A lente que nos faz enxergar melhor o mundo

Enxergamos e entendemos os diferentes fenômenos da vida por meio de visões filosóficas, sociológicas, religiosas ou, como gosto de dizer, por meio de lentes que fazem com que cada uma das situações faça algum sentido pra nós.

Deixa eu explicar de outra maneira como funcionam essas “lentes”… Imagine que você está num ponto de ônibus. Você está sozinho, sozinha… Ai alguém chega, olha pra você e, do nada, te diz: “o pato nunca bota ovo”.

A pessoa olha um pouco mais pra você e ela vai embora, sem dizer mais nada.

Na sua cabeça, como fica essa cena? Talvez você ache a situação engraçada, pense que a pessoa é maluca… Mas, no fundo, você sabe que a cena toda é meio sem sentido.

Como essa cena pode fazer sentido? Se a gente souber o contexto.

A pessoa que chegou até você no ponto de ônibus e soltou a frase era, na verdade, um investigador federal. Ele acreditou que você era um informante, uma informante. Você estava no local certo, na hora certa, mas era a pessoa errada.

A frase era apenas uma chave para confirmar se você era a pessoa certa. Quando ele disse “o pato nunca bota ovo” e você não respondeu nada, ele notou o engano e foi embora. Havia uma resposta prevista, uma resposta que identificaria se você era o informante.

E aí… Agora fez sentido o que aconteceu? A história do Ronaldo é meio maluca, mas, dentro de um contexto, por mais maluca que seja, faz algum sentido. Concorda?

Gente, é assim com tudo na vida. Já na infância, nos primeiros anos, queremos o sentido das coisas.

Por que precisa ir pra escola?

Por que não pode tomar tanto sorvete?

As perguntas são inúmeras. E as respostas colocam as coisas dentro de um contexto maior.

São essas explicações que nos movem. Porém, presta atenção no Ronaldo, essas respostas nem sempre são um simples um contexto; às vezes também podem expressar uma visão de mundo.

Nossas ações diárias – todas elas – são justificadas pela compreensão do que parece ser o certo.

Um homem que trabalha 12 horas por dia, sai de madrugada de casa e só volta muito tarde cansado, sem tempo para a esposa e para os filhos, vive essa rotina intensa movido uma crença.

A escolha que faz, ele faz tendo como lente a filosofia do mundo dos negócios. Faz o que faz achando que está fazendo o certo.

Um jovem que, aos 20 anos, sente-se pressionado em abrir mão da virgindade, sente-se assim porque o que é tido como normal é que ele tenha vida sexual ativa.

Na prática, para cada situação que vivemos, existe uma forma de pensar que se impõe, colocando-se como sendo a verdade, como sendo o jeito certo de interpretar e ver aquela situação.

Na era moderna, a ciência passou a ocupar esse lugar de produtor de sentido para cada uma das experiências humanas.

Com isso, em virtude da pluralidade de explicações dadas pelas ciências, temos inúmeras formas de colocar as coisas num contexto. Ou, noutras palavras, temos várias maneiras de explicar os fenômenos que nos cercam. Essas explicações nos ajudam a entender o que não entendemos. Ajudam a justificar as coisas.

Acontece que nem toda explicação científica é coerente. A ciências, por vezes, se contradizem. E noutros momentos causam rupturas em hábitos históricos da sociedade.

Há alguns anos, entendi que precisamos de uma lente maior, uma referência, um filtro.

Eu passei a usar isso. Sou alguém que navega com certa facilidade pelas mais diferentes linhas filosóficas, sociológicas, psicológicas… E de todos os grandes explicadores da vida e da sociedade, tiro coisas preciosas. Muitas delas, você encontra nas minhas falas, nos meus textos.

Como fazer isso de maneira produtiva? Tendo uma lente maior.

Alguns chamam isso de cosmovisão. Eu sigo chamando de lente… E a lente é a Palavra de Deus, tendo como principal referência os ensinos e o modo de viver de Jesus Cristo.

Ao fazer isso, todas as explicações encontradas, inclusive pelas ciências, passam por um filtro que organiza e também limpa os excessos.

O mundo que a gente vive separou a chamada vida espiritual, da vida secular, do mundo do trabalho, do mundo dos estudos. Com isso, muita gente usa a lente da Palavra apenas à vida religiosa.

Entretanto, tenho descoberto que quando temos uma lente maior para observar tudo, a confusão acaba.

Nós somos únicos. É assim que Deus nos olha. O meu trabalho é vida. E se é vida, é para a glória de Deus. Os meus estudos são vida; e se são vida, são para a glória de Deus. As minhas ações na internet são parte do que sou; e eu vivo para a glória de Deus. A minha sexualidade é vida, e a vida é para a glória de Deus.

Pegou a ideia?

O contexto que dá sentido a cada uma das ações que desenvolvemos deve tomar como referência a lente maior, a lente da Palavra.

Essa é a unica forma de viver plenamente, vivendo tudo que deve ser vivido, de maneira abundante. E com sentido.

Foto: Pixabay

A família do seu parceiro, da sua parceira gosta de você?

Prefere ouvir? Dê o play!

Nem sempre as pessoas gostam da família do parceiro, da parceira. Às vezes, existe uma certa incompatibilidade. Acontece. Não é o melhor, mas acontece.

Por outro lado, não são raros os casos em que é a família do outro, do parceiro, da parceira, que não gosta da gente. Todo mundo conhece alguém que o sogro “não vai com a cara”, que a sogra vive “pegando no pé”… Há casos, inclusive, em que a rejeição é completa.

Essa trama é conhecida há muito tempo. Inclusive muito bem retratada na literatura, no cinema, nas novelas… A história clássica mais conhecida e impactante foi construída pelo mestre Shakespeare. É a história de Romeu e Julieta.

É bom ser amado, admirado. Ser bem recebido, ter a aprovação da família do outro, faz bem pro coração. É uma delícia quando se é o “queridinho” da sogra, quando se tem o sogro como parceiro, quando a cunhada está sempre ali pra dar uma força… Porém, fica tudo muito difícil quando a família rejeita. E até persegue.

Por isso, uma leitora perguntou: e daí, o que fazer?

Não existe manual para essas situações. Na verdade, tudo que envolve relacionamento depende muito da dinâmica, das circunstâncias. E, se houver perseguição, tem que considerar a dimensão que isso pode tomar. Ainda assim, algumas coisas, porém, podem servir de balizadores para enfrentar esse tipo de problema.

Primeira coisa, é preciso reparar em como o parceiro lida com esse cenário. Ele percebe a rejeição da família ou acha que tudo é coisa da sua cabeça? Se o outro não nota, a luta está perdida. Esquece. Se ainda está namorando, esquece e vá viver sua vida. Não vai dar certo.

Se já casou, ore por um milagre. E seja a melhor pessoa que puder ser para seu parceiro, para sua parceira. E faça de tudo para não comprar brigas com a família dele/a.

Outra coisa… Se você percebe que é rejeitado, como você administra isso? Se a pessoa que diz te amar se sente insegura em função do que a família dele diz e faz, a chance de dar errado também é grande. Agora, se a pessoa amada está do seu lado, fechada contigo, dá para apostar no futuro da relação.

Segunda questão, tendo como premissa que o parceiro reconhece que a família não gosta de você, mas ainda assim reafirma confiança e faz de tudo para viver bem contigo, a dinâmica desse relacionamento passa a depender muito de como vocês vão lidar com isso. Principalmente, você.

Então escute…

Se você agir com retaliação, enfrentamento ou mesmo ignorar a família do seu parceiro (parceira), você vai alimentar todos argumentos ruins que já utilizam contra você. Talvez você não ligue e até goste de guerra. Mas, cá com meus botões, acho que viver em paz é a coisa mais preciosa que pode nos acontecer.

Então… Quando a família do outro não gosta da gente, só nos resta mostrar que não somos o que eles pensam. Não significa fingir e nem viver para agradar. Significa agir com gentileza, educação, respeito e tolerância. Reforço, isso não significa perder a autenticidade; significa ser alguém de bem, alguém que exercita a bondade, sem se preocupar com o que vai receber em troca.

Essa atitude com a família do parceiro é investimento no romance. Trata-se de preservação do próprio relacionamento. Isso porque, por mais que o companheiro saiba da rejeição, ele provavelmente deseja viver em paz contigo e com a família dele/a. Se você entra em confronto com a família dele/a, o romance vira um inferno. O casal vai sofrer tanta pressão que vai chegar um momento que uma das partes não vai resistir.

É por isso que eu digo: quando a família do parceiro não gosta da gente, é necessário ter, primeiro, o outro ao seu lado. Tem que ser alguém disposto a te preservar, a te defender. E com forças pra fazer isso. A briga, nesse caso, é dele com a família; e não sua. É ele quem tem que administrar a situação. Seu papel é não dar lado para as acusações que vai sofrer. E aqui uma ressalva: você não deve, em hipótese alguma, estimular o confronto. Não é ético e tampouco, cristão.

Por fim, e talvez o mais importante, para você que ainda está namorando: você está disposto/a a viver isso? Afinal, não existe garantia alguma que um dia vai conquistá-los. O amor de sua vida também tem consciência disso? Ele/a também acha que dá conta de administrar a situação e ser feliz, mesmo assumindo uma relação que contraria a família?

É fundamental entender que talvez as coisas nunca mudem nessa relação. Estariam dispostos a pagar o preço? Querem viver em “pé-de-guerra”? Desejam se isolar deles “pra sempre”?

Essas são perguntas que, individualmente, o casal precisa responder.

Um relacionamento é muito maior que as duas pessoas diretamente envolvidas. Não dá para ignorar o impacto que o ambiente, inclusive familiar, tem na felicidade do casal.

Você está comprometido consigo mesmo?

Eu gosto desta palavra, comprometimento.

A gente usa bastante a palavra “comprometimento” para se referir aos compromissos firmados com outras pessoas, para falar de negócios e até para tratar da prática religiosa.

Porém, penso que o comprometimento começa consigo mesmo, consigo mesma.

Gente comprometida é gente que não falha naquilo que prometeu fazer. É gente que faz o que for necessário para dar conta do compromisso firmado.

Precisamos ter alguns compromissos com a gente mesmo.

Tipo, dificilmente eu vou aceitar um convite para fazer algo na sexta-feira à noite. Eu trabalho nas noites de segunda à quinta-feira. Mas, sexta-feira, ao encerrar o expediente de trabalho no fim da tarde, eu vou para casa, vou para cozinha, preparo um lanche e fico com minha família.

Se alguém me convida e até insiste para fazer alguma outra coisa na sexta à noite, eu vou ficar aborrecido. E é certo que vou dizer não.

Ninguém de casa pediu isso para mim. Mas é um compromisso que tenho comigo mesmo e, por extensão, com minha família. E estou comprometido com isso. O que puder fazer para não quebrar o meu compromisso pessoal, eu vou fazer.

Pode existir exceção. Mas a exceção deve ser apenas isso: exceção.

Estar comprometido é um comportamento ativo, porque implica em lutar contra as circunstâncias para fazer valer aquilo que foi combinado – ou que você decidiu fazer por você.

Se você decidiu que fará uma caminhada diária, você fará a caminhada diária e vai construir o momento certo para que isso aconteça.

Se você decidiu cortar o açúcar da sua alimentação, você vai cortar o açúcar. Vai ser difícil, desconfortável, mas você fará isso. Vai lutar contra suas vontades todos os dias, mas você está comprometido em fazer o que se comprometeu.

Comprometimento é esta decisão que é reafirmada todos os dias em nossas ações.

Por exemplo, a fidelidade do casamento é para pessoas comprometidas. Você não diz que vai ser fiel hoje e pronto. Você precisará lutar todos os dias para manter-se fiel. Ou seja, você precisará estar comprometido com a sua promessa de fidelidade.

Tá entendendo?

Quando você firma um compromisso com você, você luta para fazê-lo uma realidade diária. Estar comprometido requer foco, requer não perder de vista o compromisso.

Muita coisa não acontece na nossa vida porque não estamos, de fato, comprometidos com aquilo que gostaríamos de fazer.

Tem gente que diz pra mim: “Ronaldo, eu sou muito ansioso”. Tá… Mas o que você tem feito para mudar isso?

Quem sofre com ansiedade, precisa estar comprometido em lutar todos os dias com os gatilhos que disparam sua ansiedade, questionando seus pensamentos, colocando em xeque as afirmações que são feitas espontaneamente pelo cérebro.

Quem tem um problema de relacionamento – seja com o marido, com o filho, filha, nora ou mesmo com a vizinha -, deve estar comprometido em colocar em prática os passos necessários para superar esse problema. Não adianta você fazer hoje o que você sabe que é necessário e, amanhã, não fazer… E amanhã voltar as mesmas práticas que nunca deram certo.

Comprometimento envolve dar sequência, envolve constância, implica em persistência.

Isso requer conhecimento, estratégia, planejamento, atenção aos detalhes… Nada disso é impossível. Em textos como este e outros tantos (inclusive vídeos, podcasts etc), você recebe informações que permitem reavaliar as ações, tomar decisões e fazer mudanças.

Entretanto, esse papo só você pode dar.

A gente se compromete com o que importa… E se a sua vida importa, você se compromete em fazer dela a melhor vida que você pode ter.

Lembre-se que só você pode construir algo diferente na sua vida. Então, comprometa-se com você e assuma o protagonismo da sua história.

Não estou com vontade de fazer isso

Você já disse alguma vez essa frase: “não estou com vontade de fazer isso”? Já disse?

Eu digo. Acho que não tem uma única semana não encare alguma tarefa que me cause desprazer. E a vontade é não fazer.

Mas o “não fazer” precisa muito bem avaliado. Na maioria das vezes, é apenas uma desculpa para não encarar uma tarefa chata, desagradável…

E toda atividade que demanda um pouco mais de energia, que apresenta poucas possibilidades de recompensa, é uma tarefa que a gente não quer fazer.

No início desta semana, numa de minhas aulas, estive com os alunos do último semestre do curso de Jornalismo.

Na pauta da conversa, a produção do “trabalho de conclusão de curso”, o famoso TCC.

Pra quem conhece, sabe que se trata de um trabalho bastante desgastante. É a maior e mais cansativa tarefa a ser cumprida num curso de graduação.

O TCC assusta muitos alunos. Todos os anos, alunos desistem da faculdade, no último semestre, por causa desse trabalho.

Entretanto, poucas atividades acadêmicas acrescentam tanto à formação do aluno quanto o TCC.

Mas meus alunos gostariam de fugir desse trabalho. E eles disseram a frase: “não estou com vontade de fazer isso”.

Alguns também repetiram outra frase: “não sei se vou conseguir fazer isso”.

Ei, independente do que você faz, independente de quem você é, eu sei que vez ou outra você não sente vontade de fazer algumas coisas.

Hoje, semelhante ao que disse aos meus alunos, tenho algumas palavras pra você.

Primeiro, se realmente não quer fazer algo, considere desistir. Talvez seja a hora de desistir e assumir as consequências.

Quais são as consequências? Haverá perdas? Você pode assumir essas perdas?

No caso dos meus alunos, em quatro meses, poderão estar formados. Desistir significa jogar fora outros três anos e meio de curso. Desistir significa abrir mão de, em apenas quatro meses, poder colocar no currículo: “portador de diploma do ensino superior”.

Segundo, é necessário identificar quais são as tarefas obrigatórias e aceitar que, se são obrigatórias, devem ser feitas. Ficar relutando em começar só adia o problema, só amplia o sofrimento. Aquilo que poderia ser resolvido em algumas horas, por vezes, leva semanas ou meses para resolver.

Todos nós temos coisas que devem ser feitas, então você também tem de aceitar que é necessário fazê-las, não importa o quanto as deteste.

Terceiro, se a tarefa precisa realmente ser feita, relacione aquela atividade com algo que importa. Para meus alunos, eu disse: importa encerrar um ciclo em apenas 4 meses e mudar de status, profissionalmente?

Foque no que a superação daquele problema vai significar para sua vida. No mínimo, vai significar “alívio”. Você vai poder respirar aliviado, aliviada, de ter concluído. E nosso cérebro gosta disso. Nosso cérebro manda estímulos positivos para nosso corpo todas as vezes que fechamos um ciclo, que damos conta de resolver algo que precisávamos resolver.

Também vale relacionar às pessoas beneficiadas. É algo que vai alegrar sua esposa? Pronto, faça! Por ela.

Quarto, conceda a você pequenas recompensas. No caso de meus alunos, podem se presentear com algo mais substancial. Tipo, estão sonhando com um celular novo? Estão podem se dar de presente o aparelho desejado assim que terminarem a faculdade.

Já você, no seu dia a dia, pode se recompensar. Sentar e comer um bom bom depois de passar toda a roupa? Veja coisas que você gosta muito e use-as como pequenas recompensas, como prêmios por vencer etapas, em seu dia a dia.

Quinto, aprenda a dizer “não”. Se alguém está te pedindo alguma coisa e você não quer fazer, diga “não”. É algo que não faz sentido e vai atrapalhar seus projetos? Diga “não”. E sem inventar desculpas. Muitas das coisas que nos desgastam, nos aborrecem, são tarefas que assumimos de terceiros. As pessoas pedem e, por medo de magoá-las, concordamos com o pedido.

Isso rouba nossa energia, violenta nossa saúde emocional e, por vezes, ainda não nos faz sentir raiva da pessoa que fez o pedido. E de nós mesmos!

Diga “não”. Em curto prazo, talvez isso possa causar algum tipo de aborrecimento em suas relações, mas, a médio e longo prazos, essas escolhas vão fazer de você uma pessoa coerente, que se respeita e que será respeitada.

Pegou a ideia?

Seis passos para não errar quando for abrir o próprio negócio

Você sonha em empreender? Ser dono, dona do próprio negócio? Você já tem um empreendimento e, por vezes, tem medo de fracassar?

O jornal Estadão preparou uma reportagem especial sobre este assunto no último fim de semana. Inspirado no conteúdo, preparei um material com dicas para quem deseja empreender.

Vale a pena ouvir!

Afinal, no Brasil, o empreendedor geralmente só tem sucesso na sua terceira tentativa. Ou seja, precisa fracassar duas vezes para, depois, conseguir emplacar um negócio.

Isso traz muito desgaste, tristeza e prejuízos.

Muita gente após fracassar nunca mais tenta de novo. E enterra o sonho do próprio negócio.

Por isso, é fundamental fazer as coisas direitinho para evitar o fracasso.

Ouça o podcast. Vai te ajudar.

Nossas idealizações são desenhos falhos da realidade

Quando você planeja algo, o resultado sai como esperado? Igualzinho você desejava?

Por trabalhar com vários projetos, antes de iniciá-los, eu os desenho na minha mente. Mas, curiosamente, quando finalizados, são sempre diferentes daquilo que eu inicialmente imaginava. Em algumas ocasiões, o resultado é surpreendente melhor do que eu esperava.

Essa experiência também acontece quando vou pra cozinha. Às vezes, em meus pensamentos, chego a sentir o sabor da comida que vou fazer. Mas, quando termino, tenho sempre algo diferente ali do que estava esperando. Já vi isso acontecer, inclusive com minha esposa, ao experimentar receitas novas vistas em revistas ou na internet.

E por que falo sobre isso com você?

Porque, para quase tudo na vida, fazemos nossos desenhos mentais antes de experimentar a realidade. Isso acontece com o casamento, com o trabalho, com a escola… A gente idealiza o que vai viver. E não raras vezes, nossas expectativas são muito diferentes da realidade. Com isso, nos frustramos. E, ao nos frustrarmos, achamos que o problema está naquilo que estamos vivendo.

Ou seja, achamos que o problema está no casamento, no trabalho, na escola… A gente poucas vezes questiona o desenho mental que fizemos sobre o que seriam essas coisas.

E aí o que acontece? Como o casamento, o trabalho, o curso universitário não se parecem com o que imaginávamos, nos frustramos e, por vezes, abandonamos e tentamos algo diferente. E sabe para quê? Para, de novo, nos frustrarmos.

O escritor C. S. Lewis certa vez afirmou:

Os anseios que temos – casamento, trabalho, escola – são anseios que nenhuma experiência pode de fato satisfazer.

Lewis nos lembra que nenhuma experiência será plena, perfeita, irreparável e capaz de preencher por completo todas as nossas expectativas e desejos.

Na prática, é como se estivéssemos condenados a viver eternamente insatisfeitos.

Existe um tipo de projeção existencial em nós que aponta para um tipo de vida que não nos é possível, não nos é acessível.

E por que isso acontece?

Primeiro, porque a realidade nunca será a da nossa mente. A vida é cheia de imperfeições, surpresas e problemas.

Segundo, porque nossos anseios de perfeição estão inscritos num desejo de uma vida que ainda não temos, mas que será nossa na eternidade com Cristo.

Em nossa mente, existe plantado um tipo de desejo de perfeição que só será alcançado quando estivermos com o Senhor.

Pegou a ideia?

Características necessárias em quem deseja se casar

Quem pode casar? Quais características são fundamentais numa pessoa que deseja casar?

Talvez eu seja tão somente um romântico incorrigível… Mas eu acredito no casamento. Sei que a maioria, infelizmente, não será “até que a morte os separe”, entretanto ainda penso que casar é bom.

E deixa eu explicar… Quando falo em casar, falo em casamento como um ato de estarem juntos, de sonharem juntos, de dividirem uma vida, de terem uma vida em comum.

O casamento como cerimônia é só uma festa. Exagerada, por sinal. Hoje, custa caro e, por vezes, compromete a vida financeira do casal nos primeiros anos de relacionamento. Tem gente que chega a demorar anos pra casar não por dúvidas a respeito dos sentimentos, mas porque quer fazer uma cerimônia pomposa.

Aí demora dez anos pra casar e, quando casa, a vida a dois tem menos chances de dar certo. Mas isso é assunto para outro momento.

Voltando… apesar de defender o casamento, penso que viver a dois não é pra qualquer um.

Casamento é pra gente resolvida, que sabe o que quer, que tem disposição pra ser feliz e pra fazer feliz. Gente carente é potencial parceiro-problema.

Lembro-me de ter lido recentemente uma ideia que cheguei a guardar:

“O casamento não foi feito para os que estão doentes por falta de amor, mas para os que sabem amar.”

A frase resume uma verdade. Casamento é pra quem sabe amar. Quem reclama (quem pede para) ser amado, vai ser infeliz. E fazer o outro infeliz.

Casamento não é conto de fadas. Dá trabalho. E muito. Exige dedicação, disposição pra fazer dar certo. São duas pessoas diferentes e com expectativas distintas pra uma vida juntos.

Se não negociarem bem, cada movimento dos antigos apaixonados criará um turbilhão de problemas. E tem que amar. Amar muito. Amar como ato de doação, porque virão dias em que você não vai se sentir amado.

E se a sensação de não ser querido tornar-se uma cobrança, o que pode ser apenas uma situação momentânea resultará em desamor, conflito, crise… e até infidelidade.

E o que mais gosto da frase é que ela traduz algo que pode escapar num primeiro momento. Não é apenas ter amor pelo outro. É saber amar. Porque tem gente que ama o parceiro, mas não sabe amar.

Ama, mas faz tudo errado. Existe sim jeito certo e jeito errado de amar. Tem gente que ama e só machuca o outro. E ainda diz:

– Mas eu amo tanto…

Ama, mas ama do jeito errado.Ama controlando, ama restringindo, ama censurando, ama tirando a liberdade… Aí não funciona.

E tem mais… Casamento não é pra gente que está com problemas em casa, sofre com os pais, é carente… e anda precisando de alguém que diga todo dia: “eu te amo”.

Esse tipo de pessoa precisa de tratamento, de terapia. Casamento é pra quem tem muito amor pra dar. Tem amor e sabe dedicar esse amor.

E, como diz São Paulo, num pensamento que chegou a inspirar Renato Russo:

O amor é paciente, é benigno, o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

Sim, tem jeito inconveniente de amar.

Saber amar é não se deixar consumir pelo ciúme e nem tornar a vida do outro um inferno por conta disso… É aceitar a diferença, ter disposição pra perdoar… É sofrer os dias maus, mas é acreditar e construir, com esperança, os dias bons.

É ter as palavras certas; é saber calar, quando for preciso; é romper com o egoísmo; é não se apegar aos pequenos desencontros cotidianos e torná-los motivos de desavença (uma toalha na cama, um arroz queimado…).

Saber amar também não é tolerar a injustiça no relacionamento, porque quem ama o outro, primeiro, se ama.

Gente que sabe amar assim é gente que pode casar.

Com o tempo, tudo perde a graça

Por mais incrível que seja uma experiência que você viva, se ela for repetida várias vezes, deixará de proporcionar o prazer inicial. Você pode viver algo incrível. Você pode viver um momento “uau”. Se você for repetir amanhã, já não será igual, já não vai causar as mesmas sensações.

Anos atrás, um psicólogo recebeu a ligação de um amigo. Estava abatido. Era praticante de uma modalidade radical de salto de paraquedas. Um colega de equipe havia morrido. E ele disse:

Meu amigo, preciso de sua ajuda urgente. Eu serei o próximo.

Ele começou a saltar pela emoção causada. A forte adrenalina. Mas, com o tempo, já fazia sentido os saltos mais “conservadores”. Passou a praticar saltos em que o paraquedas é aberto cada vez mais perto do solo.

Esse homem precisava aumentar cada vez mais o risco para ter o mesmo prazer.

No último salto, o colega de equipe morreu. O paraquedas abriu, mas a distância do solo era tão pequena que foi insuficiente para cair com segurança.

Somos uma espécie que tem profunda capacidade adaptativa. Nos adaptamos às circunstâncias – boas ou ruins. Mesmo os estímulos capazes de desencadear as emoções mais poderosas acabam desaparecendo no plano de fundo com a exposição repetida.

O professor e filósofo Clóvis de Barros Filho dá um exemplo ótimo: imagine que você chega numa pamonharia. Tudo ali é feito com muito capricho. Então você come a primeira pamonha. Está maravilhosa. Você tem a sensação que encontrou a alegria de viver. Então você pede a segunda pamonha… Depois, a terceira…

Ele brinca:

Quando você chegar na décima pamonha, você nunca mais quer ver pamonha na vida.

É assim com tudo na vida.

Por que o primeiro amor marca tanto a vida da gente? Porque é o primeiro. Não é que seja o melhor, mas a experiência vivida é inédita, diferente, surpreendente.

Hoje, as pessoas se tornaram dependentes de viver grandes experiências emocionais. Quando não existem programações espetaculares no fim de semana, por exemplo, a vida parece um tédio, chata.

Repare, quem ainda acha o máximo tirar férias e ficar em casa – ou, quem sabe, visitar uma tia, um primo? Se o parente não tem uma casa maravilhosa, com piscina, vista para a praia, ou num ambiente que mais parece hotel cinco estrelas numa cidade turística, esse é o tipo de programa que pouca gente ainda quer fazer.

Férias, hoje, são sinônimo de praia, resort, passeio por cidades históricas, lugares badalados… As férias precisam proporcionar, inclusive, boas fotos. Afinal, que graça tem uma viagem que não pode ser mostrada?

O que há de comum em todas essas situações?

Busca-se o prazer, a alegria, a satisfação, a felicidade fora de si. Busca-se na exterioridade motivos para se sentir bem.

Acontece que ao buscar o prazer nas coisas, torna-se necessário viver novas experiências (e cada vez mais grandiosas) para ter alguma recompensa emocional. E o mundo das experiências e coisas incríveis, embora existe, nos é inacessível boa parte do tempo.

Eu adoraria viajar o tempo todo, conhecer lugares, comer as melhores pizzas do mundo. Certamente, teria muito prazer em fazer isso.

Mas, se eu depender disso para ter uma vida prazerosa, terei pouquíssimas oportunidades de ter essas alegrias.

A ciência descobriu que o prazer de viver precisa ser encontrado em nós mesmos. Como diz a pesquisadora Barbara Fredrickson, quando as pessoas acalmam a mente e expandem a capacidade de amar e de ser gentis, elas se transformam de dentro pra fora.

Ao inverterem a lógica, buscando investir na interioridade motivos para a felicidade, as pessoas vivenciam mais amor, mais interações, mais serenidade, mais alegria, mais prazer.

Quando investimos no cuidado de si, acalmando a mente, expandindo a capacidade de amar, de sermos gentis, descobrimos o prazer de viver em nossa própria vida – sem a necessidade das experiências espetaculares, das grandes conquistas, das surpresas mais incríveis…

Embora todas essas coisas possam ser especiais, elas produzem um pico de prazer, mas logo tudo volta ao normal. E é deste “normal” que precisamos cuidar para que nossos dias valham a pena.

Supere os seus limites!

Quais são os nossos limites? Será que somos potencialmente capazes de realizar tudo o que sonhamos?

Uma coisa posso assegurar: geralmente, fazemos muito menos do que podemos. Temos a capacidade de realizar mais, ir além do que temos ou fazemos.

É fato que, em algumas coisas, não seremos peritos. Eu sempre gostei de música. Tenho facilidade para aprender. Porém, sei que, por mais que estude e me dedique, nunca serei um gênio da musica. Por isso, acabei optando por ter a musica como um passatempo, como um hobby.

Ainda assim, sei que, se me dedicar aos estudos, sou capaz de ter uma técnica que não vai me deixar passar vergonha. Isso também vale pra você – mesmo que não seja um apaixonado por música.

E vale para todas as áreas. A cozinha, o esporte, a oratória… enfim.

Você e eu… Nós podemos fazer muitas coisas.

Mas o que nos limita?

Escute… Geralmente, três coisas nos limitam. A primeira, são as próprias circunstâncias ou as condições da própria natureza. Haverá ocasiões em que não há nada para fazer; não há como mudar.

Talvez a limitação seja física. Talvez a limitação seja cognitiva. Ou, quem sabe, no campo dos gostos… Você quer ser médico, mas estudar muito não é algo que você aprecia.

As circunstâncias também podem ser limitantes. Quem sabe você queira muito ser enfermeira. Já viu o valor do curso, consegue pagar… Mas ai a mãe adoece e só você poderá cuidar dela. Ou seja, a circunstância se impõe de maneira limitante. Talvez não exista outra solução: é preciso adiar os sonhos e cuidar da mãe doente.

Ou seja, enfrentamos sim algumas limitações que produzem barreiras, por vezes, intransponíveis.

Ressaltei, porém, que enfrentamos três tipos de limitações. A segunda é criada por nossas crenças. Às vezes, o problema está em nossa mente. Nós não nos achamos bons o suficiente.

Ainda na semana passada, tive uma conversa com um de meus alunos. Ele tem apenas 20 anos, mas acha que é incapaz de aprender. Acha que é um desastre na vida, que não tem sorte e nada vai dar certo para ele.

Esse tipo de visão é muito complicada, principalmente em alguém tão jovem. E é um desafio reprogramar a forma de enxergar a vida. Porém, no caso do garoto e de mais um monte de gente que conheço, a limitação está na mente, a limitação vem das crenças que foram construídas ao longo da vida.

Nossas crenças, por vezes, nos sabotam quando ficamos preocupados com o que as pessoas vão pensar a nosso respeito. O olhar para o outro, para o que o outro vai pensar muitas vezes nos leva a estacionar, a desistir. Será esse o seu caso?

A terceira limitação que nos impede de realizar nossos sonhos é a pouca ou nenhuma disposição para o aprendizado. Por nos acomodarmos ou por nos fecharmos para novos conhecimentos, não avançamos, não nos desenvolvemos, não ganhamos forças competitivas para a concretização de nossos projetos.

Ei… Aprender dá trabalho. Cansa, desgasta e, às vezes, é chato. Mas ainda conseguiu inventar uma outra forma de adquirirmos novas habilidades. Precisamos de dedicação e empenho na busca de novos conhecimentos.

Desses três tipos de limitações, apenas da primeira, não temos controle. Como disse, as circunstâncias e a própria natureza podem criar barreiras intransponíveis.

Contudo, das duas últimas limitações, somos diretamente os responsáveis. As crenças limitantes são produzidas ou alimentadas por nós. E podemos superá-las. O primeira passo é colocar em dúvida essas crenças. Quando surge em nossa mente aquela frase “eu não consigo” ou “eu não posso”, devemos questionar: quem disse que eu não posso? Quem disse que não consigo?

Gosto de lembrar de uma passagem bíblica. Quando Moisés morreu, Josué, escolhido como substituto, estava inseguro. Deus então fala com ele e diz: “seja forte e corajoso! Não se apavore nem desanime, pois o Senhor, o seu Deus, estará com você por onde você andar”.

Você pode se superar. Você pode aprender. Você pode crescer. Mas precisa acreditar nisso. Precisa ter coragem para enfrentar aquela voz que diz: você não é nada!

Seja forte, seja corajoso! Encare. Não se apavore, não desanime. Você não está sozinho. Você não está sozinha!

Muita gente pode dizer que você é incapaz. Mas Deus diz: eu te fiz um vencedor. Os planos do Senhor são planos de vitória. Para todos nós.

Quando os pensamentos de derrota, de fracasso, de medo começarem a invadir sua mente, questione esses pensamentos, enfrente e diga: eu posso, eu consigo, em nome do Senhor dos Exércitos.

Você sabe quais são as nossas necessidades básicas?

Temos três necessidades básicas. Das três, nascem todas as outras.

Nossas necessidades básicas são: segurança, satisfação e conexão.

Todo ser humano busca essas três coisas. Elas podem ganhar nomes diferentes e se traduzirem em outras expressões. Mas, no fundo, todos nós buscamos por segurança, satisfação e conexão.

Por exemplo, por que sofremos tanto hoje com o mercado de trabalho? Porque as mudanças são constantes e isso produz insegurança. Costumo dizer para meus alunos no primeiro dia de aulas: você começa uma faculdade hoje, mas entenda que só vai ter sucesso se aceitar as mudanças que sofrerá ao longo da carreira. Nenhuma profissão hoje é a mesma de 20 ou 30 anos atrás.

Ou seja, a angústia nasce da falta de segurança.

No casamento, se você convive com uma pessoa que vez ou outra fala em separação, fala que está cansado(a) do relacionamento, você vai ficar péssimo(a). E por quê? Porque queremos um relacionamento que garanta segurança.

Ei, por que gostamos de abastecer o carro sempre no mesmo posto? Frequentamos a mesma farmácia, o mesmo supermercado? Simples, segurança. Nos sentimos mais seguros, ou mais confortáveis, em ambientes já conhecidos.

A satisfação é outra das nossas necessidades básicas. E do que estou falando aqui? Estou falando de sentir prazer, alegria… Ou seja, sentir satisfação. Um relacionamento agressivo rouba a chance de ter satisfação; uma comida ruim ou um ruído que interrompe nosso sono… Tudo isso nos impede de ter satisfação.

Somos movidos pela busca de satisfação. Queremos satisfação nos relacionamentos, no salário que ganhamos… Avaliamos inclusive nosso dia pelo grau de satisfação alcançado. Um dia com problemas com o chefe, com o carro que deixou na mão… É um dia que não nos deu prazer. Logo, nos entristecemos, ficamos aborrecidos.

Conexão é a terceira necessidade básica do ser humano. Não fomos feitos para viver sozinhos. Precisamos nos relacionar. Precisamos de gente em nossa vida. Quem se fecha para os relacionamentos não tem como ser feliz.

Precisamos nos conectar com outras pessoas. É no relacionamento que encontramos apoio, incentivo, acolhimento… E também correção, disciplina, orientação. A convivência com os outros nos oferece parâmetros necessários para o nosso crescimento.

O nosso cérebro reclama a presença de outras pessoas. Observe suas memórias… Certamente, algumas das melhores lembranças incluem pessoas, momentos de boa convivência, de encontro, de comunhão.

Se evitamos a conexão com outras pessoas, aceitamos uma vida pequena, medíocre. Perdemos um dos maiores prazeres da existência. Uma boa amizade alegra, conforta.

Portanto, entenda: quer ter uma vida boa? Busque atender as necessidades essenciais do ser humano – as mais básicas. O bem-estar surge quando nossas necessidades básicas são atendidas, não negadas.

Quando sentimos que nossas necessidades estão satisfeitas o bastante, o corpo e a mente entram no modo responsivo da “zona verde” e temos uma sensação de paz, contentamento e amor.

Por outro lado, quando as necessidades parecem não ser atendidas, ficamos perturbados, passamos ao modo reativo de luta-fuga-paralisia da “zona vermelha” e experimentamos medo, frustração e mágoa.

Pegou a ideia?

Busque segurança, satisfação e conexão. Você vai viver melhor!