Blog do Ronaldo

Icon

Um espaço de reflexão pessoal sobre a vida e a sociedade

Ontem, hoje, amanhã

Por que planejamos tanto o futuro ignorando o presente? Nosso hoje é o amanhã de ontem. Ontem, pensávamos no que faríamos hoje. E agora desprezamos o hoje, porque estamos ocupados demais com o amanhã. Assim vivemos dia após dia abdicando da vida e do que de melhor ela nos proporciona.

Gostamos da vida, mas sempre achamos que o melhor ainda está por vir. Às vezes me pego projetando como serão meus dias quando aposentar. Imagino o que vou fazer. Penso na possibilidade de dormir até mais tarde, descansar após o almoço, encontrar amigos, ter mais tempo para ler, escrever… Quem sabe até o livro que alguns amigos andam sugerindo.

São planos, projetos. Não significa que a vida hoje seja ruim. Pelo contrário. Tem momentos maravilhosos. Mas o que está nos sonhos parece mais encantador.

Talvez você não pense tão distante como eu… Afinal, minha aposentadoria – se é que algum dia tenha coragem, de fato, de parar de trabalhar – está para daqui 25, 30 anos. Mas creio que também tem planos. Todos nós temos.

Meus filhos têm os deles. Sonham ser adultos. Acham que ser adulto é o máximo. Vão poder assistir os filmes que desejam, sair com os amigos, dirigir o próprio carro, terão a própria casa e não serão cobrados pelas toalhas que esquecem sobre a cama e nem pelos brinquedos espalhados pelo chão. Ah… e nem escutarão mais a mãe pedir que ajudem a lavar e secar as louças.

Essas pequenas coisas que hoje não incomodam os adultos parecem um peso na infância. Por isso, as crianças vêem o universo adulto com uma certa inveja. Eles querem conquistar o direito de tomarem as próprias decisões, almejam o dia em que serão livres. Liberdade que desconhecem. Mas que faz parte do imaginário infantil.

Hoje, muitos de nós gostaríamos de retornar aos nossos primeiros anos de vida. Naquele tempo não nos ocupávamos das responsabilidades que agora temos. Quando olhamos para trás tudo parece muito simples. Tínhamos, inclusive, alguém que decidia por nós. Sentíamo-nos seguros. Errar poderia custar alguma repreensão – quem sabe até umas palmadas -, mas nunca perdíamos tanto. Sempre havia alguém para ajuntar os “cacos”.

Quando me pego olhando demais para o amanhã, idealizando o futuro, procuro exercitar a razão. Confesso que não é fácil. Porém, tento recordar da infância e ver que no passado também plantei muitos sonhos. Projetei os dias de hoje. Acreditava que eles seriam os melhores da minha vida. Por isso, não posso perder a oportunidade. Se deixá-los escapar, meus dias terão passado vazios.

O hoje é o único momento que verdadeiramente me pertence. A infância, a adolescência, a juventude são lembranças; também não podem ser alcançadas. E o futuro… Ah, o futuro só será realmente bom se souber aproveitar o aqui e agora. Do contrário, viverei de lembranças e com as culpas de ter deixado a vida passar.

Arquivado como:Diário, Sociedade , , ,

Blogueira é vítima da ditadura cubana

A blogueira cubana Yoani Sanchez foi sequestrada e espancada por agentes da ditadura cubana. O fato aconteceu no último dia 6, mas só agora começa a repercutir na imprensa mundial. Ela talvez seja a única voz que protesta contra a violência do governo repressor de Cuba.

O blog de Yoani é censurado no país. Mas ainda assim a blogueira uso a internet para mostrar para o mundo a farsa do governo autoritário e retrógrado de Cuba.

Lamentavelmente, ninguém que socorreu Yoani Sanchez teve coragem de falar sobre o ato de violência contra a blogueira. Nem mesmo os médicos.

Arquivado como:Mídia, Sociedade , , , , ,

Estudante com microvestido irrita garotas

A Folha fez o teste… Convidou uma atriz para visitar quatro faculdades a fim de verificar se seria “notada”. A garota foi com vestido curto, provocante, tecido fino, e sem sutiã.

Não deu outra. As garotas olharam de cara feia, os rapazes ficaram constrangidos. Também não faltaram comentários do tipo: “puta”, “só pode ser aluna da Uniban”, “veio prospectar freguesia” e até “Isso é roupa de vir à faculdade?”.

Ou seja, o caso Geisy não foi e nem será capaz de superar a visão machista e moralista que se esconde atrás de nossa máscara liberal.

Arquivado como:Educação, Sociedade , , , ,

Sem família, sem filhos

George Clooney não quer ter filhos nem formar uma família. A notícia está no Uol. É direito dele. É melhor uma atitude consciente dessa que colocar um filho no mundo que terá um pai – ou uma mãe – ausente.

Entretanto, ainda me assusto com esse tipo de escolha. Não ter um filho significa se concentrar apenas em si. Não se dispor a doar um pouco de si para o outro. Entendo que o filho representa um pouco isto: o jeito de Deus nos disciplinar para o amor desinteressado.

Quanto à família, talvez seja a maneira mais eficiente de aprendermos a conviver com pessoas, fazer concessões, ser tolerante, dividir.

Arquivado como:Sociedade , , , ,

Professor abusa de menores

Um professor da região de Maringá foi preso. É suspeito de abusar de menores. A polícia não sabe dizer se as vítimas eram os próprios alunos. Material pornográfico produzido a partir dos abusos foi divulgado no Brasil e até na Europa.

O fato é assustador. É verdade que em todas atividades existem profissionais e profissionais. Não dá para dizer que todo educador é um potencial abusador de menores.

Entretanto, é preciso reconhecer que o professor está próximo demais das crianças e dos adolescentes. Isto garante acesso a uma relação mais íntima.

Mas é lamentável observar que pessoas que deveriam trabalhar para proteger a infância e a adolescência usem a atividade para a prática criminosa.

No entanto, é preciso reconhecer que desvios de conduta são inerentes aos homens.

Não se espera que um educador abuse de seus alunos.
Não se espera que um pai violente o próprio filho.
Não se espera que um médico abuse da paciente.

Abusos sugerem que falhou a rede de proteção. Nesse caso, só depois de cinco anos os crimes foram descobertos. Por que tanto tempo de silêncio?

Falharam os colegas, os diretores, os pais. Não conseguiram notar nada. Não conquistaram a confiança dessas crianças. Por que nenhuma delas denunciou?

Creio que o fato sugere a necessidade de aprendermos a lição. Temos que cuidar melhor de nossas crianças e adolescentes. Não temos como impedir que criminosos existam debaixo da pele de educadores, pais, médicos etc. Entretanto, podemos evitar que ajam por tanto tempo impunemente.

Arquivado como:Educação, Polícia e Segurança, Sociedade , , ,

Por um mundo melhor

Tenho algumas manias. Como todo mundo. Claro, algumas são boas. Outras, nem tanto. Entretanto, só quem está convive comigo pode avaliá-las melhor.

Entre os hábitos que tenho está o de desligar o celular sempre que vou falar com alguém. Entendo isto como uma forma de respeito ao outro. Afinal, não é nada agradável estar falando com uma pessoa e o telefone tocar.

Hoje, estava conversando com um conhecido que não via há algum tempo. Era um papo informal. Nada muito sério. No meio da conversa, o celular dele tocou. Tirou o aparelho do bolso e simplesmente interrompeu a ligação. Não fez comentário algum. Apenas continuou a conversa.

Minutos depois, quando sentei diante do computador, postei no Twitter:

Ganha minha admiração quem – quando está falando comigo e toca o celular – tem a capacidade de desligar o aparelho.

Volto a dizer. É uma questão de respeito. Os telefones são importantes. Quem está do outro lado tem um motivo para ligar. No entanto, tornamo-nos reféns desse aparelho. Ele é capaz de interromper qualquer conversa, qualquer reunião.

Não foram raras as vezes que passei minutos e minutos, quase horas, na sala de alguém tentando discutir algum assunto, mas não conseguia por causa do “simpático” telefone. A cada frase, uma ligação. Impossível.

Desperdiça-se um tempo enorme, de duas ou mais pessoas, pelo simples fato de não haver capacidade para manter o aparelho desligado por alguns minutos.

Na verdade, a impressão que tenho é que a pessoa ali a sua frente não está presente. Ela é o típico “presente, ausente”. Tem-se o corpo físico, mas não se tem a mente, o coração.

Culpa da tecnologia? Não. As ferramentas tecnológicas não podem ser responsabilizadas por nossa incapacidade de lidar com elas e priorizar o que de fato é prioritário.

Por isso, quando o outro é capaz de não atender o telefone, é como se estivesse dizendo: “você é importante. Nossa conversa me interessa. Quero ouvi-lo. Estou falando com você… Nada mais importa”.

Arquivado como:Educação, Sociedade , , , , ,

Existe idade ideal para a criança sair sozinha?

Gravo daqui a pouco o Questão de Classe. Mais uma vez, a educação será o foco do nosso papo. Vamos tentar responder a dúvida de muitos pais:

- Com que idade a criança pode sair sozinha?

Afinal, será que existe uma idade ideal? Dá para identificar quando a criança tem maturidade para sair sozinha? Existe uma receitinha para quebrar o vínculo? Como os pais podem lidar com seus medos? Essas são algumas perguntas que tentaremos responder.

Como pai e educador, me vejo muitas vezes neste dilema. A gente tenta segurar os filhos pelo bem deles. Mas também não podemos criá-los distantes do mundo. Do contrário, nunca estarão preparados para tomarem as próprias decisões. Ou, como se diz por aí, “caminharem com as próprias pernas”.

Particularmente, creio que hoje vivemos os dois extremos. Tem pais liberais demais, permissivos. Estes deixam os filhos “soltos” antes da hora. Mas há o outro lado. Lembro até de um filme, O Rei da Água. O personagem principal tinha 31 anos e não podia ficar longe da mãe. A coisa é um pouco exagerada, mas mostra uma mãe protetora, que impede o filho até mesmo de ir à escola. Namorar então? De jeito nenhum. Era coisa do demônio.

Infelizmente, isso ainda acontece. Sei de um caso, por exemplo, de um garoto de 14 anos que mamava todas as noites. A mãe preparava mamadeira antes de o filho dormir. Claro, um adolescente como esse é infantilizado pelos próprios pais. Irresponsáveis, é preciso dizer.

Arquivado como:Educação, Sociedade , , ,

Reconhecendo nossos próprios sentimentos

Há dias em que se tem o desejo de nada dizer. O silêncio é tudo que se anseia. Tendo como “sobremesa” o fim do dia. Pelo direito de um novo começo.

Com todos é assim. Claro, alguns sofrem mais diante de coisas que não dão certo. Ficam incomodados, entristecidos, divagando no meio do nada em busca de resposta para aquilo que, por si só, já nasceu sem solução.

Lembro agora de um dizer que não sei onde ouvi. “O que não tem solução, solucionado está”.

É verdade. Às vezes, sofremos por coisas que não temos controle. Por que isto acontece? Porque é de nossa natureza. O homem é esse ser complexo, quase incompreensível.

Como disse, cada um de nós responde de maneira diferente ao que ocorre conosco. Tem gente com a incrível capacidade de não se deixar afetar pelo que de negativo acontece em seu dia. Outros reagem de forma profunda. Sentem-se incapaz de prosseguir em suas atividades. Tudo parece negro.

Quem experimenta os sentimentos de forma tão intensa geralmente perde a chance de viver coisas positivas. Parece uma neurose. Foca-se no problema e o que há de bom é simplesmente ignorado. E, ainda que seja difícil acreditar, sempre há coisas boas acontecendo. Nossos dias são de derrotas e vitórias. Quando se esquece de comemorar as conquistas, valoriza-se demais as frustrações abrindo espaço para outros fracassos.

O primeiro passo para superar esse tipo de comportamento é reconhecer que não é bom viver assim. É necessário identificar o desequilíbrio. As decepções não devem ser superdimensionadas.

É verdade que não controlamos plenamente nossos sentimentos. Ninguém é capaz de dizer para si mesmo: “não vou ficar triste”. Mas é possível se esforçar para romper as barreiras criadas pelas circunstâncias desfavoráveis.

- Olhe pra você. Veja o quanto é capaz. Reconheça seu potencial. Identifique as coisas boas do seu dia, da sua vida – podem ser pequenas, mas elas estão aí. Ria da vida, inclusive dos tropeços, dos desencontros. Chore, se necessário. Mas não ignore que o desabafo nunca deve ser mais intenso do que você significa de fato – do ser humano que você é.

Sabe, conhecer a si mesmo faz uma enorme diferença. Nossos sofrimentos quase sempre permanecem sem sentido, porque desconhecemos nossos desejos, potenciais e fragilidades. Olhamos pouco para dentro de nós. Preferimos ver aqueles que estão ao nosso redor. Chegamos ao ponto de saber mais a respeito dos outros do que sobre quem somos.

Concluo dizendo, nossa caminhada por aqui se tornará mais leve, agradável, feliz – com direito a ter paz de espírito – quando soubermos quem somos. Isto nos fará capazes de responder melhor aos nossos próprios sentimentos.

Arquivado como:Sociedade , , , ,

Zina, um ídolo dependente químico e com problemas mentais

Talvez a pessoa da mídia que eu mais cite por aqui seja a Rosana Hermann. Primeiro, porque de certa forma ela é inspiração para centenas de blogueiros deste país. Segundo, porque tem uma inteligência rara; por fim, visão ampla – e sem preconceitos – do que é a mídia.

Hoje, aniversário do Zina – que, por suas piadas com o cara do Corinthians, tem me criado situações não muito confortáveis no dia a dia -, a jornalista fez um texto lúcido a respeito do drama desse “humorista” do Pânico que conquistou o Brasil. Rosana pontuou questões importantes. Entre elas, as debilidades do Zina e nossa, digamos, vocação para achar graça de pessoas que precisam de ajuda.

[...] o presente de aniversário que eu acho que o Zina precisa ganhar é um tratamento. Tratamento para sua dependência química, tratamento para seus transtornos mentais para tudo o que ele precisar.

Porque não é justo que um ser humano sofra ou que riam de suas debilidades. [...] Mas também não é justo construir um país que só consegue ofecer como exemplo de ídolo, um dependente químico com problemas mentais, que se torna engraçado por falta de tratamento.

Arquivado como:Mídia, Sociedade , , ,

Dependentes da internet

O uso da internet tem sido um tema recorrente em nosso blog. Contudo, quero voltar ao tema.

Relendo algumas reportagens antigas da revista Isto É, encontrei, na edição do dia 15 de agosto (2008), um tema que quero compartilhar. Trata-se de uma iniciativa do Hospital das Clínicas de São Paulo. O hospital lançou um novo serviço: um programa de atendimento aos usuários com dependência de internet.

Isso mesmo. A internet que informa, a internet que diverte, a internet que possibilita uma comunicação rápida e fácil é a mesma que tem tornado milhares de pessoas viciadas.

Para se ter uma idéia, calcula-se que 10% daqueles que usam a rede já estejam dependentes. Essas pessoas não conseguem passar um único dia longe da tela do computador.

De alguma forma, identifico-me com este público. Às vezes me pego navegando, navegando… Saindo do nada e indo pro lugar nenhum. Coisa de louco mesmo.

Entretanto, um fato que preocupa é que parte significativa desses dependentes é formada por adolescentes e jovens. Ou seja, quanto mais jovem maior é o risco de se tornar um viciado em internet.

Deve-se ainda considerar que, para esse público, a internet já é a principal fonte de entretenimento.

Existem algumas características que identificam o vício. Entre elas, o tempo que se passa navegando. Quanto mais, maior é a dependência. Por outro lado, o viciado também pode ser identificado quando não consegue estar satisfeito se for afastado ou tiver que passar um único dia longe do computador.

Caro amigo, o assunto pode até parecer bobagem para você. Mas quero dizer que a situação é muito mais preocupante do que você pensa. O serviço de atendimento do Hospital das Clínicas de São Paulo não surgiu por um preciosismo da direção daquela instituição. O hospital criou esse programa por que existem milhares de pais que já não sabem o que fazer para tirar os filhos da frente do computador. Tem adolescente ficando até 40 horas ininterruptas conectado na internet.

E pior é que o vício começa sem que a pessoa perceba… O que hoje parece normal, amanhã pode ser um quadro de dependência psicológica.

O assunto é mesmo sério. Semelhante a textos anteriores, não quero aqui ser o chato que diz para você ficar longe da internet. De jeito nenhum. Também uso a rede, gosto de navegar, pesquiso informações diversas, leio notícias, tenho blog pessoal, twitter, perfil no orkut, facebook, enfim, uso muito a internet. Mas procuro usá-la a meu favor. No entanto, é preciso reconhecer que o mundo digital esconde riscos.

No mundo contemporâneo, não apenas vícios como bebida, cigarro e outras drogas são capazes de tornar as pessoas dependentes. A internet também vicia. E pior que isso. A rede tem tirado muita gente da sintonia com o mundo real. Alguns chegam ao ponto de se tornarem incapazes de manter um diálogo olho no olho. Por fim, vale acrescentar que dependentes de internet têm se tornado pessoas irritadas e frequentemente sofrem com quadros de depressão.

Arquivado como:Sociedade, Tecnologia , ,

Faz bem casar com as mais jovens

Meses atrás o Fantástico veiculou uma reportagem a respeito de homens que se casam com mulheres mais jovens. Com base numa pesquisa científica, revelou que eles vivem mais quando se unem às mais novas. Quanto maior a diferença, melhor.

Recordo que ouvi a chamada da matéria no Faustão. O apresentador até brincou que havia gostado muito da novidade. Afinal, é casado com uma mulher cerca de 27 ou 28 anos mais nova que ele.

Ontem, achei outra reportagem que incentiva os homens a procurarem pelas mais novas. Uma pesquisa britânica sustenta que o casamento dura mais se a mulher for mais jovem e mais inteligente.

Cá com meus botões cheguei à conclusão que a ciência anda meio machista. Está dando argumentos (além dos estéticos, é claro) aos homens para optarem pelas mais jovens.

Arquivado como:Sociedade , , ,

A infelicidade de ser um anônimo

A sempre ótima Rosana Hermann publicou um texto que faço questão de reproduzir parcialmente. Ela trata de algo sobre o qual vez ou outra reflito aqui: a crítica, a ofensa, o anonimato na rede.

Na ânsia de atrapalhar, ofender, criticar, há quem gaste tempo e energia não apenas à toa mas de forma totalmente burra. Eu acho que a ira emburrece o ser humano. Deixa a pessoa tapada, sem capacidade de raciocinar.

Dá pra acreditar que alguém se dê ao trabalho de usar um perfil inativo, vazio, só para postar uma farpa contra a outra? É muita dor, muita infelicidade. Uma alma encarcerada, que não consegue nem dizer uma linha por si mesmo, usando sua cara e seu nome.

Eu já senti muita raiva. Hoje eu sinto pena. E dou graças por não ser assim. E, se me reconheço neste triste gesto, se me lembro de algum dia ter pensado em fazer algo semelhante, me acaricio com compaixão e me perdôo. Porque ninguém pode ser culpado de se sentir infeliz.

Tenho comigo que alguém que se presta a esse tipo de serviço só pode mesmo ser muito infeliz. Afinal, nem dono de seus pensamentos ele pode ser. Não assinar, esconder-se, apresentar-se como outro é o mesmo que não existir. É uma agressão ao próprio ego.

Arquivado como:Sociedade, Tecnologia , , , , ,

Como vencer o instinto consumista?

Tem um post antigo no blog sobre os jovens de hoje. Aponto a alienação e, entre outras coisas, ressalto o consumismo como característica da atual geração. Hoje, recebi mais um comentário no post. Além de admitir que não resiste a uma boa oferta, ela pediu conselho: – como superar o instinto consumista? Difícil responder… Acredito que passa pela adoção de uma atitude racional e, em alguns casos, da necessidade de psicoterapia.

Arquivado como:Sociedade , , ,

Judiciário em baixa com a população

Uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas revela que o brasileiro desconfia da Justiça e reclama da morosidade. Juízes são vistos como parciais e nem sempre, honestos. Mais curiosa foi a nota atribuída ao Judiciário. Recebeu 5,6. Menor que segundo trimestre deste ano (5,9).

Perguntei aos ouvintes e leitores do Twitter que nota dariam. Ouvi de tudo. Até gente que chamou os juízes de mafiosos. E a menor nota que atribuíram ao Judiciário foi 6. Ou seja, os senhores da lei estão mesmo com a moral baixa diante da população.

Arquivado como:Sociedade , ,

As mulheres estão infelizes

Homens e mulheres se orgulham do mundo que construíram após a década de 1960. Esse foi um período de grandes transformações. Sob vários aspectos. Desde a produção cultural, passando pela economia, até as mudanças de hábitos e costumes.

Foi na década de 1960 que as mulheres declararam sua independência. Buscaram oportunidades no mercado de trabalho, lutaram pela igualdade de seus direitos e assumiram seus desejos sexuais.

Mas o que parecia a realização de um sonho se transformou em frustração. Uma reportagem publicada pela revista Época desta semana revela que as mulheres estão infelizes. Elas nunca tiveram uma vida boa. Entretanto, hoje estão muito mais tristes.

Um estudo realizado por dois pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, mostra que houve um declínio da satisfação feminina nas últimas três décadas. Parece contraditório. Afinal, parte dessa insatisfação tem relação direta com as supostas conquistas da luta feminista iniciada na década de 1960.

Elas ampliaram seus horizontes. Mas o fato de terem espaço semelhante ao dos homens – no trabalho, na vida, no sexo – trouxe conflitos subjetivos. Os pesquisadores Betsey Stevenson e Justin Wolfers afirmam que “a vida das mulheres ficou mais complexa e sua infelicidade atual reflete a necessidade de realização em mais aspectos da vida, se comparados aos das gerações anteriores”.

Na prática, “as mulheres foram para a rua, mas mantiveram a responsabilidade emocional pela casa e pela família.” Como diz a jornalista Martha Mendonça, da Época, é o pesadelo da dupla jornada, física e emocional, que exaure as mulheres e destrói casamentos.

Exige-se demais das mulheres. Exigência esta, é preciso dizer, que nasce quase sempre na própria mulher. Elas sonham alcançar as mesmas posições e salários que os homens, buscam ter vida social e sexual ativa, querem ser mães e donas de casa eficientes, e ainda se sentem obrigadas a estar sempre jovens e bonitas.

É impossível dar conta de tudo. Quando se tem sucesso profissional, a vida pessoal – casamento e filhos – geralmente fracassa. Se a prioridade for o lar – cuidar do marido, dos filhos, do lar -, dificilmente haverá realização no mercado de trabalho.

A decisão é dela. Esta liberdade de escolher causa ansiedade, medo. Elas se pegam a questionar: o que é melhor? Carreira ou família? Não são raros os casos de mulheres que abriram mão do casamento para ter sucesso profissional e hoje relatam estar infelizes. Elas querem construir um novo relacionamento. Mas também não estão dispostas a abrir mão da carreira. Então, o que fazer?

Soma-se a essas incertezas a maior pressão de todas: a busca da beleza e da eterna juventude. Nunca se valorizou tanto o corpo belo e jovem. O apelo estético beira a irracionalidade. Por isso, quanto mais os anos passam mais frustradas ficam.

O estudo desses pesquisadores americanos sustenta essa tese: após os 40 anos, as mulheres estão mais infelizes. E não se trata de algo objetivo, que medidas práticas possam resolver. O conflito é interior, subjetivo, tem a ver com os desejos de realização, as projeções que se tem para a vida.

Por isso, estar de bem a vida é também uma escolha. Uma escolha de aceitação. De compreensão que na vida não se tem tudo que se quer. Como dizem por aí: ninguém pode abraçar o mundo. Ser bem-sucedido em tudo é impossível. É preciso priorizar e se satisfazer com as conquistas, sem lamentar as perdas que certamente existirão.

Arquivado como:Educação, Sociedade , , ,

Estudo revela que pena de morte é inútil

Para quem defende a pena de morte como instrumento de punição ao crime, o estudo é um balde de água fria. O Centro de Informação da Pena de Morte dos Estados Unidos revelou que a medida tem se tornado onerosa e inútil naquele país. A pesquisa sustenta que a pena de morte é uma forma de desperdício do dinheiro público.

Até os chefes de polícia não acreditam na medida como forma de inibir os crimes. 57% deles entendem que a pena de morte não reduz os crimes violentos, pois quem os pratica não pensa nas consequências.

Arquivado como:Polícia e Segurança, Sociedade ,

Congressistas rejeitam direito ao aborto

Pesquisa realizada no Congresso Nacional revela que 57% dos parlamentares brasileiros são contra qualquer mudança na legislação que trata do aborto. Eles entendem que o país não pode permitir a interrupção da gravidez. Tem um grupo, inclusive, contrário ao aborto até mesmo em casos de risco de morte da mãe ou de estupro. Apenas 18% dos congressistas apoiam de maneira irrestrita alterações na lei, de maneira que se conceda à mulher o direito de interromper a gestação.

Arquivado como:Política, Sociedade , ,

Imagens construídas pela rede

Ainda me assusto com as possibilidades criadas pelas novas tecnologias. Pela tela do computador, estamos em todos lugares ao mesmo tempo. Pelas suas teclas, escrevemos, publicamos fotos, sons, vídeos… E perdemos o controle daquilo que, originalmente, era só nosso.

Nossas opiniões tornam-se conhecidas, aplaudidas, comentadas, questionadas, criticadas. Tornamo-nos amigos, inimigos de gente que nunca vimos. O que publicamos na rede nos promove ou pode servir até para um linchamento virtual – mas que geralmente se transfere para a vida real. Quem nos segue projeta uma imagem a partir daquilo que vê ou lê sobre nós ou publicado por nós.

Isto é bom ou ruim? Não há resposta simples para tal pergunta. Mas numa tentativa de resumi-la, poderíamos dizer que, se nem mesmo a convivência por anos permite que conheçamos de verdade uma pessoa, como alguém poderia se tornar conhecido apenas pelo contato que mantemos pela rede? É impossível.

A internet possibilita apenas a construção de imagem. Quase sempre, estereotipada. É mais ou menos como acontecia – e ainda acontece – na relação do público com um locutor de rádio. Ao ouvir a voz, a pessoa cria uma imagem do comunicador. Quando vê pessoalmente – ou por uma foto -, sempre se surpreende.

Por isso, entendo que esse universo cheio de possibilidades também traz tantos riscos. Um deles é o do julgamento precipitado, maldoso, intolerante.

Arquivado como:Sociedade, Tecnologia , , , , ,

Jovens admitem dependência da internet

O estudo não aponta a nossa realidade, mas revela que é crescente a dependência que temos da internet. Na Inglaterra, uma pesquisa apontou que 75% dos jovens admitem que não vivem sem internet. O grupo pesquisado tinha entre 16 e 24 anos. Também é curioso notar que 45% deles disseram que são mais felizes quando estão online.

Cá com meus botões, entendo que tal realidade não tem volta. Somos dependentes da rede. Alguns de nós passamos seis, oito horas por dia diante de um computador – e conectados à rede. Mas entendo que precisamos cuidar para que essa dependência não se torne doentia. Afinal, já tem gente que não consegue mais se relacionar pessoalmente, apenas no universo virtual. E esta é apenas uma das consequências negativas das nossas intensas atividades em rede.

Arquivado como:Sociedade, Tecnologia , ,

Liberdade na infância

Estou em busca de alguém para falar sobre um tema apaixonante… A liberdade da criança. Li na Isto É uma entrevista com um filósofo francês que deveria ser leitura obrigatória para todos os pais e educadores. Carl Honoré diz que, em nome da competitividade, estamos transformando a infância num período de estresse semelhante à vida adulta.

criancas_brincandoAcredito nisso. Defendo, inclusive, que a criança não deve ser levada para a escola antes dos seis anos. Claro, há situações que carecem da exceção. Também entendo que a agenda da criança não deve ser lotada por outras atividades – inglês, natação, judô etc etc – como fazem muitos por aí. A melhor proposta ainda é garantir educação em meio período – preferencialmente pela manhã – e, no outro, permitir que o filho brinque à vontade.

Sobre os projetos dos pais para os filhos, Carl Honoré diz:

- Não há nada errado em encorajar o talento de um filho. Pelo contrário. É uma das principais responsabilidades dos pais identificar suas paixões e ajudá-los a desenvolvê-las. Mas existe uma grande diferença entre incentivar um talento e colocar a criança sob pressão, numa corrida obsessiva mirando o topo. A infância serve para descobrirmos quem somos e no que somos bons gradualmente, sem ninguém decidindo por nós. Deveria ser um tempo de experimentação em uma série de atividades diferentes. Focar logo cedo em algo leva ao perigo de se fechar para outras opções. Você limita os horizontes da criança no momento em que ela deveria estar aberta para um mundo de possibilidades. Uma criança não é um projeto que você pode modular. Ela é uma pessoa que precisa de permissão para ser protagonista de sua própria vida.

Arquivado como:Educação, Sociedade , , , ,

A gentileza que nos falta

Gosto demais dos textos da jornalista Eliane Brum. Embora seja necessário gastar tempo para ler o que ela escreve, vale a pena cada palavra. Nesta semana, a coluna dela na Época trata de algo que anda em falta, a gentileza. Falta-nos disposição para sermos gentis. Ocupados demais, estamos sempre mau humorados. Entretanto, a gentileza que nos falta sentimos sua ausência nos outros. Às vezes, em pequenas coisas. Mas, como diz Brum:

- Até é possível reivindicar boa educação – embora seja cada vez mais difícil. Mas é impossível exigir gentileza.

A falta de gentileza parece ter relação com algo que já discuti aqui, nossa disposição à intolerância. Não é difícil notar que as pessoas pouco praticam a tolerância. Sintoma do individualismo, que também rouba do homem sua capacidade de ser gentil.

E, por incrível que pareça, ainda que possamos racionalizar e considerar naturais tais sintomas da sociedade pós-moderna, a ausência de determinados comportamentos pode ser sentida, pois nossa humanidade reclama por bondade.

- Se cada um de nós fizer uma reconstituição mental do nosso dia, hoje mesmo, vai perceber que o pior dele foi causado porque não foram gentis conosco nem fomos gentis com os outros. Desde o bom dia que faltou, o por favor que não foi dito, a buzina desnecessária no trânsito, a cara fechada, o sorriso que economizamos, a ajuda que poderíamos ter dado e não demos, ou ainda a que não recebemos, o elogio que não veio, a crítica que deveria ter sido feita para somar, mas foi programada para massacrar, o veneno que escorreu da nossa boca e da dos outros. Uma soma de pequenos e desnecessários gastos de energia que só serviram para nos intoxicar.

Eliane Brum continua:

- Hoje, tratar mal as pessoas, marchar pelos corredores, fechar a cara, não dar bom dia e dizer coisas duras sem nenhum cuidado parece ser um atributo dos poderosos. Quase uma virtude.
Lamentável, não?

Talvez, para concluir, seja necessário lembrar o que é ser gentil. Afinal, se já não mais encontramos gentileza, é importante recordar.

Gentileza é o exercício cotidiano de vestir a pele do outro. É cuidar não de alguém, mas de qualquer um. Mesmo que ele não seja nosso parente, mesmo que seja um estranho. Cuidar por nada. Sem precisar de motivo. Cuidar por cuidar. [...] O resgate desta gratuidade, de algo que é dado sem esperar nada em troca, é o que faz nosso mundo estremecer.

Arquivado como:Sociedade , , , ,

Visite o bar dos pelados

Que tem gosto pra tudo a gente já sabe… Dia desses publiquei aqui uma novidade: trabalhar pelado como estratégia para aumentar a produtividade. Mas não conhecia ainda o bar dos pelados. Como diz um apresentador de tevê, “loucura, loucura, loucura”.

Arquivado como:Sociedade , ,

Maringá poderá adotar horário limite para venda e consumo de bebidas alcoólicas

Abrimos o CBN Maringá Primeira Edição discutindo a possibilidade de adoção da chamada Lei Seca dos bares e restaurantes. A proposta foi discutida ontem pelo Conselho Comunitário de Segurança, com apoio do Executivo. A ideia é estabelecer um horário limite para a venda e consumo de bebidas alcoólicas em Maringá.

Não é a primeira vez que o assunto é tratado. Já houve tentativas de implementar tal legislação. A Câmara sempre rejeitou. Agora pode ser diferente.

Cá com meus botões entendo que o assunto é complexo. Difícil de avaliar. Bares e restaurantes sofrerão prejuízos. Mas existe uma boa justificativa para isto: reduzir a criminalidade e os acidentes de trânsito. Se aplicada de forma responsável, com fiscalização efetiva, a lei certamente vai trazer benefícios para a comunidade.

Há bons exemplos de sucesso na adoção da lei que proíbe a venda e o consumo de bebidas alcoólicas. Porém, também sabemos que há necessidade de uma estrutura de fiscalização. Em cidades onde a lei foi aprovada sem um preparo específico para sua implementação, tornou-se inócua, sem função social.

Arquivado como:Polícia e Segurança, Sociedade , , , ,

Razão x coração. A quem seguir?

O que é melhor? Deixar-se guiar pelas emoções ou se dirigir pela razão? A primeira vista, parece difícil responder. Quem se deixa guiar pelas emoções, experimenta momentos de puro prazer. Por outro lado, aceita os riscos de suas escolhas, quase sempre precipitadas.

Mas a vida de quem prefere conter as emoções e fazer escolhas racionais pode parecer bastante sem graça. Poupa-se da dor, mas sempre sobra espaço para aquela pergunta inconveniente: e se tivesse feito o que dizia meu coração?

Sabe, tenho prazer em filosofar a respeito da vida. Entendo que pensar alto a respeito de temas como este é uma forma de filosofia. Filosofia cotidiana, aplicada às questões humanas. Assuntos que nem sempre paramos para refletir. Entretanto, como fugir de temas tão importantes? Este, por exemplo: afinal, o que é melhor? Deixar-se guiar pelas emoções ou se dirigir pela razão?

Todos nós experimentamos ambas respostas. Há momentos em que optamos por fazer tudo aquilo que desejamos; noutras ocasiões, estamos mais racionais. Somos capazes de avaliar as consequências e optar pelo caminho mais seguro.

Porém, tenho a impressão que em momentos decisivos da vida a razão nos escapa. Somos traídos por nossas emoções. A paixão é um desses sentimentos capazes de nos cegar. E ela nasce no peito de qualquer pessoa. A paixão não escolhe suas vítimas. Há ocasiões em que é maravilhoso apaixonar-se. Noutras, pode se colocar uma ou mais vidas a perder.

Deixa eu explicar melhor… Tem gente incapaz de acreditar que alguém que possui uma família, um bom casamento, vive feliz na relação, seja capaz de apaixonar-se por outra pessoa. Mas esta é uma verdade para muitos maridos e mulheres. Às vezes, tudo parece perfeito. O coração está repleto… De repente, um novo alguém surge e arrebata seus pensamentos. Esse alguém parece tirar seus pés do chão.

Loucura, não? No entanto, há milhares de histórias de pessoas que já viveram tais sentimentos. É pecado? Creio que depende da maneira como se vive este momento. Vai se deixar levar pelos sentimentos? Ou optar por negar o coração? A resposta é decisiva. Em situações como esta se tem muita coisa em jogo. De um lado, a promessa de uma nova emoção, de puro prazer. E do outro? Manter tudo como está.

Nas ilusões do coração se tem a impressão que há mais ganhos quando se escolhe a primeira opção. Entretanto, nem sempre o coração tem razão. A alegria da novidade se transforma em dor assim que a lente de aumento da paixão se quebra e a realidade cotidiana revela toda sua face.

A novidade perde o encanto, e as perdas – da família, dos filhos, de amigos, da comunidade – se mostram mais dolorosas do que se podia imaginar. Nada se resolve da maneira desejada e o sofrimento impede que se viva o sonho idealizado quando houve o encantamento por aquele novo alguém.

Talvez você diga: mas é sempre assim? Reconheço, há exceções. Mas em especial no exemplo citado, deixar-se guiar pelas emoções é optar por provocar mágoas, dores, sofrimento, desejo de vingança. É ainda aceitar o risco de ter o remorso como companheiro.

Arquivado como:Sociedade , , , ,

Uma feliz vitória do Brasil

Estou feliz com a vitória do Rio. Me emocionei em ver o choro do presidente Lula. Talvez represente o choro de um povo que se sente excluído; de um país por vezes ignorado pelo resto do mundo. Talvez represente o choro de uma gente que busca ser reconhecida, que deseja provar o seu valor.

Vejo no Twitter muitos que já fazem piada da vitória. É a euforia da conquista. Faz parte da natureza do brasileiro. Somos emocionais. Rimos, choramos, fazemos piadas – nos momentos de sorte e desgraça.

Mas o direito de sediar um evento tão representativo nos faz pensar no Brasil de 2016. Temos um desafio anterior, a Copa do Mundo de 2014. Para ambos, serão necessários tantos investimentos que sequer é possível fazer contas. Afinal, não bastam os recursos do governo, da CBF, COB, Fifa, COI e iniciativa privada. Há muito por fazer.

Porém, sonhamos com tudo isto. Agora é realizar os projetos. O Rio terá que ganhar um nova infra-estrutura. Para a Copa, não apenas o Rio, mas também São Paulo, Curitiba, Porto Alegre… Enfim, todas as sedes e regiões próximas, que também receberão as seleções, os treinamentos etc.

Se tudo for feito como está no papel, com responsabilidade e transparência, o país inteiro sairá ganhando. Num intervalo curto de tempo, teremos a projeção necessário que poderá alavancar definitivamente nosso turismo. E a economia com chances de deixar de ser coadjuvante dos chamados grandes.

Mas não podemos ignorar o esporte. O Brasil é pequenino diante dos Estados Unidos, China, Japão, Espanha, Cuba, Russia e outras tantas nações até menores que nós, em população e recursos. Brilhamos no futebol, no vôlei e com alguns outros poucos talentos individuais. Entretanto, quem somos para conquistar um lugar entre os 10 primeiros medalhistas?

Quanto a nós, queremos estar lá. Experimentar o prazer único desses grandes momentos.

Porém, há um caminho a percorrer. Estamos emocionados hoje. Aos poucos esse sentimento de gozo vai abrindo espaço para a vida real, concreta e de contradições. A euforia terá de se transformar em ação prática fiscalizadora, pois não podemos perder de vista as promessas feitas e nem os planos de um Brasil melhor. Afinal, esses eventos – embora muito desejados – só possuem valor se beneficiarem todo nosso povo. Do Sul ao Norte. De quem estava nas praias de Copacabana aguardando o tão esperado anúncio até quem ficou sabendo de tudo nas distantes margens do Rio Amazonas.

Arquivado como:Esporte, Sociedade , , , , ,

Os desafios de uma convivência a dois

Recebi esta semana uma ligação. Estranha, preciso reconhecer. Do outro lado, um homem falava sobre um texto que escrevi a respeito dos divórcios, separações. Ele parecia abatido. Tinha lido meu texto e queria falar sobre o assunto. Leu meu texto na internet. Era de São Paulo. Mas não consegui atendê-lo. A ligação no celular estava ruim. Não pude ouvi-lo, conversar sobre suas queixas.

Entretanto, entendi que ele queria que eu falasse mais sobre divórcio. Após desligar, fiquei imaginando… O que homem precisava? Estaria desesperado? Estaria pensando em se separar? Será que seu casamento já acabou? Não tenho as respostas. Mas sei que milhares de famílias estão se desfazendo todos os dias. São homens e mulheres que sonharam ter uma vida feliz, mas encontraram desilusão.

Tenho uma visão conservadora a respeito dos casamentos. Penso de acordo com os princípios bíblicos. Creio que duas pessoas devem se unir por amor e se tornarem um só ser. Por isso, defendo que a decisão de se casar seja um ato racional, responsável, consequente. Afinal, ninguém é obrigado a subir ao altar. Trata-se de uma escolha. E escolhas não se fazem de afogadilho.

Contudo, nem sempre é assim que acontece. Tem gente que namora dez anos. O casamento não dura seis meses. Talvez por que, muitas vezes, toma-se a decisão já imaginando: “se não der certo, separo”. É um direito. A lei permite. Até mesmo Cristo reconheceu o direito ao divórcio. Mas o que me impressiona é a incapacidade de alguns de exercitar a paciência e pôr em prática o amor.

O casamento pode ser qualquer coisa, menos algo fácil. Homem e mulher são diferentes por natureza. Num relacionamento, outras diferenças aparecem. São aquelas originadas na formação de cada um. Coisas simples… Por exemplo, um tem o hábito de tomar café pela manhã; o outro não. Um costuma jantar – arroz, feijão, carne, salada etc. O outro prefere um lanchinho.

Tem aqueles que são organizados. Separam meias, camisas, blusas, cuecas, calcinhas por cor. Os sapatos ficam divididos entre os de uso para o trabalho, para ocasiões informais, para festas… Já o conjugê é daqueles que não vê problema em deixar tudo misturado. Esquece a toalha molhada por sobre a cama, bebe água na boca da garrafa…

Sabe, geralmente são as pequenas coisas que destroem um casamento. As pequenas diferenças, com o tempo, tornam-se irreconciliáveis. Chega um ponto que um não tolera o outro. As brigas ficam cada vez mais frequentes e as separações, inevitáveis.

É a solução? Depende. Acontece que na maioria das vezes os problemas que motivaram a separação acompanham os sujeitos. A pessoa sai do casamento, mas leva consigo o egoísmo, a intolerância, a mesquinhez e todos os outros sentimentos que não permitiram o sucesso da convivência a dois.

Arquivado como:Sociedade , , , ,

Ricos, pobres, desigualdade

O rico gasta em três dias o que o pobre gasta em um ano. Este é o retrato da desigualdade revelado nas primeiras análises feitas pelo Ipea, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, com base nos dados do Pnad, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, realizada pelo IBGE.

Quando vi a notícia, republiquei no Twitter. Acrescentei um breve comentário. Apontei: é revoltante. Não, não fico revoltado com os gastos dos ricos. Reconheço que muitos esbanjam, jogam dinheiro fora. Entretanto, o que leva à indignação é a desigualdade. Enquanto alguns têm muito, outros têm tão pouco. E os que vivem com pouco são a maioria.

Esta semana conversei com um pós-doutor em Economia da Universidade Estadual de Campinas, a Unicamp. Falávamos sobre a diferença entre crescimento e desenvolvimento econômico. As duas coisas, conceitualmente, são diferentes. Historicamente, o Brasil é uma máquina de crescimento. Entretanto, segue patinando quando o assunto é desenvolvimento.

O crescimento implica na geração de riquezas. O tamanho do PIB, o Produto Interno Bruto. Mas, quando não disciplinado, planejado, não beneficia a todos.

Já desenvolvimento é algo mais complexo, amplo. Estamos falando do crescimento de riquezas que resulta na promoção humana, que dá garantia mínima de acesso de um povo aos bens e serviços gerados por uma nação. E isto efetivamente não ocorre no país.

Entre 1930 e 1980, o Brasil foi um dos campeões mundiais em crescimento econômico. Superamos até mesmo o Japão, uma das mais importantes economias do mundo. Mas quanto avançamos na distribuição de nossas riquezas?

Boa parte da população não tem trabalho digno. Não tem renda suficiente para atender as necessidades básicas do homem – alimento, moradia, saúde, educação. Aqui não relacionamos sequer o direito ao lazer, fundamental para que a vida não se torne um fardo.

O governo federal argumenta que gasta bilhões em políticas públicas de promoção humana. O Bolsa Família é uma dessas alternativas. É preciso reconhecer, as pessoas atendidas ao menos conseguem ter alimento na mesa. E há, teoricamente, a contrapartida da educação. Mas é suficiente? Não. Chega ser uma agressão ao ser humano acreditar que o Estado cumpre seu dever ao oferecer, em média, 50 dólares/mês às famílias em situação de risco.

O dever do Estado é reduzir a distância entre ricos e pobres. Isto não se faz acabando com os ricos, como se tentou fazer no passado nos chamados países comunistas. Faz-se como resultado de políticas públicas que garantam condições iguais a ricos e pobres, e de intervenção direta em questões fundamentais como, por exemplo, o acesso à moradia. A contradição chega ser intrigante. Quem pode pagar, tem casa; quem não pode, depende do aluguel – ou vive de favor ou ainda nas favelas.

E os tributos? Um estudo recente revelou: o pobre é quem, proporcionalmente, paga mais impostos. E a educação? Os menos favorecidos dependem da educação pública, que, lamentavelmente, tem pouca qualidade. Na saúde? Vai para o SUS. Quando precisa de tratamento especializado, fica meses até anos na fila de espera.

Superar tamanha desigualdade deve ser vista como prioridade. Não apenas pelo governo. Deveríamos nos sentir responsáveis. As consequências afetam a nação. E o maior exemplo é a escalada da violência.

Arquivado como:Economia, Sociedade , , , , ,

Os sem internet: eles são 76%

Os dados do Pnad apresentaram um importante retrato do Brasil. Um aspecto me chamou a atenção: a quantidade de residências ligadas à internet. Cerca de 24% tem acesso à rede.

O número pode parecer significativo. Entretanto, analisado, revela o tamanho da desigualdade neste país. Basta invertermos… Poderíamos dizer que 76% das residências não estão ligadas à internet.

Isto coloca parte significativa dessa população numa espécie de ilha. Estão na contramão na onda tecnológica. Embora muitos acessem através de lan houses, no trabalho etc, quantas outras sequer conhecem ferramentas tão “básicas” hoje como os blogs, twitter, orkut, facebook etc?

Por isso, sempre digo aos meus alunos: a internet no Brasil ainda está distante de representar a democratização do acesso e da produção de informação.

PS- Vale dizer que 95% das residências brasileiras têm televisão.

Arquivado como:Sociedade, Tecnologia , , , , , , , , ,

Nós, a informação, o papel, a leitura

Duas semanas atrás, discuti com meus alunos sobre saturação. Baseado no conceito formulado por Edgar Morin no início dos anos de 1980, Malena Segura Contrera fala que, para atender ao mercado de consumo, a informação foi transformada no principal produto da era das tecnologias virtuais.

Lembrei da discussão hoje por causa de um post publicado no GigaBlog. A página de tecnologia trouxe um cálculo feito pelo site Creative Cloud. A proposta era identificar o volume de informações disponível na internet e qual seria a dimensão deste conteúdo se fosse impresso.

A conclusão é assustadora. Seriam gastos 45 milhões de cartuchos de impressora. Ao todo, 500 mil litros de tinta. Para reunir todas informações num único livro, este pesaria 500 toneladas.

E mais… Numa impressora comum, seriam precisos mais 3,8 mil anos para colocar tudo no papel e mais de 57 mil anos para ler, sem interrupções. Ah… e 40 mil árvores teriam que ser cortadas e transformadas em papel.

Isso ajuda a sustentar a tese de Morin. Ainda na década de 1980, o pensador já falava da saturação da informação. Hoje, com as novas tecnologias, se produz muito mais conteúdo. Quase sempre, descartável. Há um excesso de informações. Por outro lado, falta conhecimento.

Na verdade, a lógica econômica é de incentivo ao giro da mercadoria. No caso, a notícia, a informação. Por isso, não está interessada na qualidade. O que importa é a quantidade; fornecer cada vez mais produtos, numa grande velocidade, a fim de que o consumo também seja rápido.

É impossível dar conta das informações disponíveis. Ninguém consegue digeri-las. Não dá para refletir. Isso sugere que há necessidade de filtrar. Saber selecionar o que se lê, vê ou ouve é o que diferencia as pessoas com conhecimento das ignorantes.

Arquivado como:Sociedade, Tecnologia , , , , , , , ,

Qual é o papel dos maridos?

Vez ou outra a gente esbarra naqueles assuntos que parecem não render. Mas ainda se gasta tempo para encontrar uma resposta satisfatória. Identificar, por exemplo, o perfil ideal de marido é tarefa das mais difíceis. Até porque essas revistas femininas que falam de nós apresentam uma visão estereotipada do par perfeito.

Essas reportagens mostram um objeto a ser consumido (não muito diferente daquelas que nos apresentam as mulheres ideais). Não um homem concreto, para ser companheiro, pais dos filhos, para se viver por toda uma vida. Esse parceiro real tem contradições, falhas e nem sempre atende todas expectativas. Afinal, é ser humano. E ser humano é ser falho.

Homens e mulheres são assim. Quem espera o par perfeito apenas vê a vida passar. Nunca vai encontrar o príncipe encantado. Homens e mulheres de verdade têm oscilações de humor, má vontade, ficam doentes, sentem ciúmes, irritam-se, brigam, perdem a hora, batem o carro, ficam desempregados, perdem dinheiro, reprovam em concurso público, são egoístas, tímidos, falam demais… Enfim, seres humanos têm defeitos. Também estão cheio de virtudes. Basta ter disposição para identificá-las.

Entretanto, na relação homem-mulher às vezes fico observando a incapacidade de alguns deles de serem maridos. Fico imaginando se não deveriam passar por um cursinho preparatório. Confesso que tenho dó delas.

Não quero dizer que sou uma autoridade no assunto. Minha mulher, às vezes, também reclama de mim. Mas, como não há manual de marido perfeito, sinto-me no direito de dar meus pitáculos.

Observo algumas relações e vejo o quanto são exigidas nas obrigações familiares. Posso assegurar que tem alguns homens que merecem pena. São explorados por suas mulheres. No entanto, o inverso também é verdadeiro.

Tem marido incapaz de cuidar de um filho enquanto a esposa está fora. Conheço um que deixa a filha sozinha durante boa parte dos domingos enquanto ele joga futebol e faz churrasco com os amigos. A mulher trabalha, o marido vai se divertir e a criança fica em casa.

Sei de outro que nunca está com a esposa. A mulher carrega os filhos para todos os lados. Leva para a escola, busca, depois fica com as crianças na empresa durante toda a tarde. E ele? O marido dorme até perto das oito horas, vai trabalhar e prefere almoçar com a mãe dele a estar com a família. Só aparece à noite, quando os pequenos já estão dormindo.

Lembro de um marido que sempre está cansado. Nunca vi nada igual. Ele não tem tempo. O tempo dele é para o trabalho e para ficar de papo pro ar diante da TV. A mulher trabalha o dia inteiro, às vezes, no fim de semana. Mas o camarada é que está cansado. Ele chega antes dela em casa. Contudo, não pode ir ao supermercado fazer compras. Não busca uma encomenda pra ela. Ele usa o carro. Ela depende do transporte coletivo – e de favores dos amigos.

Talvez alguém diga: por que essas mulheres toleram esses homens? Não sei. Sei apenas que uma relação é feita de concessões e gentilezas. A paciência é um exercício diário. Entretanto, tem homens que parecem não ter se dado conta de suas responsabilidades. Casamento é sexo? Também. É necessário, fundamental na relação. Mas ser marido é cooperar, colaborar – inclusive nos afazeres domésticos. Quem pensa diferente não deveria se casar.

Arquivado como:Sociedade , , ,

Fábio Assunção: “eu me tornei dependente químico”

Pela primeira vez, o ator Fábio Assunção falou sobre seus problemas com drogas. A entrevista foi ao Fantástico. A expectativa da entrevista foi tão grande que só ontem passaram por aqui mais de 100 leitores em busca de novidades. São leitores que chegaram ao blog por causa de um texto que escrevi quando Fábio foi afastado das novelas.

A conversa com Patrícia Poeta foi reveladora. Mostrou um ser humano mais maduro, que reconhece o problema da dependência química. Fábio ressaltou que se afastou de tudo e que evita falar sobre o assunto porque se trata de algo de foro íntimo. Reconheceu ainda que o problema chegou a tal ponto que teve dificuldades para dar conta do trabalho.

- Eu acho que o problema maior era respeitar meus compromissos e horários. Chegou uma hora que eu fiquei perdido, eu não sabia mais se era terça-feira, se era quinta-feira, se era sábado. Eu tinha medo de marcar um jantar.

Fábio também falou que a luta dele contra as drogas não é recente. Esteve, inclusive, internado no exterior para se tratar. Mas obteve pouco sucesso.

Sobre cura, admitiu que ainda não se sente livre das drogas.

- [...] esse diabinho, eu não posso achar que ele não existe, eu tenho que ter o respeito por ele. Mas assim eu estou encantado de como a recuperação é uma coisa genial. Eu hoje poder marcar os meus compromissos e eu estar lá, isso me da uma sensação de vitória. Pô, eu tô conseguindo!

Como disse no primeiro texto sobre o Fábio, a gente espera que o ator seja um desses bons exemplos de dedicação e luta contra a dependência química. Mais que isso. Um exemplo de vitória. Afinal, já deu para perceber por aqui que o ator é querido do público brasileiro. Carente de modelos, esse público precisa ver no Fábio não apenas alguém que fraquejou, mas um referencial de pessoa que caiu, admitiu o problema e levantou-se para uma nova vida.

Arquivado como:Saúde, Sociedade , , , , , , , ,

Ao som do reggae, Minc defende maconha

carlos_mincEstamos “bem” de ministro do Meio Ambiente. O polêmico Carlos Minc segue aprontando. Domingo, com pinta de chapadão, defendeu a liberação da maconha. Subiu ao palco durante um show da banda de reggae Tribo de Jah e gritou: “vamos defender a maconha”. Tudo bem… É direito dele. Mas Minc anda reforçando a imagem de “doidão”.

Arquivado como:Sociedade , , ,

Três meses para lei que proíbe venda de bebidas alcoólicas

Dentro de três meses entra em vigor a lei que proíbe a venda de bebidas alcoólicas nas proximidades de instituições de ensino. No dia 26 de novembro do ano passado, o prefeito de Maringá sancionou a lei votada pelos vereadores.

Uma reportagem da CBN revela que esses estabelecimentos ainda não se adequaram às mudanças previstas pela lei. Nenhum comerciante tem disposição para trocar de endereço. Nem querem parar de vender. Alguns alegam que as bebidas representam até 80% do faturamento. Ou seja, deixar de comercializar cerveja e afins representaria o fechamento desses bares e restaurantes.

O mais curioso é que a prefeitura segue emitindo alvarás, liberando a abertura de empresas do setor nas proximidades das faculdades e universidade. Uma contradição.

Já falei o que penso sobre o assunto, mas volto a repetir. Não bebo e defendo que as pessoas também não usem álcool. Entretanto, a liberdade deve ser garantida. Se o aluno prefere ficar no bar a participar das aulas, a opção é dele. Não deveríamos ter lei restritiva. É um autoritarismo com máscara de preocupação social.

Arquivado como:Política, Sociedade , , , ,

Os riscos da intimidade na rede – II

Dia desses escrevi aqui sobre os riscos da divulgação de nossa intimidade na internet. O assunto é mesmo sério, complexo. Afinal, ninguém está isento de se tornar vítima na rede mundial de computadores. Dependendo da situação, há risco inclusive de desmoralização. Não há privacidade. Famosos e não famosos, gente importante ou anônima podem ter suas histórias exploradas na rede.

Tempos atrás uma mulher fez uma fotografia da família. Nada demais. Apenas uma bela imagem. Ela colocou numa das redes sociais. A imagem estava aberta. Qualquer pessoa podia vê-la. Meses depois, essa senhora fez uma viagem. Foi até outro país. Enquanto fazia compras num supermercado foi surpreendida… Encontrou a foto da família dela no anúncio de um produto.

Felizmente, foi algo sem grandes consequências. Embora o uso da foto, sem autorização, seja passível de uma discussão judicial – com direito à indenização -, essa mulher não sofreu perdas. A família não sofreu uma exposição vergonhosa.

Mas nem todos os desfechos são semelhantes. Talvez você até conheça história de famosos brasileiros que já tiveram suas fotos usadas, criminosamente, em materiais de divulgação de pornografia. Luma de Oliveira foi uma das vítimas. Juliana Paes, também. A atriz global chegou a estampar a capa de um filme pornô.

Na verdade, as diferentes ferramentas tecnológicas acabaram com a privacidade. Alguém que esteja passeando na praia pode ter sua foto, um vídeo seu, divulgado na internet. Isto, sem que a pessoa saiba. Que o diga Daniela Cicarelli… A modelo e apresentadora foi pega numa situação constrangedora, íntima. A gente pode até argumentar: isso não é o tipo de coisa que se faz numa praia. Mas mesmo quem não está fazendo absolutamente nada semelhante a Cicarelli pode ser vítima da rede.

Por exemplo, tem gente que não se sente confortável diante das câmeras. Acha que está gordo, não gosta do nariz, tem vergonha da careca… Enfim, um amigo, colega ou conhecido pode fotografá-lo e expor sua imagem nas redes sociais. A performance num salão de festas e até na igreja, muitas vezes, é alvo das câmeras digitais. Em pouco tempo o vídeo estará no Youtube. Para o bem ou para o mal.

A desastrosa apresentação da Vanusa ao cantar o Hino Nacional é uma prova concreta de que não há limites na internet. Tivesse acontecido anos atrás, o máximo que teria ocorrido à cantora seriam algumas notas nos jornais locais, um ou outro comentário. Passado algum tempo, a própria Vanusa poderia citar o fato como uma de suas maiores gafes nesses programas com famosos. Ficaria nisso. Entretanto, a cantora virou alvo de chacota. Tudo porque a rede não conhece limites.

Por isso, o mais recomendado ainda é: não faça nada que possa lhe trazer constrangimento ou vergonha. É difícil alegar inocência. Estamos sendo vigiados. Há câmeras por todos os lados. Não devemos ficar paranóicos, mas é preciso reconhecer que, hoje, não apenas nossas “quedas” ou “trombadas” têm chance de ficar “famosas” nas Vídeo Cassetadas do Faustão.

Arquivado como:Sociedade, Tecnologia , , , , , ,

Pós-modernidade e relacionamentos superficiais

Hoje é dia de Questão de Classe na CBN Maringá. O programa trata da superficialidade nos relacionamentos. A entrevistada é a psicóloga comportamental e mestre em Psicologia Social e da Personalidade, Cristina di Benedetto. Ela diz que os relacionamentos atuais são baseados na utilidade, o mesmo princípio que norteia o consumo de produtos. Mantemos amigos, namorada, esposa etc apenas enquanto essas pessoas nos são úteis. Na primeira crise, descartamos e “compramos” outra(os).

O papo está bastante agradável, inclui uma breve discussão sobre nossa busca por felicidade, sempre tendo como referência o comportamento pós-moderno. Entre as consequências estão as mágoas que causamos, os sentimentos de desamparo e solidão, por fim, a depressão.

Para quem quiser ouvir, o programa começa às 19h. Dá para acompanhar pela internet. Após as 20h, é possível fazer o download.

Arquivado como:Sociedade , , ,

Uma consciência crítica causa sofrimento

Sempre me questiono sobre o desinteresse de parcela da juventude nas discussões humanísticas. Como estudioso das teorias, defendo a apropriação desses conhecimentos como fundamento essencial para formação de uma consciência crítica, perspicaz.

Ontem, por exemplo, tivemos um debate acalorado em sala de aula por conta de um tema da moda, a violência na sociedade. Tudo começou quando sustentei a necessidade de observarmos os atos dos cidadãos como consequência direta de uma formação sócio-ideológica. Ilustrei: “não podemos dizer que um garoto de 10 anos se tornou criminoso, consumidor de drogas, simplificando: ‘esse garoto sempre foi uma peste; nunca prestou’”. Isto é banalizar demais a questão. Ninguém se torna bandido, dependente químico por uma predisposição biológica, genética. O meio é responsável pelo que somos.

Fui mais longe… Apontei que, por ser vítima da sociedade, não podemos defender que a solução para os crimes na infância e adolescência serão resolvidos tão somente com a redução da maioridade penal. A sociedade não vai acabar com a criminalidade apenas por punir quem tem comportamentos marginais. É preciso ir mais longe. Há necessidade de reconhecer as fragilidades sociais e tratar as causas que deformam nossas famílias – logo, nossas crianças, adolescentes e jovens.

Claro, o tema é polêmico. Há aqueles que entendem que a máxima deve ser o “olho por olho, dente por dente”. Chega-se ao ponto de defender a pena de morte. Acredita-se que apenas o medo da punição possa ser suficiente para tornar pacífica a sociedade.

Mas, voltando ao tema, o que nos faz ver as questões de forma mais ampla, em sua complexidade? O conhecimento. Não o técnico, mas aquele que promove a formação social, humanística.

Li hoje um texto publicado pelo brilhante colega, o professor Antonio Ozaí da Silva. Ele trata exatamente disso. Fala sobre essa miopia pós-moderna. Não usa esses termos, mas cita Dostoievski, que sustenta a ideia de que a sociedade contemporânea está satisfeita em ter uma consciência comum. Por isso, mantém um distanciamento de todo conhecimento que promova uma consciência crítica. Isto porque, nas palavras do professor Ozaí, “a consciência perspicaz trás à tona o sofrimento. A ignorância é seu antídoto; a consciência crítica é um estorvo à adaptação e ao individualismo descomprometido com a comunidade”.

Esta é uma grande verdade. É mais fácil viver na ignorância. Entender os porquês, questionar-se, questionar o mundo causa desconforto. Sentimo-nos muito melhores quando “tocamos a vida” no mesmo ritmo de todo mundo. Queremos resultados práticos. Importa-nos ganhar dinheiro, garantir uma boa vida. Para quê gastarmos tempo com reflexões? Quais benefícios temos em contextualizar os fatos? Afinal, para que complicar se podemos simplificar?

De fato, a vida é mais simples quando permanecemos alienados. Quando compreendemos a complexidade de cada fenômeno social, percebemos que o desafio humano é muito maior. Sentimos o peso da responsabilidade, a culpa por colaborarmos com a construção e manutenção das contradições. Entendemos que ser cidadão não é apenas votar, mas envolver-se, se dispor a transformar – ainda que tendo uma noção clara que estaremos na contramão do mundo, sob o risco de sermos mal compreendidos.

Arquivado como:Educação, Sociedade , , , ,

As oportunidades nossas de cada dia

Elas estão ali… Bem próximas, diante de nós, basta agarrá-las. Se as abraçarmos, sonhos podem se realizar, toda uma vida pode ser completamente diferente. Elas são as oportunidades. Não as encontramos todos os dias. Em algumas fases, são mais frequentes. Noutras, quase ausentes. Mas desfilam para todos. O que faz de uns mais “sortudos” e de outros, “azarados”, é a capacidade de vê-las e alcançá-las.

O que me impressiona é a ausência de percepção de que as oportunidades existem. Infelizmente, vamos perder algumas delas. Não tem jeito. Por medo, timidez, ansiedade, precipitação, miopia etc, certas chances que a vida nos oferece simplesmente ficarão no reino do “e se”. E se eu tivesse pedido aquela moça em namoro? E se eu tivesse aceitado aquele emprego? E se eu tivesse falado com o fulano? O “e se” não existe. É só uma hipótese para especularmos diante de algo que não volta mais.

Lembro de um amigo que gostava muito de uma garota durante o período escolar. Era apaixonado por ela. Via na jovem tudo que gostaria de encontrar numa mulher. Sentia ciúmes dos relacionamentos que ela mantinha. Observou e até a confortou nas vezes que terminou namoros. Sabia que podia ser o cara que a garota procurava. Mas a convivência e amizade o impediram de dar o passo decisivo. Ele nunca perguntou: “você quer namorar comigo?”. Vale dizer que essa pergunta, hoje, caiu em desuso, mas, na época, era fundamental para começar um relacionamento.

No dia em que se casou, a garota estava lá. Não como noiva, mas no papel de madrinha. Nunca soube se ela aceitaria ficar com ele. Perdeu a chance de ser feliz? Talvez não. A vida quem sabe tenha sido generosa dando-lhe uma outra companheira. Mas a pergunta ficou: “como seria se tivesse tido coragem de vencer o medo e a pedisse em namoro?”. Teria dado certo? Ou seria trágico? Nunca saberá.

Entretanto, não se perdem oportunidades apenas nos relacionamentos. Na vida profissional sobram exemplos de pessoas que poderiam ter conquistado sucesso, mas esbarraram numa certa inocência ou na pouca crença de que são capazes. Às vezes a chance está lá, mas a pessoa não acredita. Tem ocasiões que falta tão pouco – quem sabe algumas horas de dedicação a mais, um pouco de comprometimento, demonstração de vontade, disciplina, rigor com horários, ousadia, criatividade. No entanto, a pessoa não consegue ver que o momento decisivo está diante dela.

Isto acontece muito com nossos jovens. É natural. A adolescência, a juventude são feitas de erros e acertos. São os erros que contribuem para a construção do indivíduo. São os erros que nos capacitam a ter melhores critérios de julgamento, mais experiência. Certamente, decisões que tomo hoje poderão causar arrependimento amanhã. E, se fossem tomadas amanhã, a escolha poderia ser outra.

Ainda assim, entendo que há um caminho de sabedoria. Quando se trilha por ele, é mais fácil descobrir e se apropriar das oportunidades que a vida oferece. Mas a sabedoria é algo que se conquista por meio do estudo, da observação, da capacidade de ouvir, de buscar conselhos, da escolha de boas amizades, do respeito e atenção aos mais velhos.

Arquivado como:Sociedade , , ,

Trabalhando muito; correndo atrás do vento

O post anterior já trata do assunto. Aqui amplio a reflexão.

Vi hoje um estudo que revela o desejo dos trabalhadores de se aposentarem aos 55 anos. Na verdade, metade dos entrevistados respondeu que gostaria de parar de trabalhar nessa idade. É compreensível. Também não acharia ruim me aposentar aos 55. Gosto de trabalhar, sou apaixonado pelo que faço, mas não ter que me preocupar com trabalho; pelo contrário, ter uma renda garantida aos 55 anos, me parece algo bastante razoável.

Esse desejo de se aposentar numa idade ainda produtiva tem algumas razões. Entendo que a maioria das pessoas trabalha mais que gostaria. Todo mundo precisa trabalhar, sente-se produtivo. Mas a jornada de trabalho geralmente vai além do limite físico. Por conta disso, falta tempo para família, lazer, relacionamentos. Com isso, planos e projetos são feitos para o período da aposentadoria.

As pessoas passam a viver em função disso. Trabalham, trabalham e ficam sonhando com o que farão quando se aposentarem. Aquela viagem dos sonhos, o aprendizado de uma atividade nova – pintura, música etc -, o exercício físico, enfim, tudo vai sendo transferido para o pós-aposentadoria.

Logo, é compreensível que as pessoas queiram parar de trabalhar aos 55 anos. Estão cheias de planos. Querem realizá-los, mas sabem que a rotina do dia-a-dia as consomem. É necessário se aposentar. Mas tem que ser numa idade em que a vida esteja plena. Ainda haja tempo para conquistar o que hoje não se pode alcançar.

Entretanto, embora o desejo de aposentar exista, pouca gente poderá cruzar os braços numa fase tão produtiva da vida. Com o envelhecimento da população, sabe-se que as demandas da Previdência Social são crescentes. Não há dinheiro para bancar tanta gente sem fazer nada, recebendo mensalmente do governo. Por isso, há projetos engavetados de reforma da previdência… Todos eles contando com uma idade mínima para aposentadoria acima dos limites da legislação atual.

Portanto, quem vive sonhando em realizar projetos apenas quando se aposentar está deixando de viver. Na verdade, está abrindo mão do aqui e agora. Poderíamos ainda dizer que essas pessoas estão perdendo a chance de experimentarem o projeto de Deus. E eu me incluo neste grupo. Afinal, também trabalho demais, corro muito e tenho deixado a vida passar.

No entanto, temos que reconhecer que o tempo é este. Tudo mais, como diz o sábio Salomão, é vaidade. É correr atrás do vento.

Arquivado como:Sociedade , ,

O sonho de aposentar-se aos 55 anos

Um estudo realizado com cerca de 16 mil trabalhadores apontou que mais da metade gostaria de se aposentar aos 55 anos. É uma boa idade. Ideal, eu diria. Com 55, é possível estar inteiro. Dá para gozar a vida. Afinal, com essa idade a pessoa para antes de envelhecer. O trabalho passa a ser acessório.

Entretanto, tal sonho está longe de ser realizado pela maioria dos trabalhadores. É impraticável. Com o envelhecimento da população, a Previdência Social não aguenta. Já é deficitária hoje. Imagina só se todo mundo com 55 anos estiver de braços cruzados!? Uma pena… Afinal, a rotina atual das pessoas tira delas o melhor e a aposentaria tende a ser um peso – com cansaço, doenças e muitos remédios.

Arquivado como:Sociedade , , ,

Os riscos da intimidade na rede

Uma professora foi demitida após ter um vídeo que a mostra dançando divulgado no Youtube. Uma bela atriz global foi à delegacia registrar queixa contra o ex-marido por causa do sumiço de uma máquina fotográfica. Nela estavam fotos íntimas. Dois rapazes conversam animadamente no Twitter, ignorando os demais seguidores, mas ali deixando marcas de um relacionamento homossexual.

Os três casos têm semelhanças, embora cada um deles esteja numa fase diferente. Em comum, o fato de não terem cuidado com as novas ferramentas tecnológicas.

Vamos entender… A professora mencionada tem apenas 28 anos. É jovem, bonitona, solteira. Até dias atrás dava aulas para crianças de cinco anos numa escola particular de Salvador, Bahia. Em junho passado, foi ao show de pagode da banda O Troco. Não tinha idéia que uma diversão momentânea causaria tanto sofrimento.

O hit do grupo é a música “Todo Enfiado”. Em cada apresentação, o cantor convida pessoas da platéia para fazerem, no palco, a coreografia. A dança é provocativa e, num trecho, o vocalista puxa o vestido da candidata e segura sua calcinha reforçando a frase de efeito da música enquanto ela se balança num vai-e-vem frenético. Trata-se de uma prática comum nos “espetáculos”. Quem sobe ao palco conhece cada movimento da dança sexual. E lá estava a professora. Só não imaginava que pudesse se transformar numa “celebridade” do Youtube (várias pessoas gravaram sua performance e colocaram o vídeo na internet).

A divulgação levou vizinhos, gente do bairro e pais de alunos a conhecerem o lado noturno da educadora. Além de ser hostilizada, obrigada a mudar de endereço, foi demitida. A escola alega que a jovem era boa funcionária, mas precisava preservá-la.

A instituição fez a coisa certa? Não sei. Ninguém tem direito de invadir a privacidade alheia. Nela, cada um faz o que desejar. Por outro lado, o que era privado tornou-se público e as crianças precisam ter no educador um modelo.

Mas, de uma coisa sei: a professora está arrependida. Não imaginava estar sendo filmada. Não faria de novo. Entretanto, agora é tarde. A dança dela está lá pra quem quiser ver. E já viram mais de 100 mil pessoas. A vida dessa jovem mudou de rumo por ter se exposto por apenas três ou quatro minutos.

E a atriz? Esta ainda não foi envergonhada publicamente. Contudo, teme experimentar o drama conhecido pela professora. Por isso, quer a máquina fotográfica de volta. A preocupação não é com o equipamento; são com as fotos sensuais que ali estão arquivadas.

Já os rapazes não pensam nisso. Talvez não se deram conta que a vida, a intimidade deles é observada por algumas dezenas de seguidores do Twitter e por quem quiser dar uma olhadela no microblog. São marcas que às vezes permitem tratamento preconceituoso ou mesmo a perda de oportunidades de trabalho. Não por causa da homossexualidade, mas pela incapacidade de se preservarem.

Na verdade, nas três situações temos um quadro típico da atualidade. As ferramentas tecnológicas são encantadoras, fascinantes e nos abrem inúmeras possibilidades. Os equipamentos digitais fotografam, filmam e tem tantas outras funções que, por um instante, pode parecer inocente se deixar expor diante das lentes.

Com os blogs, Orkut, Twitter, Facebook, Youtube etc temos ferramentas que democratizaram o processo de comunicação. Todo mundo pode produzir conteúdo. Desconhecidos se transformam em celebridades. No entanto, a diversão às vezes custa caro. É impossível dimensionar as consequências da divulgação na rede de algo íntimo, privado. Por isso, um pouco de cautela, pudor, bom-senso, racionalidade ainda é o melhor que se tem a fazer.

Arquivado como:Sociedade, Tecnologia , , , , , , ,

Assédio sexual no consultório médico

Quem está seguro? Após as denúncias e prisão preventiva do médico Roger Abdelmassih, quem pode sustentar que não sente nenhum friozinho na barriga quando o tema é assédio sexual no consultório médico?

Por natureza, sou desconfiado. Desconfio de tudo e de todos. Obviamente, isto não me faz bem. Muitas vezes fico afastado das pessoas e gente com a qual poderia ter uma boa amizade também prefere manter comigo um relacionamento mais formal, pouco caloroso.

Essa minha desconfiança sempre me fez olhar para os consultórios médicos como um ambiente especializado para tratamentos de saúde, mas passível de revelar a face cruel do homem. Entendo que o médico deve ser um cidadão moral, ético – como qualquer outro. Contudo, exatamente por ser humano é frágil, fraco, capaz de agir impulsivamente, logo, criminosamente.

Caro leitor, não me entenda mal. Este texto não é uma declaração contra esses profissionais. Conheço dezenas deles, respeito-os, sei da seriedade e competência revelada no exercício de suas atividades. Não tenho nenhum elemento que possa colocar em xeque a idoneidade de médicos da nossa região. Mas ainda assim me pergunto: quem está seguro?

doutor_rogerRoger Abdelmassih era o médico das estrelas. Um homem conceituado. Amigo de Roberto Carlos, Hebe Camargo, Pelé; responsável pelo atendimento de gente do nível do ex-presidente Fernando Collor de Mello e a mulher, Caroline; Carlos Alberto de Nóbrega e Andréa; Moacir Franco e Daniela; o apresentador Gugu Libertado e a mãe de seus filhos, Rose. A lista é extensa. São mais de 7 mil bebês que vieram ao mundo por meio dos trabalhos realizados na clínica do especialista.

Entretanto, o fato de atuar há quase 40 anos, de ser um médico conceituado, a maior autoridade em reprodução assistida do país, dono de uma clínica poderosa, milionária, hoje, não representa absolutamente nada. Para as supostas vítimas do doutor Roger, tanta fama e poder só contribuíram para a disseminação do medo e do silêncio por tantos anos. Na prática, o status de Abdelmassih lhe deu uma autoridade que o mantinha imune a toda e qualquer acusação.

Ninguém ainda pode dizer que Roger Abdelmassih cometeu os crimes listados – estupro, assédio sexual e até mesmo pesquisas questionáveis, ilegais. Mas sua história contribui para causar medo. Afinal, o médico parece ser aquele ser deixado por Deus para auxiliar homens e mulheres a ter uma vida melhor – sofrer menos, aliviar a dor, realizar o sonho de ter um filho.

Quantos pacientes diariamente entram num consultório médico vendo ali um semi-deus? Alguém capaz de quase tudo? Por isso, sentem-se menores e colocam-se à disposição para realizar todo e qualquer tipo de procedimento. Então, como aceitar que nesse mesmo espaço convivam um anjo e um monstro?

Não há o que dizer a respeito da conduta médica. É desnecessário mencionar o código de ética. Tal código é só um documento. Ter formação numa determinada área não significa a vivência de artigos, incisos, parágrafos listados num papel qualquer. Este profissional, semelhante a outro, carece ser apenas um ser moral. No consultório, no balcão da loja, no guichê do banco, na publicação de uma notícia etc, espera-se apenas que não façamos ao outro aquilo que não gostaríamos que alguém fizesse a nós.
(Foto: Revista Quem)

Arquivado como:Saúde, Sociedade , , ,

Barulho: Polícia Militar transfere responsabilidade para o cidadão

Mais uma vez abrimos espaço na CBN Maringá para tratar de uma reclamação comum em Maringá: perturbação do sossego. Muitas ocorrências são registradas em Maringá. Mas, segundo o tenente Alexandro Gomes, da Polícia Militar, quem não quer ser perturbado precisa registrar queixa na delegacia.

É um absurdo. É uma agressão ao cidadão, vítima do barulho, ter de se expor a esse ponto. Cria um desconforto. A pessoa é obrigada a assumir uma posição de embate, muitas vezes, com uma pessoa conhecida – com a qual convive diariamente. A pessoa é estimulada a se indispor com um vizinho, um conhecido.

Na prática, esse protocolo serve para intimidar o cidadão. É uma forma de fazê-lo se silenciar.

O discurso da PM é de transferência de responsabilidade à vítima.

Claro que a polícia tem lá suas razões. Até em função de impedimentos legais.

Entretanto, a rotina de combate à perturbação do sossego favorece apenas ao infrator. O cidadão/vítima se torna refém de si mesmo, por, na maioria dos casos, optar por não partir para o confronto. Para garantir a paz, vê-se obrigado a tolerar o barulho.

PS- Segundo o promotor de Justiça Régis Sartori, o procedimento adotado pela PM de Maringá está equivocado. Não há necessidade de representação da vítima. O problema é convencer a polícia… E fazer os plantonistas tirarem a bunda da cadeira quando recebem reclamação de barulho pelo 190.

Arquivado como:Meio ambiente, Polícia e Segurança, Sociedade , , , ,

Nova gripe: pânico coletivo injustificado

Estão exagerando sob o argumento de prevenção contra a nova gripe. É necessário tomar medidas de segurança. Mas há um nítido pânico coletivo que beira à irracionalidade. Até reuniões com meia dúzia de pessoas têm sido canceladas. Dia desses fui informado da ligação de um aluno que queria saber se aulas de ensino à distância seriam suspensas. Tá todo mundo louco!

Em Maringá, até as bibliotecas já estão fechadas. Deve ser por causa da aglomeração de alunos em busca de livros. Desculpe-me a ironia. Estou muitíssimo mal humorado com tantos desencontros. Falta um protocolo. As pessoas vão agindo com base no “achismo”. O conhecimento científico parece ignorado. Os comitês que têm sido formados reúnem gente que sabe tanto de vírus quanto eu sei sobre pilotar aviões.

Lembro aqui que, ao se anunciar a primeira suspensão das aulas nas universidades e faculdades estaduais, também na rede de ensino do Paraná, falei que as autoridades tinham consultado os deuses e definido a data para o fim da gripe. Era segunda-feira, dia 10. Mas veio uma nova suspensão das aulas e agora tudo indica que teremos mais outra. Afinal, algumas universidades já estabeleceram novas datas para o retorno às salas de aula – 24 e 31 próximos.

Tem gente, como o pessoal do Sismmar, que defende o fechamento das creches. Querem que as mães sejam liberadas do trabalho para cuidar dos filhos. Posso estar exagerando, mas começo achar que a nova gripe vai causar, no Brasil, mais prejuízos econômicos que a crise financeira global. Tudo pelo despreparado de alguns setores e pelas ações movidas com base no pânico coletivo.

A imprensa também tem ajudado pouco. Vejo diariamente algumas manchetes que só contribuem para alimentar a insegurança, o medo. No rádio, na tevê e na internet também não noto a preocupação em acalmar a população. E os emails que chegam a todo momento só ajudam a disseminar o pânico. São tantas mentiras que às vezes me questiono a respeito dessa impressionante inocência(?) dos leitores.

O quadro me faz lembrar uma ouvinte que ligou ontem para a CBN Maringá. Ela contou que alguns conhecidos já falam em estocar alimentos em casa. São pessoas que dizem que a situação só tende a se agravar, chegando ao ponto de ser arriscado ultrapassar o portão da moradia. Um exagero, típido de uma sociedade culturalmente pobre.

Arquivado como:Mídia, Saúde, Sociedade , , , , , , ,

Infantilidade na rede

Da sempre ótima Rosana Hermann:

A Internet tem muito mais gente jovem ou os adultos estão mais infantilizados?
Tenho a sensação de que a imaturidade emocional é uma constante.

Arquivado como:Sociedade , , ,

Sexo está na lista de termos mais buscados pelas crianças na internet

Já disse aqui noutras ocasiões que pais que desconhecem as novas ferramentas tecnológicas e não controlam o conteúdo acessado pelos filhos vivem à margem da vida da molecada. Pois bem… Agora temos mais um estudo que reforça a tese de que os adultos ignoram o que suas crianças andam fazendo.

Uma pesquisa realizada pela companhia de segurança de computadores Symantec Corp identificou que “sexo” é o quarto termo mais buscado pelas crianças na internet. Junto com “sexo”, aparece “pornografia”. Assustador? Nem tanto. Eles têm curiosidade. Buscam respostas. Os pais nem sempre estão prontos e dispostos a conversar com os filhos sobre esses temas. Como, hoje, todas as respostas podem ser encontradas no Google, lá estão eles pesquisando o que lhes interessa. Somado a isso, os pais não entendem quase nada de internet e redes sociais. E quando conhecem, acham que só os filhos dos outros procuram páginas de conteúdo adulto.

Arquivado como:Educação, Sociedade , , , , , ,

Mulheres otimistas vivem mais e melhor

Uma pesquisa realizada por cientistas americanos revela que mulheres otimistas vivem mais. O estudo é curioso, importante. Entretanto, não é difícil concluir que pessoas que estão de bem com o mundo têm mais qualidade de vida.

Quem vive amargurado, reclamando de tudo, quase sempre traz para o corpo uma série de problemas. E o contrário também é verdadeiro. Gente feliz consegue ter melhor controle da pressão arterial, geralmente está livre de depressão, ansiedade, estresse. Enfim, sofre menos.

Arquivado como:Saúde, Sociedade , , , , , ,

Stephaine Bianca Ferreira é uma nova vítima da pedofilia; desta vez, em Campo Mourão

Há menos de dois anos, a sociedade maringaense ficou chocada com a morte da menina Márcia Constantino. Ela foi sequestrada, violentada e morta. Na ocasião, todos nós ficamos emocionados e indignados com a crueldade do estuprador e assassino, Natanael Búfalo.

Hoje, recebo uma notícia que mais uma vez tira nossos pés dos chãos. A pequena Stephaine Bianca Ferreira, de 10 anos, é uma nova vítima desse tipo de crime. Ela desapareceu na sexta-feira. Foi encontrada, ontem, morta. O corpo da menina foi localizado dentro de uma reserva ecológica, em Campo Mourão.

Um agricultor localizou o corpo no meio de uma reserva ecológica. O agricultor só encontrou a menina porque o assassino passou com o carro no meio da lavoura de trigo e deixou as marcas do veículo.

A menina estava desaparecida desde sexta-feira. Ela foi a padaria, comprou pães e deixou em casa. Sem avisar, saiu novamente e não voltou.

O IML de Campo Mourão informou que a menina foi abusada sexualmente. O corpo estava quase irreconhecível. Ela teria cortes por todo o corpo. A Polícia Civil está investigando o caso. Mas, por enquanto, não tem pistas do criminoso.

Arquivado como:Polícia e Segurança, Sociedade , , , ,

A face oculta de um ser humano cruel

Vivemos um tempo em que supostamente as pessoas se respeitam mais, aceitam a diversidade, lidam bem os com os gêneros. Pelo menos este parece ser o discurso dominante. Somos todos iguais. A Constituição sustenta tal tese. Mais que a própria carta magna, há leis para garantirem o respeito ao outro. Mas existe de fato a aceitação?

Não creio nisto. Desde a infância, o diferente é agredido. Na escola, a vítima pode ser o negro, o pardo, o mais pobre, o tímido, o gordinho, o gago, o que fala errado, o que se veste “mal”, aquele que tem trejeitos e é tido como homossexual… Na verdade, passam-se as fases da vida e o comportamento preconceituoso, discriminatório só muda de lugar. Existe um abismo entre o discurso oficial de tolerância e nossas atitudes no dia-a-dia.

Egoístas como somos temos pouca disposição para aceitar o outro. Parece estar no nosso DNA o desejo de excluir. Queremos os diferentes bem longe de nós. Contudo, o mal é menor quando apenas nos afastamos. Noutras tantas ocasiões, falamos mal, caçoamos, perseguimos. Talvez por isso esteja tão na moda falar em assédio moral. E ele não acontece apenas na relação chefe-empregado. Colegas de trabalho praticam tal crime. Na infância, o termo para essa agressão é outro. Vem do inglês. Chama-se Bullying.

Uma outra forma clara da não aceitação do outro é observada na internet. Tenho dito que a rede revela o que há de mais cruel no caráter do homem. Tudo aquilo que as pessoas às vezes sentem desejo de dizer, mas não o fazem face a face, deixam extravasar em emails, comentários e textos publicados na web. É assustador.

Vejo, por exemplo, nos blogs – onde o espaço para o comentário é privilegiado -, agressões não adjetiváveis. Dá até a impressão que o autor seria capaz de praticar um ato de violência física, eliminar o outro. Chega a causar medo. Tem textos que me fazem pensar: o que uma pessoa dessas faria se estivesse num regime autoritário com o poder nas mãos?

Quando voltamos na história e apresentamos as atitudes de governantes ditatoriais, muitos ficam indignados, sentem revolta, questionam: como alguém é capaz de tal coisa? Concordo. Não é possível conceber que seres humanos torturavam seus iguais por coisas tão banais e, às vezes, por puro prazer de fazer o outro sofrer.

Entretanto, hoje revelamos a mesma face cruel em atitudes que procuramos esconder atrás de nossa máscara social. Apresentamo-nos como defensores da igualdade, da aceitação, da democracia, mas, no anonimato, ofendemos, agredimos pelo simples fato de o outro ser diferentes de nós – ou por ter opinião contrária. Na verdade, não queremos entender o outro. Desejamos um mundo desenhado à nossa maneira.

Fazemos isso, inclusive, com nossos filhos. Queremos que eles sejam como nós. Às vezes dá tão certo que a molecada reproduz nossa arrogância e despejam toda maldade contra inocentes que sequer têm a chance de se defender.

Sabe, este texto não tem a intenção de concluir nada. Apenas fazer pensar… Pensar no quanto somos mesquinhos e hipócritas. Nosso discurso é de tolerância, mas será que a praticamos? Falamos em espírito democrático, mas temos vivido a democracia?

A vida é mesmo cheia de contradições. Mas há espaço para nos tornamos melhor como seres humanos.

Arquivado como:Educação, Sociedade , , , , , , ,

Nudez em revistas, Priscila, Fernanda Young

O ser humano é mesmo fascinante. Suas contradições, idas e vindas, mudanças de postura, necessidade de ser amado, aparecer, sentir-se importante… Enfim, tudo isso torna o ser humano único. Às vezes, incompreensível.

Não entendo, por exemplo, o que motiva certas mulheres a expor o corpo em revistas masculinas. Algumas delas não têm necessidade do cachê que recebem e muito menos da projeção que essas publicações garantem. Diferente, é claro, da morenaça Priscila Pires. Ela faz o tipo “Princesa Devassa”. Precisa desse tipo de mídia para se manter em evidência. É o caminho dela para o sucesso.

Mas veja o caso de Fernanda Young… A apresentadora e escritora é respeitada no meio artístico e construiu uma carreira sob referenciais que a colocam como intelectual, a mulher moderna e inteligente. Entretanto, depois de rejeitar durante dois anos convites da Playboy, Fernanda estaria disposta a ouvir uma proposta da revista e mostrar-se nas páginas da públicação. O que mudou? Os valores – financeiros, pessoais? Difícil dizer. Mas é do ser humano.

Arquivado como:Mídia, Sociedade , , , , , , , , ,

A música e alguns de seus efeitos

Gosto de música. Não de qualquer música. Até não tenho problemas quanto aos ritmos. Mas a ausência de uma linguagem musical rica, variada, letra criativa, me incomoda.

Numa das disciplinas que trabalho com meus alunos discuto a música sob a perspectiva estética. A gente fala muito sobre os valores musicais e sua importância como forma de refletir os valores da sociedade de uma época. Na sociedade contemporânea, é impossível não refletir sobre como as regras de mercado afetaram a produção artística.

Mas a questão da música vai além dessa coisa de ser boa ou não. Até por que há visões variadas a respeito do assunto. Tem gostos e gostos. O que me parece importante é perceber nesta arte uma ferramenta não apenas para expressar nossos sentimentos e até para filosofar. A música é um instrumento poderoso para amenizar a dor, o sofrimento das pessoas.

Cada vez mais estudos apontam que tal arte ajuda na recuperação de doentes, desperta nas pessoas o desejo de voltarem a sorrir, reduz os níveis de estresse, tranquiliza, combate a ansiedade. O detalhe é que não é qualquer tipo de música. Muito disso que anda tocando nas rádios e nos equipamentos de sons dos carros que circulam pelas cidades tem efeito inverso – geralmente alienante.

PS- Por sinal, por que quem toca músicas em alto volume sempre tem gosto duvidoso?

Arquivado como:Cultura, Diário, Educação, Sociedade , , , , , , ,

SIGA-ME NO TWITTER

  • Tarde de muito trabalho, cuidando da agenda da semana... A gente se fala amanhã. 3 hours ago
  • @antoniozai @AnaPaulaMVelho Parece-me que há boas experiências de educação a distância, mas também não faltam relatos de problemas. 3 hours ago
  • Drogas: dependência começa aos 7 anos: http://wp.me/p2zHT-28H 3 hours ago
  • Educação a distância: vale a pena? : http://wp.me/p2zHT-28F 4 hours ago
  • De saída... Ótima tarde a todos! 8 hours ago
  • RT @BlogdoNoblat - País supera a marca de 1 milhão de empregos http://bit.ly/2xdJr1 8 hours ago
  • @Palomilla7 Então, prometo não falar mais de futebol hoje. Bom dia! 8 hours ago
  • Para aumentar coleta seletiva em Nova Esperança, prefeitura só recolhe lixo já separado. Quem não recicla, fica com o lixo na porta de casa. 8 hours ago
  • Temperatura em Maringá neste momento, 25 graus. Máxima prevista, 29. Simepar indica chuva forte para hoje à noite. 9 hours ago
  • Próximos adversários do São Paulo: Botafogo (fora); Goiás (fora); Sport (casa?). 9 hours ago
  • Próximos adversários do Flamengo: Goiás (casa); Corinthians (fora); Grêmio (casa). 9 hours ago
  • No São Paulo, preocupação é com decisões fora das quatro linhas. Ceni tenta evitar polêmica p/não ser punido - apesar de "coçar" a garganta. 9 hours ago
  • Entrevista de Andrade demonstra por que Flamengo é favorito: o tom é de humildade. Foco é Libertadores; título será "presente". 9 hours ago
  • Vamos abrir o esporte na CBN. Impossível não começar com o Flamengo - a equipe sensação do Brasileirão. 9 hours ago
  • Mercedes compra Brawn GP. A atual campeã da Fórmula Um ganha novo nome em 2010. 9 hours ago

Blog Stats

  • 382,449 hits

Sobre o blog de Ronaldo Nezo

Este é só mais um blog. Nem melhor, nem pior que outros tantos que existem por aí. Este jornalista, professor e blogueiro não intenciona se apresentar como dono da verdade e da razão. Apenas pensar alto sobre diferentes temas. O respeito ao outro, a ética e o bom-senso são nossos principais valores. Ninguém precisa concordar com nada aqui publicado, mas caso queira conhecer nosso pensamento a respeito dos mais diferentes temas, basta navegar pelos textos disponíveis. E, no arquivo, tem muita coisa que considero relevante. O sistema de buscas está aí logo acima.

Veja mais

Calendário

Novembro 2009
D S T Q Q S S
« Out    
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
2930