de mercado. A notícia é um produto. E o jornalista, um trabalhador – como outro qualquer.
(Foto: José Luiz)

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As mulheres estão infelizes

Homens e mulheres se orgulham do mundo que construíram após a década de 1960. Esse foi um período de grandes transformações. Sob vários aspectos. Desde a produção cultural, passando pela economia, até as mudanças de hábitos e costumes.

Foi na década de 1960 que as mulheres declararam sua independência. Buscaram oportunidades no mercado de trabalho, lutaram pela igualdade de seus direitos e assumiram seus desejos sexuais.

Mas o que parecia a realização de um sonho se transformou em frustração. Uma reportagem publicada pela revista Época desta semana revela que as mulheres estão infelizes. Elas nunca tiveram uma vida boa. Entretanto, hoje estão muito mais tristes.

Um estudo realizado por dois pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, mostra que houve um declínio da satisfação feminina nas últimas três décadas. Parece contraditório. Afinal, parte dessa insatisfação tem relação direta com as supostas conquistas da luta feminista iniciada na década de 1960.

Elas ampliaram seus horizontes. Mas o fato de terem espaço semelhante ao dos homens – no trabalho, na vida, no sexo – trouxe conflitos subjetivos. Os pesquisadores Betsey Stevenson e Justin Wolfers afirmam que “a vida das mulheres ficou mais complexa e sua infelicidade atual reflete a necessidade de realização em mais aspectos da vida, se comparados aos das gerações anteriores”.

Na prática, “as mulheres foram para a rua, mas mantiveram a responsabilidade emocional pela casa e pela família.” Como diz a jornalista Martha Mendonça, da Época, é o pesadelo da dupla jornada, física e emocional, que exaure as mulheres e destrói casamentos.

Exige-se demais das mulheres. Exigência esta, é preciso dizer, que nasce quase sempre na própria mulher. Elas sonham alcançar as mesmas posições e salários que os homens, buscam ter vida social e sexual ativa, querem ser mães e donas de casa eficientes, e ainda se sentem obrigadas a estar sempre jovens e bonitas.

É impossível dar conta de tudo. Quando se tem sucesso profissional, a vida pessoal – casamento e filhos – geralmente fracassa. Se a prioridade for o lar – cuidar do marido, dos filhos, do lar -, dificilmente haverá realização no mercado de trabalho.

A decisão é dela. Esta liberdade de escolher causa ansiedade, medo. Elas se pegam a questionar: o que é melhor? Carreira ou família? Não são raros os casos de mulheres que abriram mão do casamento para ter sucesso profissional e hoje relatam estar infelizes. Elas querem construir um novo relacionamento. Mas também não estão dispostas a abrir mão da carreira. Então, o que fazer?

Soma-se a essas incertezas a maior pressão de todas: a busca da beleza e da eterna juventude. Nunca se valorizou tanto o corpo belo e jovem. O apelo estético beira a irracionalidade. Por isso, quanto mais os anos passam mais frustradas ficam.

O estudo desses pesquisadores americanos sustenta essa tese: após os 40 anos, as mulheres estão mais infelizes. E não se trata de algo objetivo, que medidas práticas possam resolver. O conflito é interior, subjetivo, tem a ver com os desejos de realização, as projeções que se tem para a vida.

Por isso, estar de bem a vida é também uma escolha. Uma escolha de aceitação. De compreensão que na vida não se tem tudo que se quer. Como dizem por aí: ninguém pode abraçar o mundo. Ser bem-sucedido em tudo é impossível. É preciso priorizar e se satisfazer com as conquistas, sem lamentar as perdas que certamente existirão.

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Crianças hiperativas têm mais chance de se tornarem criminosas

É o que aponta um estudo divulgado nessa segunda-feira pela Escola de Saúde Pública de Yale (EUA).

Estatisticamente, são duas vezes mais chance de se envolverem em atividades criminosas e 50% a mais de se envolverem com drogas.

Os dados são preocupantes. Por duas razões. Primeiro, porque sabemos que nem todas crianças hiperativas ou com déficit de atenção recebem tratamento adequado. Logo, possuem chances concretas de entrarem para essas estatísticas negativas.

Segundo, essa garotada não tem culpa de ter nascido com o transtorno, mas são rotuladas pelo problema que enfrentam. Com os resultados desse estudo, ganham um novo rótulo: o de potenciais criminosos, drogados, traficantes.

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Dia do Professor: uma breve reflexão

Nessa quinta-feira comemoramos o Dia do Professor. Não é feriado. Mas algumas escolas estarão fechadas. Outras, aproveitaram o feriado de segunda-feira e só voltaram às aulas nessa quarta-feira.

Lembro que, quando eu era criança, as turmas promoviam festinhas para os professores. Estudava em escola pública. Então, junto com os coleguinhas, comprávamos alguns refrigerantes, salgadinhos e cantávamos parabéns. Era nossa forma de homenagear o educador.

Recordo que tínhamos muito respeito pelos professores. Podíamos até não gostar de alguns deles, mas os víamos como autoridades. Cheguei a experimentar a necessidade de me colocar de pé todas as vezes que certos professores, coordenadores ou o diretor entravam na sala. Já era uma época em que nem todos cobravam tal atitude. Mas havia aqueles mais conservadores.

Confesso que sinto saudade daqueles anos. As lembranças me fazem sentir o gosto da infância. Ela parece voltar, ainda que apenas em imagens, guardadas na memória.

Mesmo sem saber muito bem o que representava ser um professor, já desejava me tornar um educador. Sempre tive prazer em estudar. Ter um bom desempenho era minha meta. Por isso, ainda que a vida tenha me levado por outros caminhos, nunca deixei de sonhar com a sala de aula.

Quando fui fazer jornalismo, já casado, com filhos, vislumbrei a chance de me manter na comunicação, mas aliar o prazer de dar aulas.

Hoje, me sinto um privilegiado. Mas o que vivo em sala de aula não é o mesmo experimentado por vários colegas, principalmente para aqueles que estão nas séries iniciais ou lidam com adolescentes em escolas da periferia.

O desrespeito ao professor se tornou uma rotina. A violência contra o educador deixou de ser apenas verbal. Não são raros os casos de agressão física. Muitos professores perderam a satisfação de dar aulas. É fácil ouvi-los reclamar. E hoje, não apenas dos salários defasados, insuficientes e pouco compensadores diante de tamanha responsabilidade.

Talvez por consequência de uma sociedade superficial, movida pelo espetáculo e em que o conhecimento é uma ausência, encontramos em sala vários alunos descompromissados, descomprometidos e desinteressados.

Diante de um quadro tão pouco motivador, o que dizer aos professores neste 15 de outubro? Não sei. Sei que muitos alimentam a crença de que a educação ainda é o único caminho para o desenvolvimento deste país. Eu diria mais. A educação é a chave que abre a porta da formação humana capaz de superar o individualismo e construir sujeitos preocupados com o bem-estar coletivo, empenhados em preservar a vida, o meio ambiente.

Entretanto, tem sobrado motivos para que professores percam a fé na educação. Por isso, quem sabe este dia seja uma oportunidade não para dizer: “parabéns professor”… Quem sabe seja uma nova chance de tirarmos a educação do discurso e a colocarmos como prioridade. Reconhecendo os problemas existentes, enfrentando-os e promovendo a transformação que tanto almejamos.

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Lei seca. O debate é necessário

Abrimos o CBN Maringá desta manhã tratando da proposta de alteração da lei seca que proíbe a venda e consumo de bebidas alcoólicas nas proximidades dos estabelecimentos de ensino. A lei vai entrar em vigor em dezembro deste ano, mas pode ser modificada por um projeto de lei que deve entrar em pauta nos próximos dias.

O vereador Evandro Júnior é o autor da ideia. Ele quer assegurar que os bares que hoje estão em funcionamento não tenham necessidade de se adequar à legislação.

Cá com meus botões, defendo que há necessidade de promover uma reflexão mais ampla a respeito desse assunto. A lei foi aprovada no ano passado. Mas, até pela repercussão que possui – poderíamos dizer que o debate foi insuficiente. É justa a reivindicação do sindicato que representa os bares próximos dessas instituições de ensino.

Não significa que se flexibilize a legislação. Mas alguns dos comerciantes que serão afetados não trabalham há um ou dois anos nesses locais. Muitos deles estão há 10, 15 anos comercializando bebidas. Por isso, o que defendemos é a necessidade de retomar o debate e buscar uma alternativa que minimize os prejuízos.

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Liberdade na infância

Estou em busca de alguém para falar sobre um tema apaixonante… A liberdade da criança. Li na Isto É uma entrevista com um filósofo francês que deveria ser leitura obrigatória para todos os pais e educadores. Carl Honoré diz que, em nome da competitividade, estamos transformando a infância num período de estresse semelhante à vida adulta.

criancas_brincandoAcredito nisso. Defendo, inclusive, que a criança não deve ser levada para a escola antes dos seis anos. Claro, há situações que carecem da exceção. Também entendo que a agenda da criança não deve ser lotada por outras atividades – inglês, natação, judô etc etc – como fazem muitos por aí. A melhor proposta ainda é garantir educação em meio período – preferencialmente pela manhã – e, no outro, permitir que o filho brinque à vontade.

Sobre os projetos dos pais para os filhos, Carl Honoré diz:

- Não há nada errado em encorajar o talento de um filho. Pelo contrário. É uma das principais responsabilidades dos pais identificar suas paixões e ajudá-los a desenvolvê-las. Mas existe uma grande diferença entre incentivar um talento e colocar a criança sob pressão, numa corrida obsessiva mirando o topo. A infância serve para descobrirmos quem somos e no que somos bons gradualmente, sem ninguém decidindo por nós. Deveria ser um tempo de experimentação em uma série de atividades diferentes. Focar logo cedo em algo leva ao perigo de se fechar para outras opções. Você limita os horizontes da criança no momento em que ela deveria estar aberta para um mundo de possibilidades. Uma criança não é um projeto que você pode modular. Ela é uma pessoa que precisa de permissão para ser protagonista de sua própria vida.

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Fraude no Enem. Aconteceu outras vezes?

Um alerta feito pelo jornal O Estado de São Paulo provocou o cancelamento do Enem, que seria realizado no próximo domingo. O fato é lamentável. Primeiro, pelo transtorno. Cerca de 4,1 milhões de estudantes de 1,8 mil cidades terão de aguardar a elaboração, impressão e aplicação da nova prova. Segundo, o prejuízo econômico e ambiental. Dinheiro público foi jogado no ralo. Afinal, há um custo de impressão. E essas milhões de páginas serão descartadas. Onde?

Entretanto, o mais surpreendente é a capacidade de ser quebrado o sigilo da prova. Fica a dúvida: se alguém teve acesso ao exame, noutras ocasiões tal fato não poderia ter ocorrido? É uma possibilidade. E o Enem não é o único exame aplicado pelo MEC. Tem o Enade, avaliações de professores etc. Desta vez, a denúncia chegou a um jornal de prestígio. Isto permitiu que o ministro da Educação, Fernando Haddad, fosse alertado. E a fraude foi evitada.

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Educação é compromisso social

Diariamente recebo quase uma dezena de emails de alunos. São perguntas, dúvidas, questionamentos diversos. Alguns pedem indicações de leitura para realização de trabalhos para outras disciplinas, apoio informal na elaboração de projetos e até monografias. Faço questão de atendê-los. Embora reconheça que nem sempre é fácil dar conta de tudo.

Entendo que o processo de aprendizagem se dá muito mais fora que dentro da sala de aula. Dia desses vi uma pesquisa que apontava as aulas na escola, colégio, faculdade etc responsáveis por 40% daquilo que o aluno aprende. Os outros 60% são adquiridos no contato direto com o professor, nas leituras e busca individual por conhecimento.

Por isso, creio que o papel do professor é auxiliar na aquisição desse conhecimento. Dentro e fora da academia. Quem se restringe ao trabalho em sala de aula, cumpre sua obrigação com a instituição para a qual trabalha. Mas não dá conta do seu compromisso social.

Entendo que o professor é educador em tempo integral. Mesmo que não ganhe para isso. E não ganha mesmo. A gestão da educação – pública e privada – tem uma visão restrita do ensino. Acredita que basta garantir infra-estrutura, professor e material didático para produzir o conhecimento. Não é assim.

Esta visão, na verdade, é responsável pela falência da educação. Em sala, temos professores desmotivados, alunos pouco comprometidos. Talvez isto ajude a explicar o fato de, numa pesquisa realizada em 57 países, estarmos na 52a posição no domínio da leitura. Vergonhoso.

Entretanto, ainda que reconheça que o problema existe e pouco se tem feito para mudar a visão e as ações práticas voltadas ao ensino e à pesquisa, creio que o professor deve assumir sua missão. Esta implica em viver a utopia diária de que é possível construir uma sociedade melhor, com cidadãos melhores, tendo como base a educação.

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Questão de Classe: a aprendizagem

O Questão de Classe desta quinta-feira fala sobre o processo de aprendizagem. A psicóloga e mestre em psicologia da educação, Janira Siqueira Camargo, é a nossa convidada. Ela destaca que o ato de aprender acontece desde o nascimento – muito antes da idade escolar.

Nossa entrevistada vai revelar que muitas das dificuldades que as crianças têm na escola – com português, matemática, geografia etc – surgem no período anterior à escola. Geralmente por falta dos estímulos necessários para a formação do conhecimento. Ou seja, por conta da ausência da própria família.

Preciso ressaltar que gostei demais de ouvir a professora Janira. Fala de maneira suave, agradável e com enorme conhecimento. Tem todo um olhar da Psicopedagogia, área na qual também tenho formação.

Os questionamentos, observações feitos pela convidada são muito apropriados e estão em sintonia com o momento que vivemos. Ela fala, por exemplo, das formas de se estimular as crianças para que não tenham problemas na escola. E uma receita é bastante simples: garantir que a molecadinha tenha rotina e ajudem nas tarefas domésticas.

Por essas e outras asseguro que o programa está imperdível. O Questão de Classe começa às 19h. Eu espero você.

PS- Dá para ouvir pela internet.

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Leitura obrigatória de jornais nas escolas

Projeto de vereador quer tornar obrigatória a leitura de jornais em sala de aula… Mas não é em Maringá. A proposta está sendo analisada em Curitiba. Parece-me bastante interessante. Os quatro principais jornais da capital seriam utilizados em todas as escolas municipais.

A iniciativa visa ambientar as crianças aos temas da cidade, principalmente às questões políticas.

Se as leituras forem bem conduzidas, os objetivos podem ser alcançados. E melhor, poderemos ter, no futuro, jovens e adultos melhor formados. A vida pública, a realidade das cidades, devem fazer parte da formação básica de todo cidadão. É o caminho para construção de uma sociedade melhor.

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Questão de Classe: educação a distância

Este é o tema do Questão de Classe desta quinta-feira. Vamos falar sobre o assunto com o diretor do Núcleo de Educação a Distância do Centro de Ensino Superior de Maringá, Willian Kendrick de Matos Silva. Ele destaca a qualidade dos cursos e o valor do diploma na modalidade a distância. Afinal, essas são dúvidas comuns entre os estudantes. Tem qualidade? O diploma é igual?

No programa, vamos entender que, no Enade, numa comparação feita entre 13 cursos comuns nas modalidades presencial e a distância, o último levou vantagem. Sete contra seis. Não é pouco, já que os alunos geralmente têm menos carga horária de aulas. Por outro lado, são obrigados a ler duas vezes mais. Quem não está focado no curso, desiste. E esse é um aspecto importante a considerar… O índice de evasão nessa modalidade chega a 46%. Motivo? As pessoas idealizam um curso fácil – daqueles que não exigem muito esforço. Quase sempre são surpreendidos.

Outros aspectos também foram abordados. Conheceremos os cursos atualmente ofertados, os requisitos básicos para uma instituição implantar a modalidade, os preconceitos e mitos existentes, o perfil dos candidatos, quem são os professores, qual a contribuição dos cursos para diminuir a quantidade de pessoas que hoje estão fora do ensino superior… Enfim, a entrevista está rica em conteúdo e vale acompanhar. Às 19h, na CBN Maringá. Após o programa, dá para baixá-lo.

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Lula diz que valoriza o conhecimento

O presidente Lula respondeu hoje as críticas de que não valoriza o ensino e o conhecimento. Ele também falou sobre a repercussão da notícia de que não lê jornal.

Lula sustentou que “na democracia, quem tem desprezo pelo conhecimento jamais chega a presidente da República”. Afirmou que, além de prezar o conhecimento, seu governo investe em educação.

A respeito da imprensa, fez críticas. Argumentou que tem acesso, no início de cada manhã, a um panorama de tudo que está na mídia. Mas Lula reclamou que parte da imprensa se especializou em dar notícias ruins e não mostra a realidade do país.

PS- Faz parte da cultura popular que Lula é um ignorante, não lê e não valoriza a educação. Cá com meus botões, penso que há muita maldade nesse sentido. Ele seria ridicularizado pela mídia internacional, caso fosse um “topeira”. Certamente não se sustentaria no poder e nem teria capacidade de dialogar com as diferentes forças do poder político e econômico.

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Uma consciência crítica causa sofrimento

Sempre me questiono sobre o desinteresse de parcela da juventude nas discussões humanísticas. Como estudioso das teorias, defendo a apropriação desses conhecimentos como fundamento essencial para formação de uma consciência crítica, perspicaz.

Ontem, por exemplo, tivemos um debate acalorado em sala de aula por conta de um tema da moda, a violência na sociedade. Tudo começou quando sustentei a necessidade de observarmos os atos dos cidadãos como consequência direta de uma formação sócio-ideológica. Ilustrei: “não podemos dizer que um garoto de 10 anos se tornou criminoso, consumidor de drogas, simplificando: ‘esse garoto sempre foi uma peste; nunca prestou’”. Isto é banalizar demais a questão. Ninguém se torna bandido, dependente químico por uma predisposição biológica, genética. O meio é responsável pelo que somos.

Fui mais longe… Apontei que, por ser vítima da sociedade, não podemos defender que a solução para os crimes na infância e adolescência serão resolvidos tão somente com a redução da maioridade penal. A sociedade não vai acabar com a criminalidade apenas por punir quem tem comportamentos marginais. É preciso ir mais longe. Há necessidade de reconhecer as fragilidades sociais e tratar as causas que deformam nossas famílias – logo, nossas crianças, adolescentes e jovens.

Claro, o tema é polêmico. Há aqueles que entendem que a máxima deve ser o “olho por olho, dente por dente”. Chega-se ao ponto de defender a pena de morte. Acredita-se que apenas o medo da punição possa ser suficiente para tornar pacífica a sociedade.

Mas, voltando ao tema, o que nos faz ver as questões de forma mais ampla, em sua complexidade? O conhecimento. Não o técnico, mas aquele que promove a formação social, humanística.

Li hoje um texto publicado pelo brilhante colega, o professor Antonio Ozaí da Silva. Ele trata exatamente disso. Fala sobre essa miopia pós-moderna. Não usa esses termos, mas cita Dostoievski, que sustenta a ideia de que a sociedade contemporânea está satisfeita em ter uma consciência comum. Por isso, mantém um distanciamento de todo conhecimento que promova uma consciência crítica. Isto porque, nas palavras do professor Ozaí, “a consciência perspicaz trás à tona o sofrimento. A ignorância é seu antídoto; a consciência crítica é um estorvo à adaptação e ao individualismo descomprometido com a comunidade”.

Esta é uma grande verdade. É mais fácil viver na ignorância. Entender os porquês, questionar-se, questionar o mundo causa desconforto. Sentimo-nos muito melhores quando “tocamos a vida” no mesmo ritmo de todo mundo. Queremos resultados práticos. Importa-nos ganhar dinheiro, garantir uma boa vida. Para quê gastarmos tempo com reflexões? Quais benefícios temos em contextualizar os fatos? Afinal, para que complicar se podemos simplificar?

De fato, a vida é mais simples quando permanecemos alienados. Quando compreendemos a complexidade de cada fenômeno social, percebemos que o desafio humano é muito maior. Sentimos o peso da responsabilidade, a culpa por colaborarmos com a construção e manutenção das contradições. Entendemos que ser cidadão não é apenas votar, mas envolver-se, se dispor a transformar – ainda que tendo uma noção clara que estaremos na contramão do mundo, sob o risco de sermos mal compreendidos.

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Lya Luft sustenta importância da autoridade

Conversei hoje com a escritora Lya Luft. Ela estará na abertura da I Feira Educacional de Maringá. Lya vem pra falar sobre educação. Vai discutir a respeito da autoridade.

Aproveitei o tema para refletir sobre a relação entre pais e alunos. Afinal, vivemos dias de frouxidão da autoridade. Lya foi clara: os pais devem exercer autoridade sobre os filhos. Quem não tem autoridade, perde controle sobre as crianças.

De acordo com a escritora, os educadores precisam estabelecer limites, ainda que as crianças e adolescentes reclamem das regras. É normal que a molecada tente resistir às regras, saia batendo porta…

Lya lembrou que os pais não devem ter medo de parecerem antiquados. Não importa se o filho argumenta: “ah… mas o meu amigo faz. O pai dele deixa…”. É melhor ser firme, contrariar a criança ou o adolescente que permitir que ele perda as referências disciplinares.

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Um papo sobre as Apaes

Terminei há pouco as gravações do Questão de Classe da próxima quinta-feira. Vamos falar sobre o dia-a-dia de uma escola da Apae. Entender a rotina de educadores, pais e alunos com necessidades especiais é algo fascinante.

Não é um trabalho fácil. Afinal, o público atendido pelas Apaes é especial. Não é um aluno comum. Trata-se de alguém que exige um empenho maior, diferenciado. É preciso ser mais que professor; é necessário amar o outro – mesmo que o outro seja incapaz de compreender tal afeto.

A gravação demorou mais que o tempo habitual. O professor da Apae não está acostumado com microfones, câmeras. Ele vive uma realidade que geralmente não nos atrai. Embora não confessemos, olhamos tudo com um certo preconceito. Ignoramos a beleza de um trabalho que transcende a educação formal. Por isso, mantemos distância da rotina dessas pessoas. Logo, não vira notícia.

Tenho pela frente um trabalho de edição, fechamento dos blocos da entrevista que vai ao ar. Creio que aprendi muito. O papo ajudou a despertar minha curiosidade por conhecer pessoalmente o que se faz nas duas unidades da instituição em Maringá. Hoje, elas atendem mais de mil crianças, adolescentes e jovens.

Espero que, quinta-feira, às 19h, nosso ouvinte possa descobrir um pouco desse universo novo, mas real. Talvez também nos ajude a compreender por que é equivocada a proposta de segmentos da sociedade de incluir nas escolas normais o público hoje atendido pelas Apaes.

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Questão de Classe: dificuldades de aprendizagem

As dificuldades de aprendizagem. Este é o tema do Questão de Classe desta quinta-feira. Vamos entender: quando uma criança apresenta desempenho abaixo da média, o problema está no aluno ou no método de ensino? Nossa convidada é a pedagoga e mestre em educação, Beatriz Beraldo.

Posso garantir, o papo foi agradável. O resultado? Uma entrevista com conteúdo extremamente interessante, relevante, fundamental para pais e educadores. Vale inclusive pela reflexão que todo professor deveria fazer antes de dizer que um aluno tem dificuldades para aprender – seja a disciplina que for.

O programa começa às 19h. Dá para ouvir pela internet. Ou acessar o arquivo para download depois das 20h.

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CCJ aprova ensino em tempo integral

A Câmara Federal aprovou ontem a PEC que torna obrigatório o ensino em tempo integral. A proposta de emenda constitucional passou na CCJ. Se a mudança na constituição for confirmada no plenário, as escolas terão de manter os alunos por pelo menos oito horas. Não há data para votação. Entretanto, a PEC alimenta a esperança de que, ainda que por força de lei federal, estados e municípios ampliem os investimentos em educação.

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Haddad rejeita parecer que daria fim as Apaes

Gosto do ministro Fernando Haddad. Parece-me ser um homem sensato e que, de fato, entende de educação. Basta observar sua última decisão. Ele devolveu ao Conselho Nacional de Educação o projeto que previa a obrigatoriedade da matrícula de alunos com deficiência em escolas comuns. Seria, por exemplo, o fim das Apaes. Afinal, crianças com deficiência deveriam, obrigatoriamente, serem inclusas na rede “normal” de ensino.

Concordo com a inclusão. Mas é preciso reconhecer que nossas escolas não estão preparadas. Professores encontram dificuldades para atender até mesmo os alunos normais. Há necessidade de gastar mais tempo e recursos para adaptar nossas instituições para essa nova realidade – sem esquecer dos educadores. Haddad parece reconhecer tais demandas. Ele quer uma revisão do parecer da CNE.

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Pais frouxos, filhos dominadores

Vivemos tempos de indisciplina. Total, irrestrita, ampla e, talvez, permanente. Não sei se poderia dizer que se trata do verdadeiro “mal do século”, mas a ausência de regras – ou a incapacidade de estabelecê-las – nos faz observar o crescimento de uma geração autoritária, dominadora.

Talvez o parágrafo acima revele uma visão catastrófica. Mas é assim que avalio o cenário construído pelos pais “modernos”. A mesma frouxidão moral que notamos na política, existe na esfera educacional doméstica. Pais frouxos, incapazes de fazer valer critérios básicos de comportamento.

Estou longe de ser um pai-modelo. E, distante de ter uma família-modelo. Entretanto, ainda entendo que adultos somos nós, pais. Crianças são crianças; seres em formação. A autoridade é nossa. Somos nós que temos mais vivência, experiência, discernimento. Não são as crianças. Elas são lindas, encantadoras, a “coisa mais lindinha do papai”, mas não mandam. Ou pelo menos não deveriam.

Na verdade, este é o problema. Elas não deveriam mandar. Contudo, tenho visto filhos com dois anos fazerem os pais de “gato e sapato”. É ridículo, mas fico notando mães correndo atrás de suas crianças, perdidas, desesperadas, descontroladas, incapazes de conter um ser tão pequeno. Afinal, quem é a mãe?

Como alguém de dois, três anos pode dominar completamente um adulto com mais de 20 ou 30 anos? Chega a ser engraçado vê-las gritando com suas crianças. Deixam os pequenos neuróticos, ainda mais agitados e irritadiços, mas não conseguem dar conta de dominar os filhos.

Pelo lado deles, os homens fazem “cara de paisagem”, alguns até tentam falar grosso, mas caem diante dos reizinhos após poucas frases teimosas ou de insistências. Também não são capazes de resistir ao charminho das crianças e acabam achando tudo bonitinho. Mal sabem eles que podem estar contribuindo para as crianças de hoje se tornarem monstros amanhã.

Muitos pais de hoje são frouxos, não porque deixarem de bater nos filhos. De maneira alguma. Dia desses ouvi uma mãe confessar a uma amiga: “não sei mais o que fazer. Já briguei, já bati, deixei de castigo, só falta espancar”. Detalhe, a fera a ser domada tem apenas dois anos. Esses pais são frouxos, pois são inseguros, incoerentes. Não possuem um projeto de educação para os filhos. Não tem nada a ver com correção física.

Na verdade, o que reina na proposta disciplinar das crianças é o amadorismo. É verdade que nenhuma delas vem com manual de instrução. Mas, se para tudo nos preparamos, por que a educação dos pequenos é feita na base do “achismo”? Vai dar errado mesmo. Os pais devem saber o que querem para os filhos. Precisam dialogar, estudar, conversar com gente que reúne condições de aconselhar e aplicar a disciplina em comum acordo. Quando a mãe diz algo, o pai sustenta. Mesmo se alguém estiver errado.

Os filhos reconhecem as contradições e conflitos disciplinares. Eles nascem “programados” para testar nossos limites. E, diferente de nós, são persistentes. Ganham fácil a disputa, se, do outro lado, não houver educadores prontos para o desafio. O processo disciplinar se dá numa arena entre gladiadores. No entanto, o cenário não é de briga. Não é uma luta para saber quem é o mais forte. É um embate, apenas porque de um lado está um pequeno ser que reclama desesperado por formação.

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Sexo está na lista de termos mais buscados pelas crianças na internet

Já disse aqui noutras ocasiões que pais que desconhecem as novas ferramentas tecnológicas e não controlam o conteúdo acessado pelos filhos vivem à margem da vida da molecada. Pois bem… Agora temos mais um estudo que reforça a tese de que os adultos ignoram o que suas crianças andam fazendo.

Uma pesquisa realizada pela companhia de segurança de computadores Symantec Corp identificou que “sexo” é o quarto termo mais buscado pelas crianças na internet. Junto com “sexo”, aparece “pornografia”. Assustador? Nem tanto. Eles têm curiosidade. Buscam respostas. Os pais nem sempre estão prontos e dispostos a conversar com os filhos sobre esses temas. Como, hoje, todas as respostas podem ser encontradas no Google, lá estão eles pesquisando o que lhes interessa. Somado a isso, os pais não entendem quase nada de internet e redes sociais. E quando conhecem, acham que só os filhos dos outros procuram páginas de conteúdo adulto.

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A face oculta de um ser humano cruel

Vivemos um tempo em que supostamente as pessoas se respeitam mais, aceitam a diversidade, lidam bem os com os gêneros. Pelo menos este parece ser o discurso dominante. Somos todos iguais. A Constituição sustenta tal tese. Mais que a própria carta magna, há leis para garantirem o respeito ao outro. Mas existe de fato a aceitação?

Não creio nisto. Desde a infância, o diferente é agredido. Na escola, a vítima pode ser o negro, o pardo, o mais pobre, o tímido, o gordinho, o gago, o que fala errado, o que se veste “mal”, aquele que tem trejeitos e é tido como homossexual… Na verdade, passam-se as fases da vida e o comportamento preconceituoso, discriminatório só muda de lugar. Existe um abismo entre o discurso oficial de tolerância e nossas atitudes no dia-a-dia.

Egoístas como somos temos pouca disposição para aceitar o outro. Parece estar no nosso DNA o desejo de excluir. Queremos os diferentes bem longe de nós. Contudo, o mal é menor quando apenas nos afastamos. Noutras tantas ocasiões, falamos mal, caçoamos, perseguimos. Talvez por isso esteja tão na moda falar em assédio moral. E ele não acontece apenas na relação chefe-empregado. Colegas de trabalho praticam tal crime. Na infância, o termo para essa agressão é outro. Vem do inglês. Chama-se Bullying.

Uma outra forma clara da não aceitação do outro é observada na internet. Tenho dito que a rede revela o que há de mais cruel no caráter do homem. Tudo aquilo que as pessoas às vezes sentem desejo de dizer, mas não o fazem face a face, deixam extravasar em emails, comentários e textos publicados na web. É assustador.

Vejo, por exemplo, nos blogs – onde o espaço para o comentário é privilegiado -, agressões não adjetiváveis. Dá até a impressão que o autor seria capaz de praticar um ato de violência física, eliminar o outro. Chega a causar medo. Tem textos que me fazem pensar: o que uma pessoa dessas faria se estivesse num regime autoritário com o poder nas mãos?

Quando voltamos na história e apresentamos as atitudes de governantes ditatoriais, muitos ficam indignados, sentem revolta, questionam: como alguém é capaz de tal coisa? Concordo. Não é possível conceber que seres humanos torturavam seus iguais por coisas tão banais e, às vezes, por puro prazer de fazer o outro sofrer.

Entretanto, hoje revelamos a mesma face cruel em atitudes que procuramos esconder atrás de nossa máscara social. Apresentamo-nos como defensores da igualdade, da aceitação, da democracia, mas, no anonimato, ofendemos, agredimos pelo simples fato de o outro ser diferentes de nós – ou por ter opinião contrária. Na verdade, não queremos entender o outro. Desejamos um mundo desenhado à nossa maneira.

Fazemos isso, inclusive, com nossos filhos. Queremos que eles sejam como nós. Às vezes dá tão certo que a molecada reproduz nossa arrogância e despejam toda maldade contra inocentes que sequer têm a chance de se defender.

Sabe, este texto não tem a intenção de concluir nada. Apenas fazer pensar… Pensar no quanto somos mesquinhos e hipócritas. Nosso discurso é de tolerância, mas será que a praticamos? Falamos em espírito democrático, mas temos vivido a democracia?

A vida é mesmo cheia de contradições. Mas há espaço para nos tornamos melhor como seres humanos.

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Questão de Classe: a relação pais e escola

O Questão de Classe dessa quinta-feira vai falar sobre a relação dos pais com a escola. Vamos entender que muitos acreditam que é função da escola formar o caráter. Trata-se de um grande erro. Não é esse o papel de professores e instituições de ensino.

O programa ainda busca diferenciar qual a relação que existe desses pais quando a escola é particular e quando é pública. Abrimos espaço para tratar da violência contra educadores e colegas. E tem muito mais. Vale a pena ouvir.

Nossa convidada é a psicóloga e pesquisadora na área educacional Dayane Gatto. E o programa começa às 19h, na CBN Maringá (95,5 FM).

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Eis a questão: risco de vida ou risco de morte?

Risco de morte ou risco de vida? De vez em quando esbarramos neste debate. Hoje, por exemplo, um cidadão ligou para nossa produção rindo (ironizando, talvez) do “erro” de uma nota onde usamos “risco de vida”.

Mas, afinal, o que é certo? Está errado dizer “risco de vida”?
Claro que não. Na verdade, usar “risco de morte” é só mais um modismo. Não está errado. Claro que não. Mas se é para banir o “risco de vida” da linguagem, temos de eliminar dezenas de outros termos. Que tal começarmos por “embarcar”? Ou pelo “pois não”?

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A música e alguns de seus efeitos

Gosto de música. Não de qualquer música. Até não tenho problemas quanto aos ritmos. Mas a ausência de uma linguagem musical rica, variada, letra criativa, me incomoda.

Numa das disciplinas que trabalho com meus alunos discuto a música sob a perspectiva estética. A gente fala muito sobre os valores musicais e sua importância como forma de refletir os valores da sociedade de uma época. Na sociedade contemporânea, é impossível não refletir sobre como as regras de mercado afetaram a produção artística.

Mas a questão da música vai além dessa coisa de ser boa ou não. Até por que há visões variadas a respeito do assunto. Tem gostos e gostos. O que me parece importante é perceber nesta arte uma ferramenta não apenas para expressar nossos sentimentos e até para filosofar. A música é um instrumento poderoso para amenizar a dor, o sofrimento das pessoas.

Cada vez mais estudos apontam que tal arte ajuda na recuperação de doentes, desperta nas pessoas o desejo de voltarem a sorrir, reduz os níveis de estresse, tranquiliza, combate a ansiedade. O detalhe é que não é qualquer tipo de música. Muito disso que anda tocando nas rádios e nos equipamentos de sons dos carros que circulam pelas cidades tem efeito inverso – geralmente alienante.

PS- Por sinal, por que quem toca músicas em alto volume sempre tem gosto duvidoso?

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Posterous e outras novidades na rede

Depois de testar o Posterous, pretendo refletir sobre as novas tecnologias e as condições que reunimos para dar conta de tantas novidades. Particularmente sou um curioso e conheço como funciona muita coisa hoje disponível na internet. As redes sociais são minhas ferramentas favoritas.

É verdade que nem sempre consigo atualizar tudo e nem produzir conteúdos novos, significativos. Ainda assim, sei trabalhar com a maioria desses serviços.

O principal ponto da discussão é exatamente este: dominar essas ferramentas é necessário, mas até que ponto conseguimos interagir com todas essas novidades? Difícil.

Entendo ser fundamental conhecer a dinâmica da internet e muito do que ela nos oferece, principalmente porque nossas crianças, nossos adolescentes e jovens não encontram dificuldades para trabalhar com tudo aquilo que é desafiador para nós, os mais velhos. Já disse aqui noutra ocasião que pais que ignoram as tecnologias e pouco sabem sobre o universo disponível na internet correm maior risco de perder os filhos.

O que perdem primeiro é o respeito. Rapidamente a molecada vai te achar um dinossauro, um ser de outro mundo – por desconhecer o mundo dele, a linguagem que utilizam. Chega a ser engraçado… Esses garotos falam em Português, mas parecem dialogar em “javanês”. E os pais ficam alheios – literalmente, alienados.

Mas a coisa é muito mais complexa. Pais que desconhecem o mundo das tecnologias, da internet, das redes sociais não sabem por onde andam seus filhos. Afinal, a garotada não precisa sair de casa para estar perdida. Pode estar vivendo um mundo paralelo, nocivo e até criminoso dentro do próprio quarto.

Entretanto, como dar conta da vida cotidiana e ainda aprender a respeito desse novo mundo que se constrói, se destrói e se reconstrói a cada dia? Está aí a receita que eu também gostaria de encontrar. Para tudo que temos é preciso gastar tempo. E quando dedicamos atenção a algo, algum setor de nossa vida pode deixar de ser prioridade.

Então, minha sugestão é ler sobre esses temas. Testar aos poucos cada novidade. Procurar ler publicações especializadas e buscar fazer disso uma rotina. Ninguém aprende tudo de um dia para o outro. Nem vai dar conta de dominar todas as ferramentas. Mas é necessário testar, experimentar, ousar. Errar talvez seja um verbo que você vai conjugar bastante. Ainda assim, vale a pena tentar.

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Livros, escritores e Fani Pacheco

Fani Pacheco está lançando seu livro. É uma obra autobiográfica. Pra quem não lembra, Fani é uma ex-BBB. E o livro dela tem o título “Diário Secreto de uma Ex-BBB: A história é minha, conto pra quem eu quiser!”. O lançamento será no Rio no próximo dia 28.

Não tenho aqui a pretensão de falar sobre o livro. Ele logo chega às livrarias e, quem estiver interessado em ler sobre a garota, poderá encontrá-lo. Na verdade, já se sabe que a obra terá várias histórias picantes por conta das experiências sexuais da jovem. Também apresentará fotos nuas e semi-nuas.

Resolvi escrever sobre a Fani por outro motivo. Estava pensando em livros, leitura, textos e, quando navegava pelo site da Veja, esbarrei numa nota a respeito do livro. Fiquei pensando: quem é o escritor de hoje?

Eu gosto de escrever. Às vezes, chego a alimentar o sonho de organizar um livro, preparar uma obra como resultado de algumas coisas que pesquiso e discuto em meu dia-a-dia. Não sou nenhum Machado de Assis e ainda estou longe da habilidade e riqueza de um João Ubaldo, mas me parece um desafio interessante reunir reflexões sobre a vida, a sociedade, nosso contato e busca por Deus.

Mas sempre que penso em livros fico imaginando o que torna alguém um escritor. Leio entrevistas e textos sobre os mais diversos autores. Fico admirando a riqueza do pensamento deles, a capacidade de ousar, surpreender. Sinto-me pequeno diante deles. Contudo, a Fani Pacheco agora é escritora. Terá um livro. Uma obra com direito a orelha escrita por Pedro Bial. Então, o que mais posso dizer?

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Governo paga; escolas não saem do papel

Já que falamos aqui sobre o desrespeito com a educação, publico mais uma nota revoltante… De 1999 a 2007, o governo federal investiu R$ 257 milhões para a construção de escolas técnicas. De 98 entidades beneficiadas com recursos, apenas uma cumpriu tudo que estava no contrato. Na maioria dos casos, o dinheiro foi para o ralo. As escolas não saíram do papel. Lamentável.

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18 mil escolas sem energia elétrica

Matéria da Agência Estado revela que cerca de 18 mil escolas do país não têm energia elétrica. São aproximadamente 500 mil alunos que não podem contar com lâmpadas nas salas de aula e nem água fria, pois não tem onde ligar uma geladeira. Detalhe, a maioria desses estudantes são crianças que cursam da primeira à quarta séries. Dá pra acreditar que essa molecada terá prazer de estudar?

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Em destaque, a música de orquestra

O Questão de Classe dessa quinta-feira fala sobre música de orquestra. No estúdio da CBN, o maestro Rael Gimenes. Ele é o responsável pela formação da Orquestra da Universidade Estadual de Maringá. A orquestra tem estreia oficial marcada para esse sábado. O maestro conta que a ideia surgiu pela necessidade de formar melhor o acadêmico de música…

Mas o Questão de Classe não fala apenas da Orquestra da UEM. Tem espaço para discutir a música de orquestra no Brasil e no mundo e ainda a formação do gosto musical do público brasileiro. O Questão de Classe começa às 19h. Eu espero você.

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A leitura em destaque no Questão de Classe

Hoje é quinta-feira… Dia de Questão de Classe, na CBN Maringá. Vamos falar sobre a leitura no Brasil. Em destaque os hábitos de leitura, quem é o leitor brasileiro, as principais influências para a formação do leitor e os reflexos da ausência de leitura na vida dos universitários. Uma boa conversa baseada em dados da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil. Nossa convidada foi a doutoranda em Educação, diretora de Ensino do Cesumar, Solange Lopes.

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O preço de nossas escolhas

Na minha atividade como professor, ouço todo tipo de coisa. Desde alunos que falam frases de efeito para ganhar nossa confiança até reclamações das mais variadas pela “rotina maçante” da vida acadêmica. Não tenho problemas com isso. Não fico frustrado e nem me sinto culpado pela lista de exigências que apresento aos alunos.

Fui estudante em circunstâncias difíceis. Durante boa parte da minha vida, conciliei trabalho e escola. Foi assim no Ensino Fundamental, depois no então Segundo Grau. Quando cursei a faculdade e fiz especialização, já estava casado, tinha filhos… Ainda assim, posso me orgulhar de ter feito o melhor. Por isso, conheço onde cada um deles pode chegar.

Mas este comentário não é para falar de mim. Cada pessoa tem suas prioridades e sabe de seus limites e possibilidades. Meu objetivo é chamar atenção para o preço que temos a pagar por nossas escolhas.

Quando alguém se dispõe a alcançar um objetivo deve entender que outras coisas deixarão de ser feitas. Ninguém consegue dar conta, de maneira satisfatória, das inúmeras atividades acadêmicas sem abrir mão de alguns prazeres. Será preciso perder horas de sono, ficar finais de semana em casa diante do computador e até mesmo deixar de curtir férias. Não tem jeito. É o custo de uma escolha. Pode até não ser o que se sonhava… Afinal, queremos realizar nossos sonhos sem ter de abandonar certos prazeres. Mas isso não é possível. O bom desempenho acadêmico requer desprendimento, empenho, horas de dedicação.

Na verdade, o preço pago pelo estudante que sonha se diferenciar, conseguir mais que o canudo, é o mesmo que se cobra do profissional que deseja alcançar mais que um salário no fim do mês. O custo é semelhante ao que se tem pagar para ter filhos educados, uma família feliz. Ninguém consegue ter tudo ao mesmo tempo. O tal do equilíbrio não existe. Quem busca ter tudo apenas se confunde e não vive intensamente absolutamente nada. Sempre ficará em dívida com a balança da vida.

Por sinal, essa história de equilíbrio, esse discurso de que devemos equilibrar as coisas é uma grande mentira. Equilíbrio não é dar a mesma atenção a tudo que fazemos. Se alguém dedicar o mesmo tempo que concede a cada coisa que faz em sua rotina, certamente faltará tempo em seu dia ou não fará nada que preste. O equilíbrio é um estado emocional. É reconhecer que se a gente quer o sucesso profissional, a vida pessoal terá de sofrer perdas. Ou o inverso… Reconhecer que se a família é o mais importante, teremos de conviver com menos dinheiro e menos reconhecimento profissional. Equilíbrio é ter a capacidade de reconhecer esses limites e viver em paz.

Isso vale para nossos alunos. Equilíbrio é ficar em paz sabendo que, na vida acadêmica, ou se tem desempenho ou tempo para os prazeres da vida pessoal.

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Educação integral x Crianças de rua

Educadora diz que educação em tempo integral não é alternativa para tirar crianças das ruas. Segundo Verônica Mueller, do Programa Multidisciplinar de Estudos, Pesquisa e Defesa da Criança e do Adolescente da UEM, o poder público não pode pensar em colocar crianças entre quatro paredes durante o dia todo como alternativa de incluir crianças em situação de risco.

Nunca tinha pensado sob essa perspectiva. Mas parece-me bem interessante a reflexão da professora Verônica, em entrevista à CBN. Defendo a educação em tempo integral. Contudo, ela questiona sobre qual será o impacto na vida de alguém que passou parte da infância e adolescência preso dentro de uma escola durante todo o dia. Difícil responder. Entretanto, cá com meus botões, penso que o abandono praticado por muitas famílias é mais prejudicial que a vida na escola durante o dia todo.

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Questão de Classe: a cidade em destaque

Qual a relação do homem com a sua cidade? Este é o tema do Questão de Classe desta quinta-feira. Nossa convidada é a doutora em Sociologia, pós-doutora em Urbanismo, Ana Lúcia Rodrigues. Ela sustenta que a cidade que hoje construímos tem servido principalmente à especulação imobiliária. Ainda na entrevista, a pesquisadora argumenta que a diretriz de desenvolvimento de Maringá deverá levá-la a ter índices intoleráveis de violência daqui a 10 anos. A violência, na opinião de Ana Lúcia, será a principal herança deixada pelas atuais políticas urbanas. O Questão de Classe é nessa quinta-feira, às 19h.

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Ensino obrigatório de 17 anos. Para quê?

Com certa frequência temos discutido aqui que a educação não é assunto levado a sério em nosso país. A educação como política pública só é uma realidade no discurso. Está longe de ser uma prática.

A última iniciativa fantasiosa é a obrigatoriedade da escola até os 17 anos. Teoricamente, as crianças, hoje, tem que estar nas salas de aula até os 14 anos. Com a nova proposta de emenda constitucional, votada no início desse mês de junho, enquanto não completarem 17 anos, os adolescentes brasileiros não devem deixar a escola.

É bonito falar. Mas vergonhoso reconhecer que é só mais uma garantia constitucional que não se aplicará a vida prática do cidadão brasileiro. Não é difícil obter dados no próprio Ministério da Educação que revelam que um percentual extremamente significativo de crianças deixam as salas de aula antes de completarem a oitava série.

Há várias razões para a chamada evasão escolar. Elas vão desde a necessidade de trabalhar até a desmotivação, desinteresse.

É sabido que muitos meninos e meninas precisam ajudar financeiramente os pais. Como são famílias miseráveis e sem consciência da importância da educação, preferem estimular os filhos a trabalhar, abandonando a escola.

No caso desses adolescentes que não gostam de estudar, também falta o reconhecimento da necessidade da escolarização e da apropriação do conhecimento.

Um aspecto curioso é que em ambos os casos existe o componente familiar. Na verdade, estudos recentes indicam que em 80% dos casos tanto a nota do aluno quanto o abandono da escola têm origem no ambiente domicilar. Ou seja, dentro da casa do aluno. Por isso, dá para dizer que falta engajamento dos pais. Como não conseguem transferir aos filhos o quão fundamental é a educação, eles abandonam a sala de aula.

Embora entenda como algo desejável, sustento que ampliar a obrigatoriedade do ensino não muda a realidade. Claro, deve ser um alvo a alcançar. Mas, primeiro, precisamos ter políticas públicas que possam garantir que todos cumpram pelo menos a legislação atual de se frequentar a escola até os 14 anos.

A luta contra a evasão escolar passa pelo convencimento de crianças, adolescentes e seus pais. Eles precisam ver a escola como um ambiente rico em conhecimento e que promove a cidadania. Este é o caminho.

Políticas públicas para a educação carecem ser ampliadas à comunidade. Há necessidade de um trabalho de convencimento, de integração Estado, comunidade e escola. Do contrário, seguiremos criando novas leis e mantendo-as apenas como papéis sem nenhum valor.

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Restrições na produção do conhecimento

Na semana passada discuti por aqui “para que serve o conhecimento“. O texto foi publicado nesta terça-feira no Hoje Notícias. Curiosamente, hoje entrevistei Flávio Bortolozi, pró-reitor de pesquia, pós-graduação e extensão do Cesumar. Ele falou sobre o I Encontro Maringaense de Inovação Tecnológica.

Na opinião dele, existe um desperdício muito grande de conhecimento nas instituições de ensino do país. Esse conhecimento fica estocado nas universidades. Para Bortolozi, o grande desafio é transformá-lo em algo útil para a comunidade.

Serviço: O I Encontro de Inovação Tecnológica será realizado nesta terça-feira, às 19h, no Cesumar. O evento contará com representantes da Fiep, do Ministério da Indústria e Comércio, da Universidade Federal de Santa Catarina e PUC do Rio Grande do Sul

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Professores perdem estímulo de ensinar

A revista Isto É desta semana traz uma reportagem sobre a profissão de professor. Com base em diferentes estudos, a publicação sugere que professor é uma atividade de risco. Não é difícil entender. Não são raros os professores que já sofreram ameaças. E a lista de educadores vítimas de violência cresce a cada dia.

A reportagem ainda trouxe outros dados. Por causa dos atos de agressão e ameaças, a maioria dos professores perdeu o estímulo de dar aulas. Muitos se sentem num quadro semelhante ao de pânico quando atravessam os portões da escola ou a porta da sala de aula. Em classe, mais de 67% acredita ter perdido a autoridade. Eles não conseguem controlar a molecada. Para manter o mínimo de respeito, vários dele gastam parte do tempo gritando com os estudantes.

Outro dado: 84,2% dos educadores acreditam que seus alunos não prestam atenção na aula e nem valorizam o conteúdo apresentado.

Quadro tão devastador gera estresse. Em outros casos, depressão. O déficit de professores no Brasil é grande. Faltam educadores. Certas disciplinas, como matemática, física, química e até geografia e história, carecem de novos profissionais. Mas, se a remuneração nunca foi atrativa, o risco de agressão e o sentimento de ser ignorado em sala desmotiva potenciais candidatos a educador.

É lamentável. Quem segue em sala de aula ou é idealista ou insiste na profissão por não encontrar outra alternativa. Mas o pior é notar a passividade de nossas autoridades e o alheamento de nossa parte. Se as autoridades governamentais pouco fazem para mudar a realidade, nós também somos responsáveis pela instalação do caos na educação.

A violência que acontece nas escolas é reflexo de uma sociedade que vê na escola um local para se aprender a ler e escrever – ou para aprender uma profissão. Tem ainda uma parcela significativa da população que olha para as instituições de ensino como depósitos de crianças – um ambiente em que se deixa o filho enquanto o pai e a mãe trabalham.

Há saída para situação tão apocalíptica? Talvez sim. Passa, primeiro, pela educação dentro de casa. Filhos disciplinados são alunos respeitosos, que reconhecem a autoridade do professor. Mas para avançarmos é preciso mais. Nós, adultos, devemos nos envolver com a escola. Buscar identificar os problemas, dialogar com professores, coordenadores de ensino e diretores. Identificadas as principais deficiências, devemos cobrar das autoridades as mudanças necessárias.

Nossa tarefa não é tão simples, mas é plenamente possível. O que não podemos é apenas nos indignarmos com dados tão negativos da educação e nos mantermos passivos. Notícias tristes como essa de que nossos professores estão desmotivados por serem agredidos física ou verbalmente deveriam mexer conosco a ponto de tomarmos uma atitude – talvez a primeira delas seria procurarmos identificar quais são os problemas da escola de nossos filhos… O que não podemos aceitar é que continuemos recolhidos em nossas casas, tecendo críticas, mas nada fazendo além de ler, ouvir ou assistir o noticiário.

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Para que serve o conhecimento?

Todos os dias milhares de pessoas estão debruçadas sobre um tema qualquer tentando desenvolvê-lo. É desse ato de dedicação, empenho, perseverança que nascem respostas para a maioria dos problemas da humanidade. A solução para os problemas de moradia, trânsito, saúde etc etc surgem como resultado de pesquisas.

Parte desse trabalho é desenvolvido dentro das universidades. Ali estão mentes brilhantes que procuram entender o que acontece com a humanidade. Partindo de um problema, com base numa hipótese, são procuradas as respostas que todos nós almejamos. E elas aparecem como fruto de muito trabalho.

Mas esse cenário aparentemente perfeito nem sempre tem resultados práticos. Por uma razão muito simples: os pesquisadores mantêm suas descobertas guardadas em armários, bibliotecas e, quando um pouco mais modernos, na internet. Tudo em artigos, dissertações e teses extensos, com linguagem difícil, rebuscada, incompreensível aos leigos.

Na prática, chega à população apenas uma pequena parte do que se produz de conhecimento. Então, para que serve o conhecimento? Por que se estuda tanto? Qual a finalidade de tantas pesquisas? Qual a função social de nossos cientistas? Parece-me que conhecimento que fica entre quatro paredes não traz benefícios para a sociedade. Ele precisa romper os muros da academia, chegar ao povo.

Entretanto, como fazê-lo? Qual canal utilizar? Creio que nada alcança de maneira mais rápida e eficaz a população que a imprensa. Por mais que sejam criticados, os meios de comunicação ainda são a melhor estratégia para se falar com as pessoas. Acontece que muitos pesquisadores preferem participar de seminários, convenções, debates a falar com jornalistas. Entendem ser mais útil discutir com seus pares que promover o conhecimento entre a população. Por conta disso, acabam por contribuir com a manutenção da ignorância. Alguns deles, inclusive, têm mania de fazer “charminho” quando recebem um convite para falar. Demonstram ignorar por completo a lógica de uma redação – onde não se pode deixar nada para amanhã.

Defendo a tese de que a ciência se popularize. Contudo, pesquisadores precisam romper com seus preconceitos e se colocarem a disposição para falar com a imprensa em qualquer ocasião. Toda entrevista, cada reportagem, uma pequena nota num jornal ou na rádio é uma chance de publicizar o conhecimento, de promover a reflexão.

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Tal qual avestruz

Tem que gente que não entende a importância da imprensa – principalmente na área educacional. São pessoas que se fecham em seus círculos acadêmicos e acreditam que as discussões ali realizadas prestam algum tipo de contribuição à sociedade. “Santa” ignorância. Felizmente ou infelizmente, quem não sabe dialogar com o público por meio da imprensa fala apenas com as paredes.

Por que abro essa discussão? Porque hoje “trombei” com tal situação. Desde terça-feira tinha agendado uma entrevista para falar do Seminário de Educação Inclusiva que está sendo realizado em Maringá. A proposta era ouvir uma das palestrantes. Mas quem deveria facilitar a entrevista resolveu dificultá-la – apesar de todo esforço do pessoal da assessoria de imprensa da prefeitura.

O seminário começou segunda-feira e segue até amanhã. Tem discussões importantes. Trata de temas delicados relacionados à inclusão de crianças e adolescentes com necessidades especiais na rede de educação. Para isso, trouxe especialistas de várias partes do país. Cerca de 350 pessoas participam, vindas de 65 municípios.

No entanto, por mais importante que o seminário seja, é limitado. Se alguns desses debates não se tornarem públicos, pouco adiantará todo o investimento (inclusive financeiro) que ali foi realizado. Claro, uma entrevista não vai mudar toda a realidade. Mas poderia ser mais uma ferramenta para ampliar a discussão e, principalmente, tentar encontrar eco junto à sociedade.

PS- O post não é uma reclamação, um lamento. A intenção é apenas mostrar que algumas pessoas ainda têm visão equivocada da realidade. Assuntos relevantes – como as relacionadas à educação – deveriam ser amplamente publicizadas. Organizadores, palestrantes… todos deveriam aproveitar as oportunidades que aparecem para dialogar com a comunidade.

PS2- Dia desses, quando noticiamos os resultados do Enem, também encontrei uma dificuldade enorme para discutir a questão. Educadores tratam de educação pública dentro das universidades, mas preferem não falar com a sociedade sobre seus estudos ou analisar dados concretos como os do Exame Nacional do Ensino Médio. Então, de que valem seus trabalhos? Que contribuição dão à sociedade?

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Provas da OAB

Gilberto Dimenstein fala hoje na CBN sobre o alto índice de reprovação nas provas da OAB deste ano. Mas o que muita gente ignora é as provas têm sido mal elaboradas. Com erros de Português, na construção de enunciados e, a título de exemplo, seis questões foram anuladas numa única avaliação. Situações como estas têm motivado que milhares de candidatos entrem com recurso.

Geralmente discute-se a formação dos alunos de Direito, mas se deixa de dizer que as provas da OAB estão longe de promoverem uma avaliação justa.

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Educação especial…

Começa na próxima segunda-feira o V Seminário de Educação Inclusiva em Maringá. A proposta é reunir educadores e gestores da educação para tratar de temas relacionados a inclusão de alunos com necessidades especiais na rede normal de ensino.

Em entrevista à CBN Maringá, a coordenadora da Educação Especial da Secretaria Municipal de Educação, Ivone de Lima Yamanaka, apontou que ainda falta formação aos educadores que lidam com essa realidade. O aluno está sendo incluído nas salas de aula, mas o professor encontra dificuldades para lidar com o estudante portador de algum tipo de deficiência.

Muitos educadores têm especialização educação especial. O problema é que entre teoria e prática existe um abismo. Se cada ser humano é único, imagine como lidar com pessoas tão distintas, diferentes. O desafio é grande. E está longe de ser vencido.

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Ética em Santo Agostinho…

O Questão de Classe dessa quinta-feira voltou a tratar de ética. Mas falamos sobre ética numa outra perspectiva. O padre e mestre em Filosofia, Leomar Antonio Montagna, autor da obra “A ética como elemento de harmonia social em Santo Agostinho” foi nosso convidado. O papo foi ótimo.

Ele ressaltou que só precisamos de amor ao próximo para termos ética. Quem ama o outro não faz o mal, não prejudica o outro. Torna-se uma pessoa que promove o bem comum. Ou seja, é ético, moral.

Mas a questão da ética vai ainda mais longe. Tem a ver com as perdas do referencial divino. Como os homens abadonaram Deus, perderam a ética.

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Medicina: aptidão ou motivação($)?

Há pouco postei no Twitter:

- Coisa de louco… O curso de Medicina da UEM tem 267,4 candidatos por vaga. Será q tem tanta gente assim com aptidão por ajudar o próximo?

Tenho uma hipótese: é o poder do negócio. Medicina se tornou há muito tempo um grande negócio. Fazer medicina é praticamente uma garantia de carreira sólida, rentável.

É verdade que muitos médicos que escolheram a profissão pelo que ela significa do ponto vista social, humano. Mas insisto na ideia de que o dinheiro e status proporcionado pela atividade são hoje os principais atrativos.

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Compromisso com a educação…

Li no site da prefeitura de Maringá que amanhã autoridades locais assinam um termo de compromisso pela educação. Trata-se de um documento formulado pelo projeto “Todos pela Educação”. Quem assiná-lo assume o compromisso de garantir educação de qualidade até 2022.

O projeto é interessante. Assumir tal compromisso, idem. Entretanto, assinar o documento não representa muita coisa. Também acho tempo demais para reformular a educação. Educação deveria ser prioridade. Hoje, no Brasil, é prioridade apenas no discurso. Talvez até exista quem diga: “já estamos promovendo uma educação de qualidade”. Ou: “todos os esforços têm sido feitos para garantir uma boa educação para nossas crianças”.

Mas não é isso que revela um olhar mais atento à educação pública no Brasil. É verdade que temos avanços. E estes precisam ser comemorados. Contudo, em regiões como a nossa, com PIB privilegiado, investimentos milionários, boas faculdades e universidades, não é tolerável aceitar que índices como o do Ideb estejam abaixo de 6,0. Em Maringá, a média no último ano foi de 4,9 (isto no Fundamental I, pois no Fundamental II, a média foi de 4,2).

Por isso entendo que o compromisso por qualidade não poderia ser firmado para garanti-la em 2022. Uma gestão comprometida com a educação pode assegurar a escalada nesses índices num período de três ou quatro anos. Basta romper com os hábitos já estabelecidos de se gerir o setor, vencer os compromissos político-partidários e fazer educação com educadores.

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Grade curricular do Jornalismo…

O Ministério da Educação quer mudar a grade curricular do curso de Jornalismo (já tratei deste assunto aqui no blog). Quem comanda o processo é um dos maiores pesquisadores da Comunicação Social, o professor José Marques de Melo.

Uma das propostas é tirar o foco da Comunicação Social é concentrar-se no Jornalismo. Acredita-se que o profissional que vem sendo formado pelas faculdades brasileiras não recebe o preparo necessário para o exercício da atividade jornalística.

Defendo a necessidade de mudanças na grade curricular. Mas tenho notado que o grupo que estuda as alterações ainda não sabe muito bem onde pretendem chegar. Algo para o qual ainda não encontramos resposta é: o curso deverá ser eminentemente técnico?

É verdade que este é o anseio da maioria dos estudantes de Jornalismo. Mas, cá com meus botões, acredito que não deveria ser este o principal foco da nova grade curricular, pois a técnica muda – a formação social, humana, não.

Para tentar dar conta desse impasse, a intenção de Marques de Melo é ouvir os notáveis do jornalismo – autores e profissionais da área. Não creio no consenso, mas é uma alternativa.

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A paixão do professor…

Gosto de ser professor. Já disse aqui algumas vezes. Encaro a atividade como uma missão. Talvez por minha crença de que apenas a educação pode mudar as estruturas sociais e levar o indivíduo a refletir sobre o ambiente em que vive e suas condições de vida.

A sala de aula é o palanque, o púlpito do educador. Naquele ambiente, forma-se mais que o futuro profissional para o exercício da atividade que escolheu. É lá que o professor deve motivá-lo a pensar sobre os verdadeiros valores éticos e morais. Cada teoria é mais que uma teoria. É uma oportunidade de se valorizar o que somos e o que podemos ser.

É isso que justifica a presença do professor em sala de aula. Ensinar a técnica da profissão, preparar o aluno apenas para o exercício profissional é descartável – algo que, com um pouco de esforço e disposição, qualquer pessoa é capaz de fazê-lo. Na verdade, em boa parte das profissões, a técnica/habilidade aprende-se na repetição, no ato de fazer de novo. A sala de aula é apenas o caminho que conduz à profissionalização.

Por isso, o ambiente escolar deve ser o palco para o desenvolvimento do ser. A aprendizagem da língua, da matemática, da geografia, da história, da filosofia etc precisa ser apenas consequência de uma relação entre aluno e professor. Este, por sua vez, empenhado em levar o aluno a ver a vida e o mundo de uma forma diferente, inesperada, incomum. Visando, por fim, contribuir para o desenvolvimento de um sujeito melhor, ativo, com discernimento e comprometido com o bem comum.

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Educação sem qualidade…

As pessoas não estão preocupadas com isto. Deveriam, mas não estão. A educação oferecida pelas escolas brasileiras tem qualidade sofrível. Entretanto, pouca gente se dá conta de que temos um problema com consequências que não se pode medir.

Novos dados chegam ao nosso conhecimento nesta semana. Os resultados do Enem 2008 começam a ser divulgados nesta quarta-feira. Os primeiros dados revelam que as escolas públicas têm os piores resultados. Quase 90% delas estão abaixo da média do país. As instituições que aparecem no topo do ranking, com as melhores notas, são particulares.

É fácil simplificar a discussão. É fácil dizer “tudo que vem do Estado é ruim”. Afinal, basta fazer um paralelo com outros serviços públicos para chegar a essa conclusão. Quer exemplo mais claro de incompetência e falta de qualidade que o da saúde pública? Por isso, é fácil dizer que a iniciativa privada faz tudo melhor que o Estado.

Mas não poderia ser assim. Isto, porque geralmente o Estado gasta mais para fazer menos que a iniciativa privada.

No caso das escolas, quase sempre o Estado paga mais e melhor que as escolas particulares. No Paraná é assim. Conheço dezenas de professores de escolas particulares que sonham em trabalhar nas escolas estaduais. Sabem que, no Estado, vão ganhar mais, terão mais tempo para o preparo de aulas e sofrerão menos pressão.

Mas nem por isso as escolas estaduais do Paraná são melhores que as particulares. Pelo contrário, na lista das dez melhores, não aparece nenhuma instituição gerida pelo Estado.

Por que isto acontece? Penso que o problema está na gestão.

Nas escolas particulares, os professores prestam contas de suas aulas, do conteúdo trabalhado, para seus coordenadores, diretores, além de sofrer questionamento de alunos e pais. Também existe um direcionamento. O educador precisa dar conta de um programa de ensino. Tem metas a alcançar. Avalia e é avaliado. Se seu desempenho é medíocre, se não investe na formação, certamente perde espaço e é substituído.

No Estado, nada disso acontece. O poder público acompanha resultados como o do Enem apenas para fazer marketing político (claro, quando os dados são positivos). Educação não é levada a sério. Existe de tudo – desde diretores que ocupam o cargo por indicações políticas até secretários que desconhecem o que é educação, que não são técnicos e apresentam pouca habilidade de gestão. Até boas ideias são “roubadas”, porque o gestor está focado em transformar tudo em benefícios políticos próprios.

O Estado não dá conta de oferecer qualidade por que trata da educação sob uma ótima política.

Prefeitos, governadores também parecem ver a educação como um peso ou como se estivessem prestando um favor à população. Por que digo isto? Simples. Eles são os primeiros a colocar os filhos em escolas particulares. Se acreditassem na competência da gestão educacional de suas administrações, os filhos de prefeitos e governadores estudariam nas escolas públicas.

Mas existe solução? É obvio que sim. Entretanto, mais que pagar em dia os professores, oferecer reajustes anuais e até plano de carreira, é preciso ter uma política ampla de educação. Com gente comprometida, interessada no bem comum e na promoção da cidadania.

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Sobre o blog de Ronaldo Nezo

Este é só mais um blog. Nem melhor, nem pior que outros tantos que existem por aí. Este jornalista, professor e blogueiro não intenciona se apresentar como dono da verdade e da razão. Apenas pensar alto sobre diferentes temas. O respeito ao outro, a ética e o bom-senso são nossos principais valores. Ninguém precisa concordar com nada aqui publicado, mas caso queira conhecer nosso pensamento a respeito dos mais diferentes temas, basta navegar pelos textos disponíveis. E, no arquivo, tem muita coisa que considero relevante. O sistema de buscas está aí logo acima.

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